Eis-nos onde tudo começou

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Em São Paulo, na Mariápolis Ginetta, Luigino Bruni abre a Assembleia Internacional diante de 650 participantes provenientes de 40 Países. Publicamos o texto integral da sua intervenção.

por Luigino Bruni

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A coisa mais importante desta Assembléia EdC 2011, é estarmos aqui, em muitos, no lugar onde tudo começou para a EdC, e podermos dizer juntos que a  EdC está viva, que queremos trabalhar juntos e trabalhar mais, para que a sua profecia, a profecia de Chiara, se torne história, cada dia mais e melhor. Nunca é trivial e óbvio reunir-se para celebrar algo que está vivo 20 anos após o seu início. Sem a fé, a esperança e o amor de muitos de vocês (e de muitos que não estão aqui presentes), talvez hoje, vinte anos depois, só poderíamos comemorar algo profético, que, porém, não tinha funcionado na história.

 

Mas nós viemos aqui para contar, como os primeiros apóstolos, os frutos que esta evangelização leiga no mundo  econômico e social trouxe nestes 20 anos. Para dizer então que a EdC está viva e que nós continuamos a acreditar na sua profecia, e que, portanto, queremos enfrentar novos desafios, e tentar obter respostas para muitas questões que estão em aberto.

Por isso, a primeira palavra que vem à mente, abrindo esta Assembléia é alegria, festa, felicidade. Esta Assembléia será, em primeiro lugar e acima de tudo, a festa de uma comunidade, de um povo que acredita que é possível amar e servir a nossa sociedade, a nossa gente, dando vida, no dia-a-dia, a uma economia e a empresas diferentes, e que sente uma vocação especial para isto.

Mas logo depois de festa, ou  ao mesmo tempo, vem uma segunda palavra, que é responsabilidade. Estamos celebrando o vigésimo aniversário da EdC em um momento especial da economia e da sociedade mundial, que está tentando sair (se é que sairá) da primeira grande crise da globalização, uma crise sistêmica, estrutural, um primeiro "infarto" do sistema capitalista. São muitas as mensagens que emergem desta crise, mas a mensagem alta e clara é que a economia globalizada cria enormes oportunidades para a criação de riqueza, mas também produz novos custos, entre os quais uma incerteza radical nos sistemas financeiros e econômicos e a fragilidade dos mesmos, além de mais acentuados desequilíbrios sociais.
As crises ser tornarão uma parte estrutural do sistema que estamos criando, a regra e não a exceção, já que é o preço que pagamos para a nova economia. A crise como nova condição de normalidade, cria, em seguida, problemas em termos de ética e de justiça, pois muitas vezes as consequências das crises não são pagas pelos setores sociais que as produzem, mas geralmente, por setores  muito mais pobres.

Mas logo depois de festa, ou  ao mesmo tempo, vem uma segunda palavra, que é responsabilidade. Estamos celebrando o vigésimo aniversário da EdC em um momento especial da economia e da sociedade mundial, que está tentando sair (se é que sairá) da primeira grande crise da globalização, uma crise sistêmica, estrutural, um primeiro "infarto" do sistema capitalista. São muitas as mensagens que emergem desta crise, mas a mensagem alta e clara é que a economia globalizada cria enormes oportunidades para a criação de riqueza, mas também produz novos custos, entre os quais uma incerteza radical nos sistemas financeiros e econômicos e a fragilidade dos mesmos, além de mais acentuados desequilíbrios sociais.
As crises ser tornarão uma parte estrutural do sistema que estamos criando, a regra e não a exceção, já que é o preço que pagamos para a nova economia. A crise como nova condição de normalidade, cria, em seguida, problemas em termos de ética e de justiça, pois muitas vezes as consequências das crises não são pagas pelos setores sociais que as produzem, mas geralmente, por setores  muito mais pobres.

Uma terceira palavra é memória, essa bela palavra bíblica, um dos pilares da nossa história. Quando o povo de Israel vivia momentos fortes, o ponto de partida era sempre lembrar que "fomos escravos no Egito" e que "fomos libertados e transformados em um Povo", dentro de uma Aliança. E, quanto mais duros e de provação eram os momentos,  mais decididamente se recorria ao patrimônio da memória, principalmente da memória coletiva, porque dava e dá sentido à história que se vive. Estar aqui hoje significa, portanto, criar memória, recordar (trazer novamente ao coração, como afirmava Chiara) que participamos de uma história sagrada, uma Aliança ( cada vez que nasce um carisma na Terra, se renova o pacto entre Deus e a humanidade , e se vislumbra uma terra prometida), para o Bem comum (ou seja, de todos, e de cada um, também nosso, coletivamente e individualmente). Significa lembrar que ,mesmo as pequenas coisas que levamos adiante no nosso trabalho diário, estão inscritos nesta história da salvação, nesta aliança, são passos rumo à "terra prometida" que o mundo de hoje espera.

E para isso vamos voltar àquele mês de maio de 1991, especialmente às "perguntas" que naquele mês nasceram em Chiara e nos seus companheiros de viagem. Vamos ver com cuidado as respostas a essas perguntas que nestes primeiros 20 anos surgiram, sabendo que as experiências humanas, especialmente as carismáticas, permanecem vivas e fecundas enquanto mantêm vivas as perguntas e sabem mudar as respostas concretas e históricas, mesmo quando justamente para ser fiéis às perguntas têm a coragem de mudar modalidades concretas e históricas nas quais se concretizaram as respostas, que são, inevitavelmente, eventuais e transitórias. É muito importante e necessário que aqui na Mariápolis Ginetta / Araceli, e todos juntos, voltemos com honestidade e inteligência para estas questões que fundamentaram e deram origem à "bomba" de 1991 e, que em seguida tratemos com a mesma seriedade e inteligência, alguns problemas que a EdC encontra hoje, para, possivelmente, alterar algumas das maneiras pelas quais procuramos a encarnar a EdC, se acharmos que já não estão à altura dos desafios colocados pelas perguntas de Chiara, de 1991. E o fato de recordar será também um trazer novamente ao coração não apenas idéias, fatos e inspiração, mas também, as pessoas, os semblantes e histórias daqueles companheiros de viajem que já chegaram à terra prometida que nós precisamos construir aqui, na história. Para ouvir novamente, compreender bem as perguntas, e talvez mudar algumas respostas, nós viemos aqui naquela que, em 1991, se chamava Mariápolis Araceli, e agora foi intitulada por Chiara a Ginetta, Ginetta Calliari uma das co-fundadoras da EdC, sem cuja heróica fé, talvez nós não estaríamos aqui dizendo que a EdC está viva. Nas experiências carismáticas, a geografia tem o mesmo valor da história: o lugares dizem palavras de verdade e vida. Para realmente entender o carisma de São Francisco, mais cedo ou mais tarde, um franciscano talvez devesse fazer uma visita a Assis e aos locais franciscanos, pois São Damião e  La Verna explicam o carisma como explica o livro dos Fioretti, e se alguém quer conhecer profundamente Gandhi e a não-violência, deveria ir para os lugares gandhianos. Por este motivo, há vários anos, decidimos que faríamos aqui, na Mariápolis e em São Paulo este nosso encontro, para que nos inspirássemos também com os lugares, a língua, o gênio brasileiro e a vocação espiritual e social deste povo, coisas que tiveram um papel essencial antes, durante e depois daquele maio de 1991.

Finalmente, uma quarta palavra que eu gostaria de dizer-lhes nesta introdução é esperança, uma das virtudes cardeais no sentido que sem ela todas as outras virtudes não duram: sem esperança, sem acreditar e amar nenhum projeto funciona e produz frutos. Hoje nós temos um dever, mas também a alegria, de esperar, como e ainda mais que antes, na força humana, espiritual, social e econômica do projeto que nos foi confiado. Muitos de nós que estamos aqui hoje, começamos a aventura com Chiara, alguns desde o primeiro lançamento em 1991. Alguns vieram depois, e conheceram a EdC através do testemunho de outros; e se estamos aqui somos todos co-fundadores deste projeto, somos parte integrante que compartilha a responsabilidade pelo sucesso e fracasso da EdC. Chiara nos confiou uma inspiração, um desejo, uma esperança, mas esperou e espera que a inspiração se torne história, graças aos empresários, economistas, trabalhadores, acadêmicos, profissionais, consumidores, investidores, famílias, cidadãos que se sentem chamados a partir de dentro (issso significa "vocação") para doar as suas vidas, para que o mundo da economia seja mais unido, justo e fraterno, seja um lugar de excelência humana e espiritual. É por isso que a esperança é uma virtude a ser cultivada, nutrida, reforçada e re-escolhida nos momentos de provação, nos quais é antes de tudo a esperança que é ameaçada. E dizer esperança significa dizer, especialmente os jovens, que não são apenas o futuro, mas uma forma diferente de encarar o presente. É também, e sobretudo para os jovens, que quisemos colocar no logotipo o ano de 2031, para fazê-los sentir a EdC de hoje, não de amanhã, pois um movimento como o nosso não pode existir sem os jovens. Nós queríamos reservar mais espaço para os jovens no programa, mas não conseguimos, apesar de estarem presentes em momentos cruciais e simbólicos dos cinco dias.

Com alegria, responsabilidade, memória e esperança, então nós começamos estes dias de festa e também de muito trabalho, culminando na grande jornada do dia 29 de maio, em São Paulo, outro "lugar theoforo"  da EdC, que a Providência quis que caísse num domingo neste 2011. Preferimos chamar de "Assembléia da EDC" e não, congresso ou conferência, porque, ao contrário das conferências, a lógica das intervenções que nós faremos será o diálogo. Não apresentaremos  documentos, temas ou relatórios científicos, mas proporemos  no período da manhã pontos para reflexão, pistas para o caminho,  mais longas e articuladas em quatro conferências pela manhã, mais curtas nos painéis da segunda parte das manhãs, três painéis que foram construídos em torno dos três pilares EdC: a empresa, a pobreza, e a cultura. Os oradores serão convidados para a difícil tarefa de abrir e  não fechar os discursos e ao mesmo tempo, trazer os frutos da vida e da reflexão destes primeiros 20 anos.
Estão previstas também experiências, mas o objetivo e o desafio que nos propusemos, é aquele de não contrapor o "discurso (ou reflexões) dos pesquisadores” às experiências de vida, mas oferecer experiências que são reflexivas e "boas práticas", e idéias de pesquisadores que nascem da vida e dão voz aos fatos. Creio que um dos pontos fortes da EdC que a tornam inovadora e fascinante é que nunca separou a teoria e a vida, cultura e experiência, empresários e acadêmicos, economia e reflexão mais ampla sobre a vida social.
 
Finalmente um grande agradecimento a todos aqueles que neste ano e alguns meses de preparação trabalharam árdua e seriamente, principalmente aqui no Brasil, e nas diversas comissões do mundo. Obrigado à Mariápolis que nos acolhe, e um grande obrigado a todos vocês por estarem aqui, tendo feito muitos sacrifícios, alguns até mesmo heróicos. E finalmente, obrigado a Chiara, que quis acreditar que a economia pode se tornar um lugar de excelência humana e espiritual, que inventou a EdC. Que possamos experimentar dias extraordinários, de vida, de luz, de conversão, para partir todos mais felizes, responsáveis, agradecidos pelo que foi recebido, cheios de nova esperança e mais radicais.Para que isso aconteça é necessário o trabalho e o empenho de cada um, a capacidade de ouvir critica e generosamente ao mesmo tempo, sentir–se fundadores co-responsáveis pela EdC, cientes de que se a EDC vai amadurecer, crescer e ser fiel à sua vocação dependerá de todos e de cada um de nós. Estamos confiantes de que seremos bem sucedidos.

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