Que tipo de antropologia serve para uma Economia de Comunhão?

Logo_Brasile_2011_rid2No seu tema na Assembleia Edc de 26 de maio Vera Araujo nos propõe uma análise antropológica da Edc. Aqui esta, na íntegra, o texto da sua palestra .

por Vera Araújo

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Toda celebração deve indicar as motivações mais profundas para a sua “memória”.Celebrar para nós, hoje, não significa festejar com solenidade ou exaltar com um rito um evento que se verificou há vinte anos. Ao invés, significa rememorar, no sentido de reapresentar as razões íntimas que deram vida a tal evento. Significa sobretudo refletir sobre o nosso empenho e envolvimento em relação a esse evento, com o olhar no hoje e também no futuro.

Todos nós, aqui presentes, sabemos o que é a Economia de Comunhão nos seus traços característicos, nos seus objetivos específicos, na metodologia própria. Conhecemos também o seu desenvolvimento no tempo e a sua expansão no mundo. Participamos dos seus momentos de alegria e das passagens difíceis. Tudo já se tornou um patrimônio a ser preservado, de onde extrair as indicações e sugestões para ir em frente..

É cada vez mais evidente que a nossa função não é nada simples nem fácil, ainda que cresça o seu fascínio. Não é mesmo tarefa para amadores, mas (como Chiara disse, lançando este projeto), demanda pessoas preparadas e convictas.

A tarefa da EdC é aprofundar continuamente os vários elementos do projeto e  elaborá-los cientificamente, com o objetivo de oferecer a todos os envolvidos um  suporte e uma ajuda válida e eficaz.

Eu sempre pensei que a Economia de Comunhão exige uma visão antropológica nova, com suas consequências práticas, ou melhor, podemos nos perguntar: “Que tipo de antropologia serve para uma economia de comunhão”? Ou: “que tipo de homem é capaz de conjugar economia e comunhão”?
Cada ser humano é chamado a viver a comunhão em cada aspecto da própria existência. Damo-nos conta de que isso pode parecer uma utopia numa sociedade como a atual, marcada pela crise dos relacionamentos pessoais, com assustadores efeitos no âmbito social, econômico, institucional e também internacional.

Todavia, para abordar a economia num sentido pleno, é preciso, primeiro, recuperar o papel e a centralidade da pessoa, que sumiu da cultura moderna nas engrenagens dos vários sistemas ou pela afirmação absoluta da própria individualidade e identidade.

Voltar a propor a centralidade da pessoa é purificá-la e libertá-la de velhos e superados esquemas ideológicos e inseri-la como base das ciências histórico-sociais, visando aprofundar o seu verdadeiro significado hoje, numa modernidade fragmentária e liquefeita.

Dizer pessoa, significa falar de relacionamentos, de comunhão, porque a pessoa é a  fonte da comunhão. Pessoa significa ao mesmo tempo identidade e socialidade. Identidade, que define a pessoa como ser único, irrepetível, insubstituível e insuprimível. A socialidade está presente no seu DNA, como constitutiva do seu ser, já presente inteiramente em cada pessoa e que desabrocha plenamente no encontro com o outro, como momento essencial.
Daí resulta que, viver em comunhão, não é optativo, mas é uma exigência profunda de cada ser, sem ela estaríamos sempre insatisfeitos, em busca, incompletos.

O verdadeiro problema, portanto, é compreender como viver a comunhão numa sociedade que parece ser feita sob medida para viver a individualidade.
Esse problema é superado com a criatividade típica do ser humano, que é capaz de transformar com a sua vontade e com a sua inteligência o negativo em positivo ou vice-versa. Assim o pluralismo étnico ao invés de ser uma barreira, torna-se uma chance de enriquecimento (o estrangeiro, o diferente que encontro pela rua, no trabalho é uma pessoa com quem posso e devo construir relacionamentos de comunhão); o pluralismo religioso pode passar do sectarismo ao diálogo aberto, ocasião única para respeitar as ideias mas também para buscar juntos a verdade; o pluralismo político da discussão sobre cada ação ou decisão política pode vir a ser um momento privilegiado para descobrir juntos o bem, não de alguns, mas de todos (da cidade, da nação, do mundo); as desigualdades econômicas, a pobreza material, mas também moral podem suscitar um momento de resgate, de partilha.

Os relacionamentos, que se criam entre todos, podem ser imbuídos de uma verdadeira comunhão, que impele a uma união profunda, a uma viva unidade, que tende a se realizar na fusão das almas, na convergência dos objetivos, no cumprimento e no aperfeiçoamento de uma processo de unificação.

A comunhão pode ter intensidades diferentes, mas deve ser sempre autêntica e não formal. A comunhão com os familiares ou com os amigos não é a mesma que construo com os vizinhos de casa ou com a caixeira do supermercado, mas ambos devem ser com pessoas e não com funções ou, pior, com objetos.

Tendo dito essas simples palavras, é claro que a comunhão surge lá onde as pessoas estabelecem relacionamentos verdadeiros, plenos de sentido, significativos, plasmados de verdadeiro amor,  fruto do empenho constante de doação ao outro, quem quer que seja, no esforço de superar o próprio individualismo egocêntrico e fechado, para chegar à alteridade aberta e recíproca.

Para os cristãos a nascente dessa comunhão entre pessoas é a própria Trindade, modelo de unidade, reflexo da vida íntima de Deus, Uno em Três Pessoas. É este o ensinamento da Igreja como podemos ler na encíclica de João Paulo II  Sollicitudo rei socialis: «E então, a consciência da paternidade comum de Deus, da fraternidade de todos os homens em Cristo, «filhos no Filho», e da presença e da ação vivificante do Espírito Santo conferirá ao nosso olhar para o mundo como que um novo critério para o interpretar. Por cima dos vínculos humanos e naturais, já tão fortes e estreitos, delineia-se, à luz da fé, um novo modelo de unidade do gênero humano, no qual deve inspirar-se em última instância a solidariedade. Este supremo modelo de unidade, reflexo da vida íntima de Deus, uno em três Pessoas, é o que nós cristãos designamos com a palavra “comunhão”»(40).

Este modelo de comunhão trinitária não é abstrato ou distante, mas deseja ser realizado na terra entre os homens. Escreve Chiara Lubich: «É a vida da Santíssima Trindade que devemos procurar imitar, amando-nos reciprocamente, com amor derramado pelo Espírito nos nossos corações, como o Pai e o Filho se amam […]. Desde o início do Movimento (dos Focolares) nos fulguraram as palavras de Jesus na oração pela unidade: “Como Tu, Padre, estás em mim e eu em ti, também eles sejam em nós uma coisa só” (Jo 17, 2-21). E compreendemos que devíamos nos amar até consumarmo-nos em um e reencontrar no uno a distinção. Como Deus que, sendo Amor, é Uno e Trino» (“Lectio” por ocasião da entrega do doutorado em honoris causa em teologia pela Universidade de Trnava [Eslováquia], 23.06.2003, Castel Gandolfo [Roma], editora Nové Mesto, Bratislava, p. 36).

Para chegar a este alto grau de convivência humana é necessário dar uma atenção especial aos nossos relacionamentos, desenvolver as nossas capacidades relacionais, compreender profundamente a essência dos relacionamentos humanos para poder atuá-los na vida quotidiana e inseri-los nos nossos projetos sociais. Vamos analisar e indagar sobre este realidade tão central para a nossa existência.

Uma cultura da relação é urgente, pois é uma verdadeira revolução capaz de enfrentar os desafios do nosso tempo. Ou seja, se sente a necessidade de se ter uma formação para o conhecimento e a aplicação desses valores e criar com eles relacionamentos significativos.

Posso até parecer anacrônica, mas indicaria o amor como um desses elementos fundamentais. Consola-me saber que não faço um discurso “religioso” ou não só religioso. Estou em boa companhia ao indicar o amor como elemento preferencial e fundamental no relacionamento.

O grande sociólogo russo Sorokin, ao introduzir uma sua obra da maturidade, assim  confessa: «Diante de tudo o que acontecer no futuro sei que aprendi três coisas que ficarão para sempre gravadas com convicção no meu coração e na minha mente. A vida, inclusive a vida mais dura, é o bem mais precioso, belo, maravilhoso e milagroso do mundo. O cumprimento do próprio dever é outra coisa estupenda, que faz a nossa vida ser feliz e esta é a minha segunda convicção. A terceira é que a crueldade, o ódio, a violência e a injustiça jamais poderão suscitar um renascimento psicológico, moral ou material. O único caminho para alcançá-lo é o nobre caminho do amor criativo e generoso, não só anunciado mas também coerentemente vivido» .
Para ele, as formas de relacionamentos humanos são três:

* compulsory (compulsório);
* contractual (contratual)
* love relationship (de amor).

Quero chamar em causa também o sociólogo polonês Bauman, que afirma: «O amor consiste em acrescentar algo ao mundo, e todo acréscimo é o sinal vivo do próprio eu que ama; no amor, o nosso eu pouco a pouco é transplantado no mundo. O eu amante, se expande por meio da própria doação ao objeto amado. O amor consiste na sobrevivência do eu por meio da alteridade do eu» .

Para nós, cristãos, o amore é ágape, o amor que é a essência de Deus, doada a nós no Espírito Santo («porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do  Espírito Santo que nos foi dado» [Rm 5, 5]). É com este amor que nós podemos e devemos nutrir os nossos relacionamentos para chegar à comunhão. Conhecemos bem esta arte de amar que Chiara, com o seu carisma, nos ensinou com as palavras e com o seu testemunho de vida, extraída da fonte da Palavra de Deus, do Evangelho de Jesus.

Vamos ver rapidamente os pontos fundamentais da arte de amar:
-  amar a todos
O amor verdadeiro é universal, não é parcial, não exclui segundo as opiniões, categorias de qualquer tipo, sexo, etnia, cor da pele, condição social, cidadania, religião e qualquer outra diferença. Todos, mas todos mesmo, devem ser incluído no circuito do amor.

-  ser os primeiros a amar
Tomar a iniciativa no amor significa violar barreiras, superar obstáculos, forçar os recintos, ultrapassar os muros para acender uma chama, uma luz; significa ainda, superar um certo “pudor” para se armar de coragem e … começar com entusiasmo. Começar é uma atitude chave: quer dizer quebrar o gelo, encontrar as palavras ou uma frase espirituosa que ajuda e consente o movimento, o processo, a ação.
Numa página de Diário de 1971, Chiara escreveu: «“Amar a todos” e “ser os primeiros a amar”, isso injeta nas nossas almas uma tal dinâmica que não nos deixa adormecer: então – diriam os Gen: ‘pelo dom da ciência’ – assim como os astros existem enquanto se movem, nós existimos enquanto amamos. Estas duas frases são tão poderosas que seriam suficientes para dar máxima velocidade à nossa vida interior com todas as consequência que podemos imaginar”».

- Fazer-se um
Duas palavras que encerram séculos de sabedoria e que são não só úteis, mas muitas vezes determinantes na nossa vida de relacionamentos.
Fazer-se um encerra um impulso a buscar o outro – seja ele quem for – lá onde se encontra e na situação em que se encontra, sem preconceitos e sem pretensões da nossa parte. E, como consequência, assumir as alegrias e os pesos do outro e assumi-los, seguindo o ensinamento de Paulo: «alegrar-se com quem se alegra, chorar com quem chora, tenham os mesmos sentimentos uns para com os outros» (cf Rm 12, 14-15).

- Amar o inimigo
Aqui não se trata de sabedoria antiga. Trata-se de uma novidade, daquela novidade trazida por Jesus.
A mensagem evangélica, que nos é proposta, nos convida a superar e anular a categoria do inimigo, assim como o Pai celeste manda o seu sol e faz chover sobre bons e sobre os maus. «Amai os vossos inimigos, fazei o bem a quem vos faz o mal» (Lc 6, 27). Palavras simples e claras que decretam uma mudança radical de mentalidade e de avaliação, e sobretudo contêm uma indicação precisa para inaugurar um tipo de convivência humana que, para a solução dos contrastes, exclui dos conflitos e das simples contraposições, o uso da força, a vingança e a falsidade, o instrumento da guerra, o abuso do poder, a exploração e a opressão.
Amar o inimigo, hoje, no nosso tempo é um convite insistente para um desarmamento global e total, para desarmar, em primeiro lugar, os corações, a inteligência e refere-se também às armas. Não com a intenção de cair e apoiar a anarquia, o caos, a desordem, mas para inventar, com uma criatividade alimentada pelo amor, os instrumentos, as formas e os modos mais adequados e coerentes com a dignidade dos indivíduos, das comunidades e dos povos; para atuar uma justiça – hoje muito fugitiva – que não se inspira na lei do talião, mas oferece espaços e métodos para o perdão, a misericórdia, a possibilidade real de reabilitar-se.
O inimigo não é só o terrorista, o violento, o opressor, mas é simplesmente todo aquele que me faz sofrer ou não me ajuda. É aquele que não me cumprimenta, que espalha mentiras sobre mim, que me impede de subir na carreira.

Acho um dever fazer penetrar esta mensagem e este ensinamento no cerne da vida  quotidiana, nas nossa ocupações profissionais, nas nossa participação ativa da vida social e política, nas nossas famílias, comunidades sociais e cidadãs, nas nossas nações e na nossa comunidade global.
O amor-ágape vai se colorindo, ou melhor, vai assumindo em seu seio e na sua manifestação externa todas as virtudes civis, todos os valores, que caracterizam uma sociedade realmente humana com dimensões culturais e espirituais.

Podemos ver um crescimento no amor, crescimento quantitativo, mas também qualitativo. O primeiro tende a se tornar um habitus, ou seja, uma atitude cada vez mais constante, estável, forte e menos precária, variável, rara. O crescimento qualitativo do amor-ágape se refere a uma série de conteúdos ligados ao valor, que pouco a pouco somos capazes de adotar de modo durável. Vamos tentar enumerar alguns.

Um grau mínimo, indispensável, dos relacionamentos sociais vividos no amor, é a  tolerância. Tolerância significa que, no relacionamento, o outro pode ser o que é, pode exprimir o que é, e eu posso me manter numa atitude de quase indiferença. Já é algo  positivo, mas é insuficiente. A tolerância pode impedir o contraste aberto, a discussão dura ou até mesmo o conflito, mas não é capaz de criar relacionamentos construtivos.

Outro valor importante é o respeito. Significa algo mais que a tolerância. O respeito reconhece o valor e a identidade do outro como alguém que me fala e me comunica algo de si. Não é possível uma convivência social verdadeira sem o respeito pela dignidade alheia.

Richard Sennett, sociólogo americano, recentemente publicou um ensaio significativamente intitulado: “Respeito – a dignidade humana num mundo desigual”. Ele, comentando o sistema do bem-estar no seu país, afirma que ele não tutela as pessoas na sua dignidade, porque, ao oferecer os serviço sociais, não o faz com o devido respeito.

Outra atitude cada vez mais necessária nos nossos relacionamentos é o dom. Numa sociedade como a atual, caracterizada profundamente pela cultura do ter, onde o dinheiro é capaz de transformar em mercadoria as mais variadas dimensões da vida, o dom emerge como elemento de libertação e de liberdade. Está em andamento uma verdadeira redescoberta da dádiva. Só duas citações: «A dádiva contém uma inerradicável peculiaridade social e de relação; nela estão presentes expressões e consequências concretas, independentemente das orientações internas ou interiores – por exemplo, fazer caridade, ser filantrópicos ou ‘interessados’ – de quem a pratica» .

O grande sociólogo Simmel afirma que se estabelece uma interação entre doar e  aceitar a dádiva: «a cada gesto de doação, para além do seu valor intrínseco, exprime um valor espiritual e por isso não podemos desfazer ou anular com outra dádiva exteriormente equivalente, o vínculo interior que se criou com a aceitação da dádiva. A aceitação da dádiva não é só um enriquecimento passivo, mas é também uma concessão do doador. Tal como na dádiva, também no aceitá-la se evidencia uma predileção, que supera muito o valor intrínseco no objeto» .

Podemos dizer que o ser humano é um doador, capaz de doar-se e de doar. Esta capacidade é ínsita na sua natureza.

Para quem crê, é fruto do seu ser “imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1, 26), o primeiro doador generoso. Para quem não crê, é fruto da sua natureza relacional, capaz de abrir-se ao outro na dádiva. Para ambos, a dádiva e a doação de si são uma categoria existencial que deve ser inserida em todos os níveis da vida de relação, privadas e públicas, para construir uma sociedade sadia e civil.

Mas é preciso prestar atenção. A verdadeira dádiva e a dádiva verdadeira tem características próprias: é gratuita («Gratuitamente receberam, gratuitamente doem» (Mt 10, 8), altruísta (e não egoísta), desinteressada (e não utilitarista), alegre («Cada um dê segundo o que decidiu no seu coração, não com tristeza e por força, porque Deus ama a quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7), abundante, generosa (e não calculada), simples e sincera («que dá, o faça com simplicidade…» (Rm12,8).

Também Chiara sempre nos impeliu a viver a cultura da partilha. Dois trechos breves:

«Devemos dar sempre: um sorriso, um ato de compreensão, um perdão, um momento de atenção. Devemos dar a nossa inteligência, a nossa vontade, a nossa disponibilidade. Dar o nosso tempo, os nossos talentos, as nossas ideias (…). Dar as nossas experiências, as capacidades, os nossos bens (…) para que nada se acumule e tudo circule. Dar: seja esta uma palavra que não nos dê tréguas» (C.Lubich, Santos juntos, 23.04.82).

«Tal como a planta criada por Deus absorve do terreno somente a água necessária, também nos esforcemo-nos por possuir apenas aquilo que precisamos. E melhor que de vez em quando nos falte qualquer coisa. É melhor ser um bocadinho mais pobres do que um bocadinho mais ricos» (C.Lubich, Em caminho com o Ressuscitado, 04.04.85).

A solidariedade também é um ponto de coesão na vida relacional. Solidariedade significa atenção ao outro que passa necessidades e com quem nos identificamos, partilhando preocupações, pesares, sofrimentos, angústias, necessidades espirituais e materiais. A solidariedade envolve as forças vivas da sociedade que, organizadas, por exemplo, no  “voluntariado ativo”, procuram resolver as mais variadas necessidades em que qualquer pessoa se encontre. A solidariedade não é só questão de se empenhar em fazer algo; é virtude que nasce da convicção de que o outro não só deve ser ajudado, mas deve voltar para o âmbito da sua participação ativa; é virtude que nasce do coração, um coração que é capaz de sentir e de se comover diante do sofrimento do irmão e que se torna determinação firme e perseverante de se empenhar para o bem de todos e de cada um, pois cada um se sente e, realmente é, responsável de todos.

Tolerância, respeito, dom, solidariedade. São algumas das expressões do amor ágape. Cada um de nós pode acrescentar outras, já experimentadas em sua vida. Este programa por um “homem novo” é exigente, certamente, mas é portador de alegria, de satisfação, de serenidade interior, de paz profunda, de realização humana.

A pergunta que pode surgir é esta: somos capazes de tanto? Somos capazes de  enfrentar o preço, os inevitáveis sofrimentos que esse comportamento comporta? Vale a pena? Existe esperança para o nosso horizonte de vida?

Bento XVI dedicou uma sua carta encíclica à esperança, a Spe Salvi. Com vocês, gostaria de segui-lo na sua reflexão tão profunda e convincente.
«Sofrer com o outro, pelos outros; sofrer (...) por causa do amor e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente: estes são elementos fundamentais de humanidade, o seu abandono destruiria o próprio homem. Entretanto levanta-se uma vez mais a questão: somos capazes disto? O outro é suficientemente importante, para que por ele eu me torne uma pessoa que sofre? Para mim, a verdade é tão importante que compensa o sofrimento? A promessa do amor é assim tão grande que justifique o dom de mim mesmo? Na história da humanidade, cabe à fé cristã precisamente o mérito de ter suscitado no homem, de maneira nova e a uma nova profundidade, a capacidade dos referidos modos de sofrer que são decisivos para a sua humanidade. A fé cristã mostrou-nos que verdade, justiça, amor não são simplesmente ideais, mas realidades de imensa densidade. Com efeito, mostrou-nos que Deus – a Verdade e o Amor em pessoa – quis sofrer por nós e conosco.» (SS 39).

Que tipo de antropologia serve para uma economia de comunhão? Para uma economia à altura dos  tempos? Que antropologia, para o desafio global?

No curso da sua evolução, do seu crescimento, o ser humano foi chamado a enfrentar novas realidades, a se encaminhar por veredas inéditas, a olhar para horizontes desconhecidos e por vezes cheios de presságios tenebrosos. E conseguiu sempre colocar-se em jogo e renovar-se para ser ainda protagonista, segundo o projeto pleno do amor de Deus, como seu representante na terra.

A sua consciência de ser homo sapiens, pouco a pouco o fez assumir novas características – homo faber, homo oeconomicus, homo politicus, homo comunitarius, homo psychologicus, homo ludens, etc., segundo as transformações da vida pessoal e social. Nessas caracterizações uma ou outra realidade vem em destaque.

O processo de globalização no nosso mundo, a interdependência crescente, a busca de soluções unitárias para os problemas da economia, das ciências, da participação política, da questão ambiental, etc., parecem exigir um tipo de ser humano diferente, menos setorial e… eu diria, global, uma espécie de homem-mundo, segundo uma apropriada expressão de Chiara Lubich.

Acho que essa época espera o aparecimento decisivo de um novo tipo de homem e de mulher, capaz de abraçar todas as dimensões da vida: material e espiritual, econômica, política, social e civil, relacional e de comunhão. É o momento adequado para que habite no nosso planeta o homo agapicus: o homem que sabe amar, que ama e encontra no amor a semente, a luz, a força, a verdade de tudo e de cada coisa; que será capaz de compor em comunhão toda a operatividade e todas as diferenças.

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