Vinte anos de EdC: uma história de amor entre o céu e a terra

Logo_Brasile_2011_rid2Alberto Ferrucci faz uma panorâmica desses primeiros 20 anos de Edc: aqui está, na íntegra, o seu discurso

por Alberto Ferrucci

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A história
Estou feliz por estar aqui, junto com muitos que se doaram à EdC desde os primórdios, e que poderiam, melhor do que eu, apresentar o tema que me foi confiado: Vinte anos de EdC: uma história de amor entre o “céu e a terra”; mas também junto com os que outros que se juntaram depois e estão assumindo a responsabilidade de levar adiante a EdC pelo menos nos próximos vinte anos, tal como sugere o nosso logo.

 

Que na EdC se encontre uma forte ligação de amor entre o céu e a terra, é fato testemunhado por voltarmos aqui onde tudo nasceu, afim de desenvolver um projeto anunciado por Chiara, que agora nos acompanha do céu com Foco, Ginetta, Lia, Vittorio, Spartaco, François, Daniel, Roberto e muitos que lá chegaram após ter-lhe dedicado a vida.
 
Quando apresentamos a EdC contamos que Chiara chegou a São Paulo, e viu do avião uma selva de prédios ao lado de favelas: se foi aí que nasceu sua inspiração, gostaria junto com vocês relembrar as raízes da história de Chiara e da Obra.

Chiara é de Trento, cidade da cooperação social: pai socialista, mãe católica, um irmão comunista: desde criança respirou a solidariedade e a atenção aos esquecidos/marginalizados, e foi quando descobriu o imenso amor de Deus para com ela e para com todos; assim foi para ela natural acolher o convite do Evangelho para responder ao chamado de Deus, fazendo a Sua vontade em relação aos próximos com os quais Jesus se havia identificado.
 
O desejo de viver o Novo Mandamento do amor recíproco, pelo que devemos ser pelo menos dois, levou-a a arrastar consigo as suas companheiras, das reflexões espirituais às ações de imediato, visto que as bombas faziam pensar que talvez um momento seguinte pudesse não mais existir; com elas procurou os pobres pelas ruas e em suas casas, para partilhar coisas materiais e, sobretudo a presença de Jesus entre eles; de tal forma que percebessem a proximidade de Deus, não se sentissem mais sozinhos: a chegada da providência confirmava suas atitudes.

Ser outro Jesus, graças à vida da Palavra, permitiu que em pouco tempo atraísse quinhentas pessoas, que se tornaram um só coração e uma só alma, como com os primeiros cristãos; uma situação na qual se experimenta a alegria de partilhar com o próximo o que lhe é necessário, e nasce o desejo de colocar em comum o que se torna supérfluo diante das necessidades do outro, dando origem à providência: um dar e receber no qual, até naquelas difíceis circunstâncias, todos se sentiam na “plenitude”, igualados e irmãos.

Quando os colegas do irmão que era comunista lhe pediram para contar o segredo daquele aparente sucesso social, ela respondeu que a solução estava em abrir os corações, e que para assim fazer era preciso possuir a chave do amor gratuito, aquele amor de Jesus na Cruz e Abandonado: com Ele poder-se-ia chegar aos confins da terra.

No ano de 1949 Chiara propôs a Igino Giordani, que havia proposto de fazer-lhe os votos de obediência de, considerando o “nada” de cada um, juntos pedirem a Jesus Eucaristia de uni-los em um pacto de amor recíproco; em decorrência de tal pacto Deus concedeu-lhe iluminações particulares a respeito do futuro da Obra, o conhecido Paraíso de 1949.

Nestas iluminações estavam bem presentes também as instâncias sociais: em seu livro Fábula Florida na Vereda Foco, após descrever a metáfora dos vasinhos floridos, diz que a Unidade se obtém pela morte do próprio eu, concluindo com uma profecia: assim no Céu como na Terra, o sonho de Igino Giordani, Foco; a santidade dos leigos; abrir “o caminho” também por quem vive na sociedade, experiência que no passado era reservada a poucos místicos.

Posteriormente, no ano de 1954, com a dor pela repressão na revolução húngara, Chiara percebeu que os tempos estavam maduros para lançar a vocação dos Voluntários de Deus, leigos que se tornariam santos vivendo a vida de todos, no trabalho e nas atividades sociais, e que iriam mudar a sociedade através do testemunho de vida.

No ano de 1961, na Suíça, contemplando a cidade beneditina de Einsiedeln, Chiara sentiu que também seu movimento deveria ter lugares nos quais o carisma teria de ser testemunhado diariamente; verdadeiras pequenas cidadelas, com igreja, escola, mas também casas de famílias e fábricas com chaminés; cidadelas com Maria como Rainha; todas elas inspiradas/orientadas pelo Espírito Santo; uma visão que está ilustrada no mosaico da capela ao centro da Obra, na qual hoje descansam Chiara e Foco.

Nos anos da contestação juvenil e das lutas sociais, uma vez entregue a bandeira de seu carisma à segunda geração, Chiara percebeu que o testemunho de pessoas na sociedade já não era suficiente, era necessário um testemunho mais robusto: em 1983 lançou o Movimento Humanidade Nova. No ano seguinte, em um congresso com o tema de “Economia e Trabalho em uma visão cristã”, afirmou, em palestra memorável e contra a lógica do mundo, que para resolver os problemas da economia e do trabalho era preciso viver as palavras do Evangelho: “procurai antes o reino de Deus e a Sua Justiça e todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo (Mt 6,33)”; sublinhava “dais e vos será dado” do Evangelho, a validade da “cultura do dar” também a nível social.

Com aquele congresso nasceu o “Bureau Internacional de Economia e Trabalho”, lugar de encontro de estudiosos, estudantes de economia e operadores econômicos, para refletirem juntos e dialogarem sobre a cultura contemporânea à procura de uma economia mais humana.

O Bureau, disse Chiara, deveria ainda procurar recursos para as obras sociais do movimento; criou-se a tal propósito a associação “Ação para um Mundo Unido”, que devia apresentar aos órgãos financiadores os projetos sociais que estavam sendo concebidos; os coordenadores foram assim ajudados a encontrar fontes de recursos, bem como a adquirirem o profissionalismo e a linguagem apropriada para dialogar com as instituições, e transmitirem de forma leiga suas motivações e valores.
Graças às obras sociais do Movimento, o Bureau obteve junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas o “Status Consultivo”: uma voz naquele prestigiado ambiente internacional que João Paulo II, a quem tive condições de comunicar esta notícia em audiência para a Semana Social da igreja italiana, frisou como muito importante.

Quando em 1989, com a queda do muro de Berlin, foi dissolvida a lógica de Blocos, o mundo estava eufórico: sem mais limites à movimentação de capitais, o bem estar do consumismo ter-se-ia difundido por toda parte, estar-se-ia no “final da história”. Chiara, no entanto, visitando New York no ano de 1990, percebendo como na modernidade, atropelados os valores que tinham suas raízes no Evangelho, o consumismo havia “incorporado” séculos de revoluções e conflitos - a liberdade, a igualdade e a fraternidade -, ofereceu-se a pagar com seus companheiros a Jesus, com as próprias dores e até com a vida, as “prestações” para que pudessem cair também os muros que ainda impedem a gloria de Deus no mundo ocidental.
 
Em 1991 Chiara veio ao Brasil; havia lido o Centesimus Annus, no qual o Papa preconizava uma economia social capaz de orientar a sociedade de mercado ao bem comum, e sublinhava entre os direitos da pessoa aquele da propriedade e da livre iniciativa; havia também lido o livro Os novos protagonistas. Movimentos, associações, grupos na Igreja (1), no qual as realizações do movimento eram definidas como uma terceira via entre comunismo e capitalismo.

Mas Chiara chegou ao Brasil, sobretudo com um profundo relacionamento com Deus, com a certeza de poder contar com uma oração possante: assim, frente aos intoleráveis desequilíbrios sociais representados por arranha-céus e favelas, e mesmo dando-se conta que poderia ser considerada ingênua ou até mesmo caçoada pelo mundo que enfim já a conhecia bem, confiando na “possante oração”, pediu a seus amigos brasileiros de passar à ação: recolher recursos entre os “pobres, mas muitos”, entregá-los aos mais “hábeis entre nós” e criar novas empresas próximas das cidadelas a fim de gerar trabalho e produzir recursos para os pobres.

A estes empresários, ela pediu para darem tudo: ela lançou assim uma nova “vocação leiga”, um particular canal através do qual eles se tornariam santos: de quanto ela estava segura disso, pude constatá-lo anos depois em Strasbourg, no decurso de uma entrevista da qual participava como empresário; para dar suporte a quanto ela estava afirmando, pediu-me subitamente na frente dos jornalistas: “não é verdade Alberto que você se tornará santo?”.

Tomaz Sorgi, junto comigo responsável do Movimento Humanidade Nova e presente no Bureau em Castel Gandolfo, informado de quanto Chiara havia anunciado no Brasil, lembrando que Igino Giordani havia preconizado “não comunismo, mas comunhão”, definiu o projeto de Economia de Comunhão na Liberdade.
 
Um projeto que Chiara havia proposto a seu povo, pessoas que já haviam experimentado a plenitude, o desabrochar humano obtido no amor recíproco, e não no possuir ou consumir. Com aquele anúncio ela havia expressado as condições profundas daquele povo, que definiu o anúncio de bomba.

Foi por isso que, o convite de se juntarem para criar novas empresas colocando a pessoa no centro e o capital como função de suporte, não ficou no papel: aquele povo pôs-se logo em ação, foram vendidas pequenas propriedades, ofereceram-se economias, nos distanciamos de objetos que eram preciosos, sobretudo pelas recordações que evocavam e com os recursos obtidos adquiriram-se terrenos para os pólos produtivos, seja no Brasil como na Argentina; mas houve também quem largou boas posições de emprego e suas cidades para se lançarem em atividades produtivas junto às cidadelas, e até mesmo houve quem decidiu expandir sua empresa a fim de oferecer mais recursos à finalidade de EdC.

Os peritos colocaram-se logo à disposição, sem hesitar: entre muitos, quero lembrar a pessoa a quem foi confiada a construção do pólo Spartaco, que mesmo residindo a seiscentos quilômetros de distância, por anos permaneceu fiel a sua obscura, mas preciosa tarefa; outros empresários, mesmo tendo suas atividades em outros lugares comprometeram-se a constituírem-nas nos pólos, certamente não em função de razões econômicas: lembro os irmãos Munoz, proprietários em Buenos Aires de fábrica de luminárias públicas, que com as botas sujas de barro ainda não drenado do pólo Solidariedad no pampa, sorridentes tentavam dar início à parte de suas atividades: aquela atividade acabou não tendo sucesso, mas aqueles sorrisos estão escritos no céu e valem mais de muitos lucros partilhados: como o colar doado por Santa Catarina ao pobrezinho que depois ela via transformada por Jesus em brilhantes.

Não faltou quem se comprometesse, sem ter experiência, em missão difícil até para quem a tinha: dar inicio a atividades passando pela porta estreita da gestão empresarial tornada complexa pelo desejo de comunhão, num contexto de “desarmamento econômico” junto aos fornecedores, clientes e concorrentes, vivendo-se na legalidade mesmo em ambiente de legislações opressivas; um compromisso para se crescer juntos, assim no céu como na terra.

Não se podem enfrentar tudo isso sem sermos motivados por uma verdadeira vocação, difícil de vivê-la sozinhos; aos empresários nem sempre é fácil externar suas preocupações: talvez, para não comprometer a boa reputação de suas empresas, sentem ter que aparentar como sempre sem problemas, e vencedores; ou talvez para evitar a outrem de carregar pesos que só eles estão habituados a suportar, graças à inata propensão ao risco - disso sabem as esposas e maridos que lhes estão ao lado.

Mas na nova economia faz-se necessário compartilhar, não para prestar contas, mas para, no relacionamento com outros, encontrar a luz para seguir em frente; assim como o demonstraram situações difíceis enfrentadas nestes anos, mas resolvidas graças à solidariedade entre os empresários e empresas.
Ademais, se o projeto prosperou, sobretudo nas proximidades das cidadelas, muito se deve aos primeiros companheiros de Chiara, que sofrendo mesmo o “sangue da alma” como dizia Ginetta, ofereceram-se como porto seguro da unidade, lembrando a quem estava na primeira fila que a Economia de Comunhão é um projeto que une o céu e a terra.

Como esquecer a inauguração do segundo galpão do pólo Spartaco, depois que faliu a empresa que lhe havia dado origem: Ginetta levantou-se da cadeira de rodas na qual tinha chegado, para afirmar com força que aquele galpão, que fora construído por amor, teria existência também nos novos céus e novas terras.

Suas palavras levaram François, que havia chegado da França para partilhar suas tecnologias, a abrir aí uma sua empresa – que para se tornar viável, forçou-o a trinta viagens sobre o Atlântico e requereram muitos de seus próprios recursos.

Como François, que está já no Paraíso, muitos outros se tornaram santos conforme os desígnios de Chiara: entre eles, além de François, quero lembrar Roberto Tassano cujo nome permanece no consórcio, que, com seus 1300 trabalhadores, continua oferecendo testemunho e ajuda aos marginalizados.

Muitos foram verdadeiros heróis para não faltar ao compromisso assumido com EdC; como aquele empresário argentino que fechou sua empresa, vendendo até seu carro para pagar todas suas dívidas, e depois abriu mão do único contrato que teria obtido sem pagar propina, pois se deu conta que, para se a pegasse teria levado à falência outra empresa que trabalhava bem como a dele.

Entre os heroísmos de EdC não podemos esquecer os de muitos estudantes gen que correram riscos na hora da tese de formatura, ápice de suas experiências humanas, por ter enfrentado um argumento de difícil compreensão para o mundo acadêmico, que freqüentemente considera ciência somente aquela com neopositivista.

E, portanto graças aos riscos assumidos e ao empenho de nossos estudiosos, a EdC já é hoje considerada uma opção econômica e é ensinada em algumas universidades da Europa, África, America Latina e Ásia, respeitando-lhe a dignidade teórica por aqueles que operam conforme a seus princípios. Nesse contexto, foi que Chiara, ao lançar o Movimento Econômico em 1998, expressou sua dor de não poder se encontrar com os onze mil brasileiros que a esperavam no Ibirapuera.

E nesses vinte anos, o que já foi realizado, sobretudo na ótica do diálogo com a Igreja e a cultura contemporânea?

O quanto seja importante a contribuição cultural do carisma de Chiara na economia em termos de relacionamento com a Igreja, fica demonstrado pela atenção que muitos bispos lhe deram, tendo solicitado cursos de formação, por vezes concluídos nos pólos industriais das cidadelas; bem como pelo próprio Magistério da Igreja, tendo-se tornando patente pela evidência dada à cultura de comunhão e até mesmo pela citação na encíclica Caritas in Veritate de Bento XVI.

Mas não é só: nestes anos a Economia de Comunhão foi acolhida por carismas religiosos antigos e modernos, como “via providencial” para ordenar/organizar suas atuações econômicas numa sociedade secularizada; sendo que a cultura do dar levou alguns agentes de EdC a se colocarem à disposição destas Ordens para garantir a sobrevivência de suas obras sociais que estavam em perigo, garantindo o espírito dos fundadores.

Poder-se-ia dizer que muitos desses desencadeamentos não foram diretamente pensados por Chiara: isto é verdade, mas hoje no mundo - se soubermos amarmo-nos mutuamente até dar a vida um pelo outro, depois de termos morrido ao nosso eu e tendo vivido as palavras do Evangelho – nós é que somos Chiara.

O ensinamento de vinte anos

Como conclusão dessa história entre céu e terra, o que esses vinte anos nos ensinaram?
Primeiramente devem ser elaborados na teoria os paradigmas dessa nova economia; criar os limites para o estudo, como o dos bens relacionais, da relação entre economia e felicidade, entre economia e confiança, entre economia e reciprocidade e dar-lhes conteúdo, para estarem em condições de mostrar pólos produtivos e empresas que ponham em prática tais princípios, bem como escolas e universidades que com eles se harmonizem.

Também, para difundir o conteúdo da mensagem que estes testemunhos oferecem, é preciso saber falar a linguagem do mundo moderno, utilizando todas as tecnologias disponíveis, e no maior numero de línguas possível: nestes anos todos um elemento de ligação entre todos foi a revista Economia de Comunhão – Uma nova cultura, traduzida em cinco línguas e que nasceu como sinal de reciprocidade para com todos que contribuíam ao projeto.

Ultimamente acrescentou-se o site Internet internacional, que, graças a dezenas de tradutores, transmite em tempo real a vida da EdC, como também dessa mesma assembléia, para todo o mundo; transmite monografias, revistas, livros, arquivos de áudio e vídeo, blog; tornou-se assim uma fonte de notícias sobre a EdC à disposição de todos.

Também nestes últimos anos entendeu-se que o diálogo com a cultura contemporânea deve começar com quem trabalha na nossa mesma direção, e descobrimos que o lugar mais apropriado para tal diálogo são as cidadelas e seus pólos produtivos. Convencemos-nos também, que para o diálogo com os estudiosos e com quem atua na solidariedade social, é necessário documentar com total transparência a utilização dos lucros, mesmo que com um grande empenho de recursos humanos e profissionais.

Com a finalidade da análise sob o prisma econômico do projeto, é também importante levar em conta todos os lucros efetivamente partilhados pelas empresas EdC: de fato, estes são muito maiores que aqueles enviados fisicamente para EdC – devem ser considerados também aqueles aplicados de formas variadas para ajudar indigentes na própria empresa, para se preservarem vagas de trabalho temporariamente em excesso, ou para dar emprego a deficientes físicos; igualmente, devem ser considerados os gastos, sob a ótica da comunhão, em ações sociais do território, ou, internamente na empresa, para estágios, com a finalidade de integração de jovens ao trabalho e formá-los nesta nova economia.

Com relação à utilização dos lucros, descobriu-se também que é precioso prestar atenção às inspirações de quem os distribui, pois pode também estar partilhando seus talentos profissionais, a fim de tornar sua utilização mais eficaz; considerar, tal como as outras partes de lucro, aqueles direcionados à capitalização da empresa para fazê-la crescer, pois graças a elas é que poder-se-ão oferecer ainda vagas de trabalho e lucros, mas, sobretudo testemunhar a Economia de Comunhão.

Compreendeu-se que em nossos pólos devem também ser bem vindas aquelas iniciativas que, não tendo vínculos precisos com o projeto, assumem o espírito EdC: em particular escolas de formação/trabalho dedicadas às pessoas marginalizadas; e, particularmente, acolher os empresários que, mesmo não tendo ligação com o movimento dos focolares reconhecem a validade da economia de comunhão e a praticam em suas empresas.

Nestes anos veio também à tona, que a inspiração de Chiara estava orientada mais do que a ajuda aos indigentes, a encontrar formas de retirá-los da condição de dependência, pois são eles nossos irmãos e irmãs; neste objetivo, com a colaboração da Ação para um Mundo Unido, foi implementado um financiamento de pequenas atividades produtivas a fim de dar trabalho, bem como atividades de formação escolar e profissional.

A fraternidade requer dignidades igualitárias, por isso parece-nos que a forma de ajuda mais desejável seja a do crédito concedido em absoluta confidencialidade, e por estruturas profissionalizadas: ONG, associações conhecidas, bancos; neste setor foi de grande ajuda a experiência das Filipinas, que esperemos seja reproduzida em outras partes do mundo – por exemplo, na África, onde estão se abrindo novas perspectivas; mas quando são necessários financiamentos a fundo perdido, a fim de preservar a fraternidade, torna-se oportuno oferecer ao indigente uma forma de retribuição.

Os responsáveis das comissões de EdC em cada localidade, verificaram nestes últimos anos se cada empresa estaria ainda em condições de aderir à EdC, e não obstante à mudança de gerações, em sua maior parte reconfirmaram esta adesão: não podemos porém esquecer que nestes anos, as empresas mais próximas a nós - porque foram as primeiras a nascer – enfrentaram dificuldades; talvez dificuldades derivadas da solidão dos empresários, mas para os quais nasceram agora (das comissões EdC de vários países), as Associações nacionais EdC; eis que o objetivo é de oferecer competência profissional e gerencial para enfrentar juntos seus problemas.

Trata-se de associações civis às quais a adesão é facultativa; espera-se, no entanto, que a elas adiram todas as empresas EdC, reconhecendo-as como sua associação empresarial; que se comprometerão a fornecer balanço societário para, como Chiara sugeriu em sua última mensagem, empenharem-se em diálogos periódicos, a fim de evitar que se realizem somente quando a situação econômica da empresa já está comprometida.

Recentemente, outra possibilidade proposta às empresas é de entrarem na rede no site B2B, criado pelos nossos empresários dos Estados Unidos; nele, cada empresa pode ofertar seus produtos e serviços num canal privativo das empresas EdC no mundo; nele foi criado também um EdC-Forum, para partilhar entre empresários as experiências profissionais e espirituais; atualmente em inglês, mas esperamos que apareçam tradutores também para isso.

O empenho atual

Quando há vinte anos atrás, Chiara descreveu o que seria uma empresa EdC, esta foi considerada utópica, talvez válida somente para pequenas atividades levadas adiante por pessoas físicas; há vinte anos desde então, a humanidade deve agora desatar novos nós.

As tecnologias da informação, o acesso a baixo custo de capitais e de trabalho, a disponibilidade operacional de dois terços dos habitantes do planeta, ocasionaram nestes vinte anos um vigoroso e generalizado desenvolvimento que criou oportunidades de trabalho para muitas pessoas, resgatando-as da pobreza.

Tal desenvolvimento foi, no entanto, viciado por um financiamento sem regras que provocou insolvências, a tal ponto, que colocou em risco o funcionamento do próprio sistema. Na tentativa de amenizar este impasse, os países ocidentais diretamente envolvidos tiveram que intervir, mas endividando-se a tal ponto que  eles próprios se colocaram em situação de risco; enquanto isso, países mais jovens, excluídos do processo de desenvolvimento e na esperança de uma vida mais digna, causam cada vez mais pressão (pressionam cada vez) junto às populações mais ricas com solicitações mais veementes.

Percebe-se assim que, sem uma decisiva mudança de direção, os direitos de propriedade individual, de trabalho e de um futuro mais tranqüilo para todos no mundo poderão ser colocados em risco; e portanto, a nível nacional e internacional, são urgentes as providências a serem tomadas para superar o egoísmo a curto prazo,  e que coloquem todos em condições de contribuir, na proporção dos próprios meios, ao enrobustecimento do sistema e à realização de um salto de qualidade em direção a uma economia mais humana.

Não obstante as providências tomadas pelos países e pelas autoridades monetárias internacionais, o sistema econômico e financeiro ocidental permanece frágil e no aguardo de novas regras que o remetam às suas preciosas funções destinadas ao bem comum, à captação das economias e à sua utilização para sustentar a economia produtiva; o sistema requer também seja potencializado nos países emergentes, onde a fraca capitalização das empresas é um limite para a geração de novos empregos.
 
Nesse contexto, nos parece que um dos resultados esperados por estarmos aqui reunidos, é que devemos oferecer nosso aporte de estudiosos e operadores de uma economia fraterna em todo o mundo, àqueles que estejam elaborando propostas às nações e às instituições internacionais, seja no campo jurídico, seja fiscal e financeiro. Poderíamos encaminhá-las às Nações Unidas, graças ao Status Consultivo e Social que temos, e também difundi-las em nosso meio e junto às organizações da sociedade civil, mormente às organizações juvenis que estão mais atentas ao amanhã de nosso planeta.

Propostas concretas para a regulação financeira orientada a uma maior comunhão de bens de maneira global e a uma maior valorização do trabalho como instrumento de realização pessoal; que ajudem a inspirar as nações à uma economia fraterna que se manifesta com um estilo mais sóbrio e crítico, que respeite os recursos do planeta e a aspiração do gênero humano à uma substancial igualdade, e que tenda a permitir uma atitude econômica capaz de produzir não somente riqueza material, mas sim um desabrochar humano e realização pessoal. Pela utilização responsável das riquezas, orientada ao longo prazo, e do jeito de “um bom pai de família”.

Diante desses nós todos a desatar, muita gente já se dá conta que a inspiração de Chiara é deles, e que espera de quem já vive em conformidade com esta inspiração, o diálogo e amizade para desatá-los juntos: há doze anos, um ilustre estudioso leigo, após lhe terem apresentado a EdC de Chiara na cidade de Strasbourg, admitiu que esta proposta era de difícil realização, mas a única possível para um futuro sustentável.

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