Tirole, o Nobel humilde da economia

Um professor nem um pouco engessado e, no entanto, um cientista de fronteira. Pragmático diretor científico fundou a Toulouse School of Economics, mas para todos permanece o Jean

por Tommaso Reggiani

publicado em Città Nuova em 15/10/2014

Jean Tirole

No dia que cheguei em Toulouse (França), eu tinha um encontro marcado com ele para nos conhecermos. O corredor estava escuro e procurava o seu escritório olhando para todas as plaquinhas das portas. Do fundo, aproxima-se um senhor distinto, mas com um estilo nada engessado, me vê confuso, me estende sua mão e me diz: «Você é Tommaso, não é verdade? Bem vindo! Eu me chamo Jean Tirole, acho que estava procurando exatamente por mim» com uma humildade desconcertante.

Eu, microscópico neo pesquisador em meu primeiro trabalho, totalmente perplexo, lhe respondo «Ah, ouvi falar de você». Ele ri e diz «provavelmente você ouviu falar de Tirole, mas nunca tomou um café com o Jean?». 

Sim, porque quem estuda economia, começa a ter algo a ver com Tirole no primeiro dia do segundo ano de faculdade. A partir daquele momento, de um jeito ou de outro, ele sempre reaparece ao nosso lado (sempre!). Por isso, o Nobel para Tirole não é uma surpresa. De certa forma, todos o consideravam Nobel “in pectore” já faz tempo.

Tirole trabalhou, e trabalha até agora sem se poupar, com diversos temas no campo econômico. Particularmente os seus estudos ligados à regulação e à prevenção dos abusos de poder dos mercados por parte das multinacionais que freiam a entrada de empresas mais jovens, fizeram-lhe merecer o prêmio Nobel. Mas sobre estes aspectos estritamente científicos, de Tirole, vocês podem ler amplamente em muitas revistas especializadas e no seu perfil acadêmico. Nós, ao invés, empregamos algumas palavras a mais sobre Jean.

Além de ser cientista de fronteira, é também um pragmático diretor científico, capaz de fazer crescer na província francesa uma inovadora universidade internacional de tipo híbrido público-privado buscando fundos, fazendo com que a elite acadêmica dialogue com a grande indústria e atraindo pesquisadores motivados do mundo todo. Capaz de administrar colegas que, quanto ao caráter, poderiam concorrer com os astros de Hollywood (mas eles não ganharam o Nobel) e é capaz também de ver o potencial num grande projeto e buscá-lo com determinação.

Mas, afinal, depois de um prêmio Nobel, muitas pesquisas citadas por toda parte e uma escola de economia toda sua (a Toulouse School of Economics), o que fica realmente é o Jean de um café. Um verdadeiro professor, alguém que entendeu perfeitamente «que para ensinar basta conhecer, mas que para educar precisa ser» como diz Alberto Hurtado. Ser. Sim, ser exemplo de paixão pelo próprio trabalho em primeira pessoa. Tanto para os alunos quanto para os colegas.

 

Tommaso Reggiani é pesquisador de Economia e Ética na Universidade de Colonia 

Este site utiliza cookies, também de terceiros, para oferecer maiores vantagens de navegação. Fechando este banner você concorda com as nossas condições para o uso dos cookies.