O antídoto para a crise são os relacionamentos

logo_convention_edc_2011_rid_ridEconomia de Comunhão tem uma contribuição específica para dar: entrevista ao prof. Stefano Bartolini da Universidade de Siena

O antídoto para a crise são os relacionamentos

por Antonella Ferrucci

Stefano_Bartolini_ridÉ interessante a analise da crise atual que Stefano Bartolini, professor de Economia Política na Universidade de Siena, propôs em Loppiano, no dia 17 de setembro passado, dentro da Convention italiana dos 20 anos de Edc.

Vou intitular esse meu discurso 'Dos EUA ao Polo Lionello' ” - começa - “porque esta é uma crise nascida da excepcionalidade do débito das famílias americanas, que por 20 anos viveram além das próprias possibilidades  e no final se tornaram insolventes. Todo o resto é contágio financeiro”. Como pode acontecer tudo isso? “Ás raízes dessa crise está o extraordinário consumismo americano, patológico, que poderíamos definir ‘bulimia do consumismo’”.

"Para entender as razões disso podemos fazer uma ligação daquilo que nos dizem três indicadores diferentes: o primeiro: nesses ultimos 30 anos o ramo da economia que se ocupa do bem-estar das pessoas (a economia da felicidade) ressaltou uma diminuição constante da felicidade nos Estados Unidos; o segundo: a carga horária de trabalho aumentou, as férias são sempre menores, os americanos traaam como loucos; o terceiro: desmoronaram os bens relacionais: a solidão aumentou às custas da confiança, da amizade, das relações familiares. A sociedade está desfeita. Obviamente isso pesa na felicidade das pessoas."

"As pessoas sempre mais empobrecidas de relacionamentos, tem que trabalhar mais: numa economia em que as ligações sociais se desfazem o dinheiro serve: por um lado os serviços que antes eram trocados de bom grado no âmbito das relações familiares e da amizade (o cuidado das crianças e dos idosos por exemplo) agora tem que ser pagos, porque este círculo de relações não existe mais; por outro lado os bens materiais constituem uma compensação inegável à pobreza relacional: estou só, não é mais seguro sair à noite pelas ruas da cidade? Compro o home theatre e me fecho em casa. Mas é um círculo vicioso: quanto menos relações eu tiver mais trabalho: quanto mais trabalho menos tempo vou tenho para instaurar novas relações. Agora tudo isso explodiu nos Estados Unidos."

E aqui chega o ”gancho” com o Polo Lionello: “Economia de Comunhão, que coloca os relacionamentos no centro, parte de uma ideia de economia evidentemente oposta àquela que gerou esta crise: por isso a contribuição que ela pode dar no reconstruir os relacionamentos, pode ser uma espécie de antídoto a tudo isso.”

Professor Bartolini, os testemunhos dos empresários na Convention Edc já disseram algo a esse respeito: poderia aprofundar este ponto? O que realmente a Edc pode fazer, da pequena realidade que é, para ser o antidoto contra a crise?

"O problema da crise nos Estados Unidos estava ligado à construção de uma ideia de economia completamente desconectada da sociedade. O Business é Business, e a sociedade e as relações são outra coisa. Não é verdade, essas coisas caminham juntas e se a sociedade entra em crise, uma hora ou outra também a economia entra em crise, e é exatamente isso o que aconteceu. Desse ponto de vista a Economia de Comunhão tem uma proposta que é muito mais importante do quanto, talvez, aqueles que estão envolvidos percebam. É justamente uma ideia de sistema econômico diferente, no qual a economia está conjugada com a socialidade das pessoas e com as relações entre elas. A ideia de Edc está baseada no fato que a atividade econômica deve basear-se nas relações, consolidando-as e promovendo-as, porque esses dois mundos, relações e sociedade de um lado e economia de outro, não são dois mundos separados, mas devem caminhar juntos; dito ainda de forma geral, o experimento social que se tentou fazer nos Estados Unidos nos ultimos 30 anos foi construir pessoas que fossem feitas para a economia. A edc tem a ideia oposta ao seu centro: a economia deve ser feita para as pessoas: é uma proposta que eu considero de uma importância enorme."

Como difundir ainda mais a mensagem da Edc?

Acredito que a força do exemplo seja muito importante. Claro, o exemplo poderia tender a ficar “confinado” do ponto de vista da comunicação; a minha impressão porém, é que além das estratégias de difusão dessa experiência, a realidade caminhe muito velozmente tanto que a faz visível por si só. Até a sociedade europeia, infelizmente, nos ultimos decênios caminhou rumo a uma economia completamente desconectada do social: mas aqui também o sistema está desmoronando numa velocidade impensável e aquilo que imagino é que poucos dos exemplos funcionantes que permanecem por pouco tempo serão muito visíveis.

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