A palavra forte da África

A Geneviève Sanze, a tarefa de abordar a questão Desenvolvimento e Pobreza, no âmbito da Assembleia Edc.

do enviado Paolo Lòriga

publicado em cittanuova.it  dia 30/05/2011

110527_Ginetta_Genevieve05_ridNa rica reflexão que já se desenvolveu durante a Assembleia internacional de Economia de Comunhão, chegou também a vez da África, chamada a oferecer uma contribuição peculiar sobre as questões da pobreza e do desenvolvimento. E é significativo o fato de ser uma mulher a falar, Genevieve Sanze, especialista em economia da República Centroafricana.

«A distinção herdada da oposição entre os termos “civilizado” e “não civilizado”  baseou-se num pressuposto do Ocidente como modelo de referência», inicia, indicando logo um dos pecados originais da abordagem cultural ao fenômeno da pobreza. Desde então, a teoria do sub-desenvolvimento cononheceu um grande sucesso e os próprios países sub-desenvolvidos aderiram a tal visão, exigindo portanto, os meios para poderem se desenvolver. 

Como isso aconteceu, nós o sabemos. Mas é instrutiva a leitura que a prof.a. Sanze faz. «Hoje, em 2011, não sabemos dizer se - a partir dessa perspectiva - progredimos ou regredimos. A realidade certamente tem obtido um sucesso menor do que o esperado, e é essencial repensar a ideia de desenvolvimento, utilizando categorias mais sofisticadas e antropologicamente mais complexas daquelas de um desenvolvimento e um subdesenvolvimento medidos principalmente no eixo de recursos econômicos». Os efeitos são evidentes: pilhagem das riquezas, aumento da pobreza, crescimento do desemprego, exploração do ambiente, enquanto continua o domínio dos fortes sobre os fracos.

A professora convida, portanto, a libertar-se das âncoras culturais que até agora foram consideradas indispensáveis na economia e procurar uma nova compreensão dos conceitos de “pobreza" e de  

110527_Ginetta_Sala_rid“desenvolvimento”. A Economia de Comunhão, segundo ela, pode oferecer tanto uma chave inovadora interpretativa, como perspectivas de soluções adequadas às populações do continente africano.

«Não se pode sair da chaga da precariedade somente com o dinheiro ou com a distribuição das riquezas, ou com a construção de bens públicos (desde as escolas às estradas). E menos ainda intensificando as relações comerciais entre o Norte e o Sul do mundo. Certamente tudo isso é necessário, mas não suficiente», afirma, sem excluir ninguém.

Aquilo que é preciso com urgência, afirma, são «relações autênticas e profundas entre pessoas distintas mas semelhantes, cada um diferente e todos iguais», enquanto é tempo de «superar as próprias categorias de “povos pobres” e “povos ricos”  para descobrir que ninguém no mundo é tão pobre que não pode ser um dom para os outros». E afirma com convicção: «é hora de descobir que a pobreza dos outros contém também riquezas, valores que fazem experimentar o quanto os outros são indispensáveis para a nossa felicidade».

Ela olha para os povos, mas toma como paradigma a pessoa. E assim sustenta a peculiaridade da sua abordagem: «é somente quando a pessoa em dificuldade se sentir amada e valorizada, tratada com dignidade, pode encontrar em si mesma a vontade de sair da chaga da precariedade e recolocar-se em caminho».

110527_Ginetta_Sala01_ridDo micro retorna ao macro, ao relacionamento entre os Estados. «É só depois desse primeiro ato de liberdade humana que cada pessoa deve cumprir, que poderão chegar ajudas, fundos, contratos, transações comerciais; todos elementos secundários, ferramentas que contribuem para o desenvolvimento global». Em essência, a professora centroafricana não pede nada menos que uma revolução copernicana. E é justamente aquilo que a EdC está começando a fazer tanto nas escolhas dos empresários que fazem parte dela, quanto no trabalho dos pesquisadores que estão colocando as bases científicas da EdC.

 

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