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Das árvores de Natal à poluição global

O sistema-mundo consegue proteger pouco os ecossistemas mais distantes dos centros mundiais do poder político, econômico e financeiro: aqueles de países onde, já no período da colonização, foram implantadas instituições de tipo “extrativista”, em detrimento dos recursos locais. Mas existem sinais de mudança que merecem ser apoiados.

por Benedetto Gui

publicado na revista Cidade Nova, edição italiana, em 02/01/2026

Nestes dias ficamos encantados com milhões de árvores verdes brilhando com enfeites e penduricalhos, mas – digam que sou um pouco obcecado – não consigo deixar de me perguntar quais são os efeitos sobre o meio ambiente, o paciente “anfitrião” que nos acolhe e com quem nos comportamos como hóspedes muito mal-educados. Primeiro pensamento: as emissões de CO₂. Produzir uma árvore artificial provocaria cerca de 20 kg de emissões, estima um estudo da Universidade de Florença, contra pouco mais de meio quilo para uma árvore natural. Depois há o transporte, que geralmente, no caso das artificiais, é muito mais longo (grande parte da produção mundial está na cidade chinesa de Yiwu), o que pode causar a emissão de outros 20 kg. Se a árvore natural for descartada corretamente como material orgânico, sustenta o estudo citado, para compensar a comparação a árvore artificial deveria ser utilizada por muitos anos.

Preocupar-se com as emissões é certamente louvável, mas infelizmente 40 kg de CO₂ é o que, em média, um dos nossos automóveis emite ao longo de uma semana. Em suma, aqui o impacto não é tão grande. Podemos, porém, fazer outra pergunta: se se trata de árvores verdadeiras, quanto as florestas sofrem com isso? Também nesse caso não parece haver muito com que se preocupar, se pensarmos em como as coisas funcionam na Itália ou nos países de onde vem parte do nosso abastecimento. Algumas árvores são obtidas pelo desbaste de florestas muito densas; algumas são as pontas de árvores destinadas à indústria madeireira; outras – a maioria – são cultivadas especificamente em viveiros. Há um controle público que funciona razoavelmente bem e, em certos casos, também existe controle comunitário (os Alpes italianos abrigam exemplos seculares de gestão sustentável do patrimônio florestal por parte das comunidades locais). Além disso, há quem ressalte que isso gera empregos em regiões ameaçadas pelo despovoamento.

Movido pela curiosidade, fui buscar informações sobre outros países.

Um caso particularmente alarmante é o da Guatemala, pátria de uma espécie de abeto especialmente valorizada, a abies guatemalensis, originalmente muito difundida, mas hoje em risco de extinção. A causa é o corte ilegal de exemplares adultos para extração de madeira, mas também de árvores jovens para venda no mercado de árvores de Natal das cidades do país, e até mesmo de galhos, mais fáceis de esconder sob outras mercadorias, com os quais depois são montadas árvores “semi-naturais”.

Não é novidade, infelizmente, que em países de baixa renda e com instituições públicas frágeis preservar os ecossistemas locais seja particularmente difícil, tanto pela insuficiência das ações de combate à ilegalidade quanto pela pobreza, que leva a aproveitar qualquer possível fonte de renda. Isso vale tanto para recursos naturais vendidos quase exclusivamente no mercado interno, como as árvores de Natal guatemaltecas, quanto – e ainda mais – quando entra em jogo uma forte demanda externa, que exerce uma pressão difícil de conter.

Foi o que aconteceu com antigas e valiosas florestas das Filipinas, Indonésia e Malásia, cuja madeira abasteceu com compensado barato o boom da construção no Japão, permitindo – paradoxalmente – ao governo japonês vangloriar-se do bom estado de suas próprias florestas (devo esse exemplo a The Shadows of Consumption, de Peter Dauvergne). O mesmo ocorre hoje com o desmatamento da Amazônia, para abrir espaço a minas ou para obter áreas destinadas ao cultivo de soja para alimentar rebanhos que atendam à crescente demanda mundial por carne.

Em essência, se tentarmos olhar o mundo como um todo – e, do ponto de vista econômico, ele realmente o é –, fica claro que a gestão ambiental se assemelha mais àquela dos países do “sul global” do que à dos países do “norte global”. De fato, o sistema-mundo protege pouco os ecossistemas mais distantes dos centros mundiais de poder político, econômico e financeiro: aqueles de países onde, já no período colonial, foram implantadas instituições de tipo “extrativista”, em detrimento dos recursos locais (cito aqui Acemoglu, Johnson e Robinson, vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2024).

Essa situação é criticável não apenas do ponto de vista da justiça, mas também da visão de longo prazo, porque os desequilíbrios acabam se espalhando por todo o planeta por meio de canais ambientais (mudança do clima, perda de biodiversidade…) ou sociais (migrações, tráfico de drogas…). Para aproximar-se das boas práticas de gestão que preservaram ou melhoraram muitos ecossistemas locais nos países economicamente e politicamente mais avançados, o mundo precisa considerar-se uma única entidade. O tamanho do caminho a percorrer é evidenciado pelos resultados modestos alcançados até agora nas COPs, as Conferências das Nações Unidas sobre Mudança Climática, cuja trigésima edição foi realizada em novembro passado, no Brasil. Sem falar nas guerras, cujas consequências trágicas recaem também sobre as florestas, além de atingir pessoas, casas e infraestruturas (um artigo da Wood Central mencionava 1,7 milhão de hectares de florestas destruídos na Ucrânia nos primeiros três anos do conflito).

Um pequeno sinal de esperança – gostaria de acrescentar ao menos um ao final deste texto – é a troca “dívida por natureza” prestes a ser firmada entre a República do Congo (a que tem como capital Brazzaville, ex-colônia francesa) e um grupo de credores, pela qual estes renunciariam ao reembolso de algumas centenas de milhões de dólares em troca do compromisso do governo de investir na conservação da floresta tropical que se estende ao redor do grande rio que dá nome ao país (e também à vizinha República Democrática do Congo), na esteira de acordo semelhante firmado pelo Gabão em 2023.

Também entre os seres humanos e as árvores há uma paz a ser construída.

Créditos da foto: Foto de elcroos no Pixabay.