'Dalla strada’ para o mercado

Do risco de delinquência ao risco de empresa. Protagonistas menores em uma empresa em crescimento, que fabrica bolsas. Eis a sua apresentação na Assembleia EdC em São Paulo.

por Paolo Lòriga

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Não está localizado no sítio de maior passagem dos 650 participantes da Assembleia da Economia de Comunhão, mas é o stand mais visitado durante os intervalos dos trabalhos. Se vendem bolsas para senhoras, jaquetas e peças de vestuário feminino. O sucesso de número de visitantes (mas parece também de compradores) está diante dos olhos de todos.

As linhas de produtos artesanais são uma mistura de qualidade e design moderno, com felizes toques de originalidade, assim como é única a origem das matérias-primas utilizadas: lonas de caminhão em desuso e aparas de couro e de jeans que não teriam servido para mais nada, recuperados por serem ecologicamente compatíveis. Mas este não é a única originalidade desta nova empresa. Na verdade, não é a principal, porque de situações difíceis vêm também os empregados, meninos e meninas em idade mais jovem ou maiores há bem pouco tempo.

A marca de fábrica “Dalla strada” é por isso perfeitamente compreensível tendo em conta  a iniciativa empresarial que em Abril passado abriu a sua sede no Polo empresarial Spartaco, a cinco quilómetros da Mariápolis Ginetta. Um pequeno edifício com dois andares onde se encontram as lindas vitrinas com os produtos e os ambientes de trabalho. Conhecendo as suas origens, parece ser mais uma aposta do que uma realidade produtiva, mas vendo a dezena de meninas e meninos trabalhando e ouvindo as motivações que os movem  entendemos a bondade dos resultados produtivos que dão garantias para o futuro da empresa.

Os jovens trabalhadores vêm maioritariamente de um dos bairros onde a pobreza é evidente – o bairro Jardim Margarida, em Vargem Grande Paulista, a 30 km ao sul de São Paulo. "A nossa é mais que uma empresa. Entre nós nos ajudamos, porque somos uma equipe de trabalho, mas também porque há um ambiente familiar. Começamos cada dia com a palavra de vida retirada do Evangelho e esta nos ajuda a superar as dificuldades". Divani é uma moça de dezoito anos que chegou aqui depois de um ano de formação profissional e um estágio no Nordeste, em Recife, na empresa mãe, localizada no Polo Ginetta e comprometida com os princípios da Economia de Comunhão.

Por trás das duas empresas está a humildade e a determinação de João Bosco Lima de Santana, um empresário que foi para a Itália para se especializar na produção de bolsas e, em seguida, voltou para para montar um negócio lucrativo. Mas dentro dele estava sentia que podia fazer algo maior. Quando era jovem, ele conheceu a espiritualidade dos Focolares, e ficou impressionado com a proposta de Chiara Lubich de: "dar a vida pelo seu povo." 

A vida, depois, o levou por diferentes caminhos. Mas quando ele conheceu o Pe. Renato e sua casa de menores, que acolhe jovens e meninos de rua, se consolidou um seu desejo: "Por à disposição a minha competência e a minha vida para dar aos jovens uma profissão. Educar para o trabalho é uma forma de desenvolvimento e vimos que o amor vivido por uma grande causa é capaz de renovar todas as coisas, ideias e pessoas que vêm da rua".

É com base nessa verificação diária que João Bosco pode afirmar com credibilidade que " aqui na empresa os jovens estão em primeiro lugar, a sua formação, não a produção, embora mantendo o foco na qualidade". Um paradoxo na lógica empresarial, mas que dá frutos. Da Costa do Marfim, veio o pedido para aprender esta atividade produtiva e iniciá-la localmente, enquanto através do Jovens por um Mundo Unido, através da cooperativa Equiverso, começou a exportação de bolsas para a  Itália. Assim pequenas multinacionais EdC estão crescendo.

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29-07-2020

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