Os desafios do desenvolvimento e da pobreza a partir da perspectiva da comunhão

Logo_Brasile_2011_rid2O tema principal da Assembleia Edc sobre Pobreza e desenvolvimento do dia 27 de maio foi confiado a Genevieve Sanze. Publicamos aqui, na íntegra, o texto da sua palestra.

por Geneviève Sanze

110527_Ginetta_Genevieve04Quero começar partindo de uma premissa em torno de uma palavra muito utilizada na África e no mundo inteiro: esta palavra é desenvolvimento. Relacionada a esta palavra, desenvolvimento, falarei de outra palavra-chave : pobreza e, especialmente, de comunhão, a partir da qual analisaremos seja o desenvolvimento que a pobreza.

A palavra «desenvolvimento» e a classificação «desenvolvidos» e «subdesenvolvidos», fez sua entrada na cena geopolítica no final da década de quarenta do século passado. Uma oposição terminológica nova, mas que pareceu natural.

 

 

Sob o impulso inicial dos Estados Unidos, iniciou-se a implementação de programas de ajuda ao desenvolvimento, para tentar desenvolver aqueles que eram considerados como «países atrasados em relação ao Ocidente». Esta ajuda inspirava-se em grande parte na teoria segundo a qual cada sociedade segue etapas bem definidas de desenvolvimento ou (etapas) evolutivas, que lhe permite ir de um estado tradicional ou «subdesenvolvido» ao moderno ou «desenvolvido» (como foi dito). Os países pobres – sempre definidos como tal pelos países ricos - não só dispunham de menor riqueza material, mas eram considerados em atraso significativo nesta escala de evolução.

A distinção herdada da oposição entre «civilizados» e «incivilizados», baseava-se no pressuposto que coloca o Ocidente como modelo de referência. Agrupar países da Ásia, África e América Latina, em uma única categoria de «subdesenvolvidos», negando suas profundas diferenças, evidenciava um provável equívoco da realidade e uma certa indiferença com relação aos valores que não eram ocidentais. Por outro lado, essas teorias do subdesenvolvimento legitimaram por muito tempo um certo descaso de responsabilidade dos países do Norte em relação às dificuldades econômicas e sociais dos países pobres, ignorando ou subestimando abertamente os efeitos da colonização, da pilhagem econômica e outras formas de intercâmbio desigual.

Desta forma, a teoria do subdesenvolvimento alcançou um grande sucesso, e os próprios países subdesenvolvidos aderiram a essa visão, solicitando meios para se desenvolver. Naquela época, o otimismo era grande, e pensava-se que 10 anos seriam suficientes para preencher a lacuna. As Nações Unidas, por outro lado, haviam batizado a década de 60 como «a década do desenvolvimento».
Hoje, em 2011, não sabemos dizer se - a partir dessa perspectiva - progredimos ou regredimos. A realidade certamente tem obtido um sucesso menor do que o esperado, e é essencial repensar a ideia de desenvolvimento, utilizando categorias mais sofisticadas e antropologicamente mais complexas daquelas de um desenvolvimento e um subdesenvolvimento medidos principalmente no eixo de recursos econômicos.

O desenvolvimento como conhecemos na década de 50, reduzido ao progresso tecnológico e ao acúmulo de riqueza material, precisava do mito da produção de mercadorias cada vez maior, e da ideologia do consumismo para absorver estes produtos e alimentar o circuito do desenvolvimento econômico.

Naquela definição de desenvolvimento não vinham consideradas nem desigualdades na distribuição da riqueza, nem as condições de vida das populações, e muito menos a destruição do meio ambiente.

A partir dos anos 60 os problemas derivados desta ideia de « desenvolvimento » emergiram de forma clara: o aumento da pobreza, do desemprego, destruição ambiental, poluição... e começaram a falar de «não desenvolvimento» seja no Norte que no Sul. Atualmente, muitos estão começando a dizer que ao invés de falar sobre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, é preciso reconhecer que nós criamos um modelo capitalista que se desenvolveu mal em todos os lugares, porque não se baseia na reciprocidade e na fraternidade entre os povos, mas fundamenta-se essencialmente sobre a pilhagem de riquezas, a exploração excessiva dos recursos, o domínio dos poderosos sobre os fracos, e não certamente na comunhão.

Nas últimas décadas algo começa a mudar, graças ao trabalho teórico de economistas, como A. Sen e filósofos como M. Nussbuam. Hoje sabemos que o desenvolvimento é medido não tanto pelos bens e os rendimentos, mas pelo critério dos direitos, saúde, educação, recursos e, sobretudo, liberdade. Ao mesmo tempo, aprendemos também que a renda é importante porque, especialmente quando deriva do trabalho (e não tanto, ou apenas do financiamento externo e dos subsídios), é um meio e um instrumento de liberdade. Mas, sem outras condições básicas - principalmente de tipo político e social - falar em termos de rendimento e limiar de pobreza pode expressar pouco, muito pouco e mal, o que significa desenvolvimento.

Acreditamos que a prática e o pensamento que se desenvolvem em torno da EdC, mesmo as recentes conferências e as escolas que temos feito, em Nairobi, podem oferecer novos caminhos para a compreensão do desenvolvimento, da pobreza, da riqueza, da reciprocidade.

1. As principais características da pobreza na África Sub-sahariana

Entretanto, agora me deterei a falar-lhes sobre a experiência da África, que é aquela que conheço melhor!
E começo dizendo algo sobre o que assistimos muitas vezes na assim chamada sociedade tradicional dos nossos países Africanos.
«Se você é uma mulher, que vive na zona rural e tem um filho pequeno. Ele fica doente e começa a tossir muito. E você se prepara para levá-lo no dia seguinte ao dispensário (de medicamentos) ou ao ambulatório mais próximo, que fica a uma distância de aproximadamente 15 km. Amanhece e você coloca o bebê nas costas e caminha cerca de três horas até o dispensário. Encontra-se em uma fila de mais ou menso 200 pessoas, no sol sem qualquer abrigo. Depois de muita paciência finalmente chega a sua vez. Sem um pingo de paciência o enfermeiro escuta você descrever a doença de seu filho, e sem se preocupar em fazer o mínimo para examiná-lo (e provavelmente não tem os meios para isso), escreve rápido uma receita em um pedaço de papel dizendo-lhe para apresentar ao pessoal que distribui os medicamentos. É um xarope, mas você não tem condições de saber, porque provavelmente é analfabeta. O encarregado derrama uma colher de xarope e dá de beber à criança. É claro que não é possível dar-lhe o vidro inteiro para que você possa continuar o tratamento em casa, pela simples razão de que não haveria remédio para todos os outros e, portanto, ele diz para você voltar no dia seguinte para a próxima colherada. Você volta para casa sofrendo: coloca o bebê na cama e se preocupa em preparar as refeições e cuidar do resto da família. No dia seguinte deve refazer a mesma rota, sob o mesmo sol, para ficar na mesma fila e receber a mesma pequena colherada.

Depois de três dias o estado de saúde da criança piorou, pelo sol somado à fadiga da viagem. Desanimada por causa destas viagens tão cansativas, que a impedem de cuidar de seus afazeres, e sem poder curar a criança, você acaba pensando que não vale a pena continuar a fazê-lo por uma colher de xarope e então dirige-se ao curandeiro local. Nisso, a clínica terá ganho, porque a colher de xarope que não você deixou de utilizar terá servido para outra pessoa. Apenas isso».

Para nós, africanos, falar sobre a pobreza não é absolutamente necessário, porque a encontramos lado a lado todos os dias, convivemos com ela, não precisamos de teorias para compreendê-la.

A pobreza – como nós a vivemos na África - é multidimensional.
É uma privação profunda de bens materiais e culturais que impedem o desenvolvimento normal do indivíduo, a ponto de comprometer a integridade de sua pessoa. Ser pobre é não ser capaz de prover seus próprios recursos financeiros ou bens; não poder satisfazer suas necessidades biológicas e as de sua família; viver em um estado perpétuo de marginalidade e insegurança vital, que tende a se tornar hereditária; sentir fome, não ter educação, não ter recursos para se tratar, viver em habitações rudimentares, trabalhar em condições desumanas...

Portanto, encontram-se em estado de pobreza (em sentido geral), indivíduos ou famílias cuja renda familiar e outros recursos, condições de vida e propriedade, de emprego e trabalho, estão nitidamente abaixo do nível médio da sociedade em que vivem.

«Os pobres acumulam desvantagens: as de idade, do sexo, número de filhos, cor da pele, doença, a estrutura familiar frágil... desvantagens desde o nascimento. Já no início da vida a pobreza estabelece uma barreira intransponível: carência alimentar, saúde frágil ou enfraquecida hereditária ou herdada, espetáculo precoce de miséria e sujeira, vida familiar instável, multíplices feridas afetivas durante a infância, ausência de modelos úteis para o desenvolvimento intelectual, complexo de inferioridade que a colocará por toda a sua vida em um estado de subordinação, humilhação e de consentimento da injustiça, uma vez que sofre a vergonha de ter nascido.»

Esta é a realidade que enfrentamos todos os dias. Desta situação em que nos detivemos, nascem vários desafios, incluindo:

- A dimensão sócio cultural: a cultura é uma das principais dimensões do desenvolvimento. Para ser sustentável, o desenvolvimento deve ser auto centrado e autossustentável, ou seja, fundado sobre os valores endógenos que lhe deem sentido. Por exemplo, o tradicional sistema de segurança social na África, bem como a ajuda mútua tradicional, anuidades / mútuo ou “les tontines” como se diz na África, e as cadernetas de poupança e ou sistemas de crédito, constituem formas de solidariedade particularmente adequadas ao contexto da pobreza e deveriam ser consideradas em prol do desenvolvimento.

- As condições sócio culturais impostas à mulher. De fato, algumas atitudes tradicionais em relação às mulheres e meninas dificultam sua promoção, educação e plena participação, digna e eficaz ao esforço de desenvolvimento.

- A educação por parte da família e da comunidade prioriza, em geral, a transmissão de valores e normas de comportamento funcional como uma idêntica replicação social, e coloca pouca ênfase no valor da iniciativa pessoal, da inovação e dos aspectos que contribuem para uma gestão racional e eficaz;

- Percepção fatalista da pobreza generalizada.

- As catástrofes naturais, sejam as inundações ou a seca, assim como os conflitos armados, mantém a pobreza, especialmente na África. A maioria dos conflitos tem caráter político ou econômico, mesmo se muitas vezes desenvolve-se ao longo das linhas de demarcação étnica das populações, por razões muito complexas. Os enormes custos militares que isso implica privam consequentemente os programas de desenvolvimento de recursos substanciais.

- Um mau governo: ou má administração governamental (em geral). Independentemente das razões, na África não trabalhamos o suficiente ou o quanto deveríamos, para resolver nós mesmos os problemas mais simples de nossa sobrevivência diária, sem dar a ideia de ter erigido a mendicância internacional com o intuito de salvação.

- A produção de riqueza para combater seriamente a disseminação da carestia e da desnutrição, cujas consequências negativas são óbvias para as capacidades físicas e intelectuais da população, ainda não são suficientes para combater eficazmente doenças como malária, AIDS e outras doenças endêmicas herdadas há longo tempo e cuja persistência ou agravamento resulta na deterioração contínua das condições de vida das massas populares.

- O fracasso do estado impositivo: certamente é possível conectar o desgoverno àquilo que começa a ser genericamente reconhecido como a principal desvantagem das sociedades africanas pós-independência, a saber: a inadequação estrutural e funcional do Estado e de suas instituições herdadas.

- “A política de barriga” na qual são especializados nossos países...

- Uma das principais deficiências do continente africano é o enorme déficit de criatividade intelectual, o fato de produzirmos extremamente poucas ideias e valores culturais a partir de nós.

Qual a contribuição da Economia de Comunhão para a compreensão desta situação?

2. Qual é o significado do desenvolvimento e da pobreza na EdC?

A Economia de Comunhão tem como principal objetivo criar uma comunidade na qual “não existam indigentes.” Por esta razão, o auxílio aos pobres é uma questão chave para EdC.

Quem são esses irmãos considerados pobres da EdC? Chiara nos responde: são sorridentes, dignos, orgulhosos por serem filhos de Deus e desta Obra. Eles não estão na miséria total, mas precisam de algumas coisas. Por exemplo, precisam ser aliviados dos pesos que os oprimem dia e noite. Eles precisam ter certeza de que haverá comida para eles e seus filhos; que a sua casa, às vezes um casebre pobre, um dia será melhor; que seus filhos poderão estudar; que também eles poderão ser curados inclusive de doenças que requerem tratamentos onerosos; que o pai de família vai arranjar um emprego...Estes são os nossos irmãos que estão em necessidade e que, não raramente, (eles mesmos) ajudam os outros.
São Jesus, sob um certo ponto de vista, um Jesus que pede o nosso amor e que um dia dirá: “Eu estava com fome, estava nu, eu estava sem-teto” ou “minha casa estava desmoronando...e você...”

A EdC não é primariamente uma fórmula organizacional para uma empresa mais ética ou socialmente mais responsável, é um projeto para um humanismo mais justo e fraterno, em prol de uma relação de justiça entre Norte e Sul, de comunhão entre as pessoas e os irmãos.

Há algumas palavras que expressam um mal absoluto: a mentira, o crime, o racismo. A pobreza, entretanto, não está nestes termos. Nem todas as pobrezas são desumanas: a pobreza é um flagelo, mas também uma bênção, se for escolhida por amor aos outros.

Esta pobreza vem da certeza de que tudo o que sou me foi dado como um presente, e portanto, como tal, tudo que eu tenho deve ser doado. É a raiz da dinâmica da reciprocidade, da comunhão. A liberdade e a alegria que vem de uma profunda comunhão não podem ser entendidas e nem tem durabilidade se não se tornarem experiências, estilos de vida, cultura da partilha e da comunhão.

A EdC, propõe dois elementos: a reciprocidade e a comunhão como fundamentos para sair do flagelo da precariedade. É esta cultura que a EdC exalta: a lógica da comunhão, não a bondade de alguns para com os outros, mas a reciprocidade que a comunhão traz consigo, e que constitui seu típico caráter. Porque realmente é possível escapar das armadilhas da privação se você tem a luz para começar a amar, e se fizer do amor recíproco, do relacionamento, da fraternidade seu objetivo específico.

Os pobres - como aparecem no projeto EdC - não são uma massa indistinta de pessoas carentes que ajudamos para aplacar a nossa consciência. Mesmo se por um período, pertencem à comunhão mundial que nós experimentamos, e não tem outra alternativa senão a de partilhar as suas necessidades em plena dignidade, sabendo que dar e receber é sempre amor, não só para o destinatário, mas também para o doador.

Antes do “dar”, na EdC, a primeira atenção está na partilha de vida, na comunhão e na reciprocidade, em uma relação essencialmente gratuita.
É o relacionamento de fraternidade que cura situações de miséria. As pessoas alcançadas pelo projeto, não são pobres anônimos com exigências e necessidades de caráter geral, mas pessoas vivas, incluídas em uma comunidade onde já experimentam uma comunhão vital.

3. Qual é a cultura que nos permite experimentar a comunhão, a reciprocidade?

A “cultura da partilha”

“Não se trata somente de privar-se de algo para dar. Com estas palavras queremos mostrar a nossa típica cultura: a cultura do amor.
Falar sobre “cultura do amor”, significa falar de amor evangélico, que é um amor profundo e exigente e nos leva a dar. Dar o que temos a mais, e às vezes o necessário, se o coração sugerir. Dar a quem precisa, sabendo que é um investimento que traz frutos com uma elevada taxa de juros, porque o nosso “doar” abre as mãos de Deus, cuja providência nos preenche com uma extensão imensurável, para que ainda possamos dar em abundância, receber e voltar a aliviar as muitas necessidades de uma multidão de pobres.”

A causa da economia de comunhão exige não só o amor pelos pobres, mas também para com todos os homens. A espiritualidade da unidade que a inspira supõe um amor que se dirige a todos: “Doemos incessantemente: um sorriso, a nossa compreensão, o perdão, a nossa escuta atenta. Doemos a nossa inteligência, nossa vontade, a nossa disponibilidade, doemos as nossas experiências, as habilidades”.

“A cultura da partilha, da doação é a cultura do Evangelho, é no Evangelho que entendemos que é preciso dar. “Dai - está escrito - e vos será dado: uma medida generosa, sacudida, transbordante será colocada em seu colo” (Lc 6:38).

São Basílio diz: “o pão que você deixa de lado pertence ao faminto. O casaco que você conserva em seu armário pertence ao homem nu, o dinheiro que você esconde pertence ao indigente. Você comete tantas injustiças quantas forem as pessoas a quem poderia dar o que você tem."

E São Tomás de Aquino: “Quando os ricos usam a seu prazer o supérfluo necessário para a sobrevivência dos pobres, eles os roubam.”

E Chiara nos lembra: “Um pouco de caridade, alguma obra de misericórdia, o supérfluo não é suficiente para realizar o nosso objetivo: são necessárias empresas inteiras, e empresários que compartilhem livremente os seus lucros.”

Refletindo sobre a relação entre bens e felicidade, Luigino Bruni ressaltou que “os bens se tornam “bens maiores” quando são colocados em comunhão; enquanto o bem não compartilhado torna-se um mal. O bem retido, como possessão ciumenta, na verdade empobrece o seu proprietário, porque tira dele a capacidade de dádiva e reciprocidade, que é o verdadeiro patrimônio que leva à felicidade.”

Então eu me coloco a seguinte pergunta: nesta sala, nós somos pobres? Quem são os pobres aqui entre nós? E quem são os ricos? Ou ainda: nós temos algo para dar? Estamos prontos para sair de nós mesmos e, dirigindo-nos ao nosso vizinho, oferecer-lhe a riqueza que somos? A riqueza que nós temos? Mesmo que esta riqueza fosse somente um sorriso a ser doado, a partilha da própria vida, a reciprocidade, a comunhão? O que é então realmente ser pobres? E ser ricos? E o que significa a fraternidade e a unidade entre os povos, entre as pessoas? Entre nós aqui? Eu acho que se nós levarmos a sério o carisma da unidade muitas coisas começam a mudar: percebemos que a riqueza e a pobreza são principalmente uma questão de relacionamentos, e que, em qualquer caso, a riqueza torna-se vida boa e feliz quando compartilhada com outras pessoas.

Para chegar a tal revolução, precisamos de homens e mulheres com uma profunda vida interior e animados por uma grande fé, por valores fundamentais. E esta é também a missão da EdC.

Com estes valores, o evangelho pode penetrar realmente em todas as dimensões da economia e do trabalho, da política, do direito, da saúde, da educação, da arte... e transformar tudo mediante uma economia renovada que coloca o homem ao centro e destina uma parte significativa dos lucros para os menos favorecidos; e uma política renovada na qual cada ator político coloca o amor pelo outro à base de sua vida.

Concluindo, coloquemo-nos a última pergunta: como a EdC considera a pobreza e o desenvolvimento? Que mensagem importante nos oferece?
Não é possível sair do flagelo da privação somente com dinheiro, por mais abundante que este seja, nem somente com a redistribuição das riquezas ou a construção de bens públicos (escolas, estradas, poços, etc. ...), nem reforçando as relações comerciais entre o Norte e Sul do mundo.

Claro que tudo isto é necessário, mas não suficiente. O mundo verá florescer a fraternidade e a comunhão quando formos capazes de construir verdadeiras e profundas relações humanas entre pessoas que são diferentes, mas iguais, todos diferentes e todos iguais; quando forem superadas as próprias categorias de ‘povos pobres’ e ‘povos ricos’ e descobrirmos, através de experiências práticas, como estas da EdC, que ninguém no mundo é pobre ao ponto de não poder ser um dom, um presente para mim. Quando pudermos ver e descobrir que a pobreza dos outros contém também riquezas, valores, que nos fazem experimentar que o outro é indispensável para nossa felicidade.

Uma pessoa em dificuldades pode reencontrar em si mesma a vontade de sair da chaga da precariedade e da insegurança e recolocar-se em caminho, somente quando se sentir amada e valorizada, tratada com dignidade, porque reconhecida em seu próprio imenso valor de pessoa. É só depois desse primeiro ato de liberdade humana que cada pessoa deve cumprir, que poderão chegar ajudas, fundos, contratos, transações comerciais; todos elementos secundários, ferramentas que contribuem para o desenvolvimento global da pessoa.

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