O amor é um só, mas os amores são muitos. Nós sabemos disso. Amamos muitas pessoas e muitas coisas, somos amados por muitos, de maneiras diferentes.
Por Luigino Bruni
Publicado no site Il Messaggero di Sant'Antonio em 04/11/2026.
O Evangelho de João utiliza tanto a palavra philia (amizade) quanto agape para falar de amor, seja na relação entre Jesus e Lázaro (cap. 11), seja na relação entre Jesus e Pedro (cap. 21). Essa presença simultânea de philia e agape é muito importante. Na ressurreição de Lázaro, é bonito encontrar, no ponto culminante dos sinais realizados por Jesus, um philos: um amigo. Isso nos diz algo importante sobre o que é a amizade nos evangelhos, na vida e, provavelmente, também em Jesus. A philia, mais do que a agape (na qual também está presente, mas de maneira menos explícita), é uma questão de reciprocidade: Lázaro é amigo de Jesus, e Jesus é amigo de Lázaro. É a relação dos sentimentos, do choro, das emoções intensas, dos abraços, da fidelidade, de um certo para sempre.
Nos evangelhos, o amor está muito próximo de sua matriz bíblica, sendo menos dicotômico do que nas visões gregas neoplatônicas e gnósticas. A agape bíblica e evangélica não exclui a philia, nem o contrário; e talvez também não exclua algumas dimensões do eros, embora os evangelistas nunca tenham utilizado esse termo, devido ao significado específico que o eros tinha no mundo greco-romano daquela época.
O amor é um só, mas os amores são muitos. Nós sabemos disso. Amamos muitas pessoas e muitas coisas, somos amados por muitos, de maneiras diferentes. Amamos nossos pais, nossos filhos, nossas namoradas e esposas, irmãos e irmãs, professoras, avós e primos, poetas e artistas, Renzo, Lucia, Edmond, Silvia, Jean Valjean e Cosette. E amamos muito nossos amigos e amigas. O amor humano não se limita aos seres humanos. Ele alcança os animais, as plantas, as montanhas e o mar, até mesmo as coisas e os objetos; toca o universo e as estrelas, e chega a roçar Deus.
O mundo grego tinha duas palavras principais para expressar o amor: eros e philia. Elas não esgotavam suas muitas formas, mas ofereciam um repertório semântico mais rico do que o nosso (que, na prática, possui apenas a palavra «amor») para expressar essa palavra fundamental da vida e, portanto, das relações. Um vocabulário capaz de distinguir o «eu te amo» dito à mulher amada daquele «eu te amo» dito a um amigo ou à mãe, reconhecendo, ao mesmo tempo, que o segundo não era inferior nem menos verdadeiro do que o primeiro e que, no fundo, eram quase iguais. O cristianismo, então, acrescentou uma terceira palavra grega para expressar outra tonalidade desse mesmo amor (já presente na Bíblia grega dos Setenta, anterior ao Novo Testamento) e, sobretudo, já presente na própria vida. Essa terceira palavra é agape: o amor que sabe amar também quem não é objeto de desejo (eros) e quem não é amigo.
São três dimensões do amor que, muitas vezes, estão presentes juntas nas relações verdadeiras e importantes. Certamente, na amizade, na qual a philia nunca está sozinha, pois é justamente ela a primeira a precisar de amigos. É acompanhada pelo desejo-paixão (eros) pelo amigo e é alimentada pela agape, que lhe permite durar para sempre, ressurgir de nossos fracassos e de nossas fragilidades. Uma amizade que seja apenas philia não é suficientemente calorosa e forte para nos deixar sozinhos em nossos caminhos, sobretudo nos trechos de subida e nos últimos percursos. Mas é a philia que une o eros e a agape entre si e os torna irmãos – também Jesus precisou recorrer à linguagem da philia para nos revelar todas as dimensões do seu amor.
Naquelas poucas amizades que nos acompanham por longos períodos da vida, às vezes até o fim, a philia reúne em si também as cores e os sabores do eros e da agape. São aqueles amigos que perdoamos e que nos perdoaram setenta vezes sete; aqueles que, quando não voltavam, foram esperados e desejados como uma esposa ou um filho. Aqueles que abraçamos e beijamos de maneira semelhante e, ao mesmo tempo, diferente de outros abraços e outros beijos; aqueles com quem misturamos tantas vezes nossas lágrimas, até que elas se fundissem em uma única gota. Eis por que poucas dores são maiores do que aquela provocada pela morte de um amigo – naquele dia, um pedaço do coração deixa de bater e nunca mais volta a bater. Há amigos que continuam vivendo, resistindo à dor e à doença, apenas porque esperam nos reencontrar em nossa próxima visita, em casa ou no hospital, quando aquele philos (amigo) que vem até nós vale por toda uma vida, por toda a filosofia do amor da terra.
Crédito da foto: © Fabiano Fiorin / Arquivo MSA