"Avvenire" - 21/04/2010

Um volume de Luigino Bruni sobre os fundamentos da economia social

Fazer negócios? Primeiro de tudo uma questão de fraternidade

por Luca Miele
publicado no "Avvenire" em 21/04/2010

 

L_ethos_del_mercato_BruniQual o laço que liga mercado e comunidade? O primeiro funda ou amputa a segunda, garante a sua sobrevivência ou trai a vocação fundamental? E ainda:  em que posição se põe o indivíduo - cujo "nascimento" como grande sinal da modernidade - levou ao mercado e à comunidade? Luigino Bruni, no seu livro O ethos do mercado (Bruno Mondadori, pgs. 240, 18 euros) vai em busca da economia antropológica, inspirada nos estudos de Roberto Esposito a estrutura teórica que suporta a sua investigação. "O munus que a ‘communitas’ partilha - escreve Esposito em ‘Communitas’ – não é uma propriedade ou uma pertença. Não é ter, mas pelo contrário, uma dívida, uma promessa, um dom para se dar. Os sujeitos da comunidade estão unidos por um " "dever que os torna não inteiramente donos de si próprios. E que mais especificamente os expropria da sua propriedade  inicial – ou seja da sua subjetividade".

 

 

A comunidade é - escreve Bruni - uma ferida que expõe o outro a um vínculo de risco: a fraternidade. Se a comunidade sagrada não admite a existência do indivíduo, se a Grécia cultiva a philià - amizade que cria a polis como uma comunidade de iguais, não de diferentes - "é apenas no interior do humanismo agápico que realmente comneça a tragédia da communitas: quem aceita livremente a dimensão agápica do amor sabe, de fato, que tem uma obrigação para com os outros (a de amá-los incondicionalmente e sem medida). Não foi coincidência, portanto, que o franciscanismo tenha sido uma espécie de "laboratório" para o nascimento do mercado. No entanto, entre a era medieval e a moderna produziu-se uma fratura que levou gradualmente ao esquecimento da fraternidade franciscana: com a teoriazação do contrato, os indivíduos associam-se na comunidade somente com o fim de se  imunizarem do caracter agápico do estar juntos. O Leviatano de Hobbes é um estado do medo, no qual é comum facto de se poder morrer que une os indivíduos. Graças ao filósofo Inglês, escreve Bruni – “a sociedade europeia deu por si a passar de uma comunidade sem pessoas para o indivíduo sem comunidade." As premissas para o surgimento do mercado já existem todas. Nasce a sociedade civil "orientada pela categoria da indiferença ou da estranheza". O mercado é, então, aquele universal que se baseia "na expulsão da relacionalidade", um sistema que anula o munus, e a lógica do dom que o subentende. No entanto, se o mercado hoje parece tornar-se totalitário, o Ocidente também desenvolveu outras visões, capazes de recuperar aquela relacionalidade sacrificada. É a tradição napolitana da economia civil, que Bruni vê exemplificada no pensamento de Antonio Genovesi. Na escola napolitana, a socialidade volta a fazer-se "fraternidade".

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