Mirada Global - 25/07/2011

Não é impossível. Atualmente a economia social e solidária no mundo já é a oitava economia do planeta. Isto é, não só existe e é relevante, ela é imprescindível.

A desigualdade, fruto da economia atual

por Alberto Barlocci

publicado em Mirada Global, dia 25/07/2011

logo_mirada_globalBuenos Aires / Economia – Aumentaram as pessoas muito ricas no planeta: hoje são quase 11 milhões. Nesta estatística são considerados todos os que dispõem de mais de 1 milhão de dólares em dinheiro, mas inclui também as pessoas com um patrimônio avaliado em mais de 30 milhões de dólares. O dado é paradoxal, sobretudo se o comparamos com outro em base ao qual para a ONU torna-se cada vez mais difícil conseguir o objetivo de reduzir a pobreza extrema no planeta em 15% para o ano de 2015.
 

Esta massa de ricos possui 42,7 bilhões de dólares, mais ou menos 140 vezes o PBI argentino.
 
Este montante é 10% a mais em relação a 2007. E isso apesar da crise financeira atual... Vivemos numa economia que continua produzindo desigualdades. A esta altura já é o principal problema, talvez antes mesmo que a pobreza.
 
Um mercado no qual ocorrem fortes desigualdades gera um círculo vicioso, porque os setores mais ricos, precisamente, com maior disponibilidade de dinheiro, determinam padrões de consumo em base a seus gostos. Por sua vez, esse padrão de consumo gera um padrão produtivo, isto é, a demanda dos mais ricos será determinante na produção de bens e serviços (automóveis caros, móveis e moradias de luxo, gêneros suntuosos, etc.) e finalmente isso determina um padrão de investimentos. Há um investimento sim, mas nessas atividades produtivas determinadas pela demanda dos mais ricos.
 
É precisamente o círculo vicioso que debe ser quebrado.
 
Assim como a desigualdade em certos casos é sistêmica, a igualdade também pode ser. Faz falta multiplicar empreendedores da sociedade civil que deem origem às empresas destinadas a superar a pobreza. Por exemplo, dando trabalho aos que forem eliminados do mercado; ou entidades como as do microcrédito fundado por M. Yunus, que financiam empreendimentos que ajudam a complementar a economia de famílias pobres; ou empresas como as de Economia de Comunhão, que geram utilidades com as quais ajudam os pobres.
 
Isto é, faz falta criar círculos virtuosos da economia. E que esses círculos envolvam como aliados tanto o Estado, como as empresas privadas e as da sociedade civil, cada uma destas realidades contribuindo com o que a outra não pode fazer.
 
Não é impossível. Atualmente a economia social e solidária no mundo já é a oitava economia do planeta. Isto é, não só existe e é relevante, ela é imprescindível.
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Alberto Barlocci. Diretor da revista Ciudad Nueva, www.ciudadnueva.org.ar

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