Um balanço da presença ao longo dos anos da Economia de Comunhão Itália na Feira “Fa’ la cosa giusta!” em Milão. Entrevista com Andrea Penazzi
por Carlo Cefaloni
publicado na revista Cidade Nova (edição italiana) em 23/03/2026
A Economia de Comunhão, em parceria consolidada sobretudo com a Città Nuova, é hoje uma presença fixa na Feira “Fa’ la cosa giusta!”, realizada todos os anos em Milão.
Também neste ano, o evento aconteceu em Rho, um município da área metropolitana de Milão, nos pavilhões da Fiera Milano, uma obra gigantesca que expressa a ambição da cidade, capital econômica da Itália, que parece deter o recorde de milionários residentes na Europa, mas que também se mostra excludente em relação à classe média. O que faz uma grande manifestação ligada ao mundo das finanças éticas, do comércio justo e da economia civil na metrópole dos arranha-céus futuristas que atraem os capitais das petromonarquias? Como diz o ditado popular, Milan l’è semper un gran Milan (Milão é sempre uma grande Milão) e continua a surpreender com seu notável tecido de atividades sociais e solidárias.
Conversamos sobre isso com Andrea Penazzi, da EdC da Lombardia, para fazer um balanço desse caminho em curso.
Por que a EdC em Milão, junto com a editora Cidade Nova (Città Nuova) — representada por uma referência como Eugenia Bersani — decidiu há anos inserir-se em um espaço expositivo tão diverso?
Gosto de lembrar que a Economia de Comunhão foi mencionada já na primeira edição da feira, há 22 anos, em um livro da Terre di mezzo que contava novas formas de fazer economia. Como presença física com um estande, começamos em 2011 e, desde então, buscamos estar presentes como EdC Itália, colaborando intensamente — também no Projeto Escolas e no Programa Cultural — com realidades nacionais como a Città Nuova, há três anos com a EcoOne Ecologically United (rede de especialistas na área ambiental) e, neste ano, com a ONG AMU.
Em uma metrópole como Milão, capital econômica e financeira, uma feira como essa não corre o risco de ser apenas uma espécie de “reserva de boas intenções”?
O risco existe, mas prefiro ver nossa presença como uma luz nas fissuras de uma dimensão econômica predominante. Somos um laboratório ou, usando outra imagem, uma semente. É significativo que, em Milão, essa experiência tenha chegado à sua 22ª edição com 65.000 visitantes: não são números enormes, mas também não são poucos. Além disso, o envolvimento das escolas é um sinal de esperança para uma mudança profunda.
De que experiência profissional você vem?
Há quase 15 anos sou profissional autônomo na área de comunicação institucional. Não trabalho com marketing ou vendas, mas com comunicação interna e organizacional para diversos clientes. No meu pequeno campo, procuro dar sentido às coisas e expressar esse modo de agir econômico de comunhão também na minha atividade profissional.
Qual foi o “fio condutor” da participação de vocês na edição de 2026?
Retomamos o tema da feira: De quantas pessoas precisamos? para mudar o mundo, para construir a paz… Procuramos mostrar como cada pessoa encontrada é necessária. Cada encontro do programa cultural foi pensado para criar diálogo entre os palestrantes e com o público, evitando narrativas autorreferenciais. Apresentamos projetos como Time to Change, com os jovens, e trabalhamos muito o tema da fraternidade como contribuição para a paz. Ninguém falou “sozinho”: cada encontro foi um exercício de escuta e construção coletiva, transformando o público em uma comunidade em diálogo.
Vocês também deram espaço a realidades históricas do território milanês, como a Associação Arcobaleno.
Certamente. A Associação Arcobaleno, com mais de 40 anos de história, e a Rede Escolas sem Permissão (recentemente premiada com o Ambrogino d’oro) representam, junto a muitas outras realidades, a alma solidária de Milão. Para nós, como Economia de Comunhão, são duas faces da mesma moeda: quem está mais engajado na EdC olha especialmente para a pobreza econômica; quem atua na Arcobaleno olha para a exclusão social e dos migrantes. São dimensões diferentes de uma mesma atitude em relação ao outro.
A feira foi encerrada com um gesto particular ligado ao Slot Mob. Do que se trata?
A coerência de um modelo econômico se mede pela sua capacidade de sair dos pavilhões e “colocar a mão na massa” no território. Milão, a “cidade do prazer” dos anos 80, hoje se descobre ferida por novas dependências, como a do jogo de azar. Por isso, o encerramento dos três dias foi marcado pelo “Slot Mob”: um gesto de mobilização civil para valorizar os bares que renunciam às máquinas caça-níqueis e a outros produtos da indústria do jogo.
Esse último encontro, realizado quando a feira já se encerrava, não foi apenas informativo, mas também operativo: começamos a planejar um Slot Mob no Município 2 para 2026, como parte de um revezamento que pretende alcançar todos os distritos de Milão. A ideia é difundir uma consciência crítica contra o mecanismo invasivo do jogo, bairro por bairro.
Quantas pessoas estão envolvidas por trás da organização de um estande e da promoção dos eventos?
Por trás do estande, dos encontros e das iniciativas, estão cerca de 30 pessoas — entre voluntários, palestrantes e ativistas — que doaram tempo, competências e recursos. Trabalharam intensamente desde o verão anterior para garantir a sustentabilidade econômica e logística da nossa presença. Pessoas não apenas da Lombardia, mas também da Sicília, Abruzzo, Toscana, Lácio, Vêneto e Piemonte.
Em um mundo que mede tudo em termos de lucro, a Economia de Comunhão promove a lógica do dom. Essa “pequena presença” não é uma anomalia estatística, mas o motor silencioso de uma transformação possível.
Milão nos ensina que, mesmo no coração do sistema financeiro mais avançado, a mudança nasce das relações. Resta, porém, uma pergunta aberta, que diz respeito a cada um de nós: e você, de quanto coragem precisa para abrir a sua fresta de luz e começar a construir uma economia mais fraterna?











