por Luigino Bruni
O evento central do último dia do congresso foi a assinatura do “acordo” entre a Economia de Comunhão e a Universidade Católica, a fim de poder desenvolver juntos a EdC nos próximos anos: um momento verdadeiramente solene, forte, simbólico, cheio de significado.
E foi a mesma solenidade das missas que encontrámos na assinatura deste pacto, por mim e pelo Reitor, Prof. Maviiri. Tratava-se de uma assinatura séria, comprometedora, um pacto ou covenant (aliança, como no Génesis), que nos compromete ainda com a África nos próximos anos.
O compromisso que assumimos juntos foi de assegurar dois cursos (de 3 semanas) sobre a EdC, um deles aberto
a todos e o outro aos estudantes de mestrado, já a partir deste próximo mês de Julho. A ideia é poder aprofundar cada vez mais esta colaboração, envolvendo também o Instituto Universitário Sophia (o reitor tinha participado na sua inauguração).O que é que emergiu desta viagem, acerca da EdC? Algumas realidades vieram fortemente em evidência.
Antes de tudo, veio em evidência que o principal modo que a EdC propõe para diminuir a pobreza extrema não é primariamente a redistribuição da riqueza (tirar aos ricos para dar aos pobres), mas a criação de nova riqueza, incluindo no processo as pessoas em dificuldade: - aumentam-se os bolos, não se cortam unicamente de modo diferente as “fatias” do bolo já existente.
Em segundo lugar, verificou-se que a EdC surge cada vez mais como uma visão económica aberta a todos os homens e mulheres de boa vontade, sobretudo agora que está presente também na Encíclica.

Naquele contexto, foi também muito forte poder compreender novamente que a EdC, para funcionar, precisa de ter um relacionamento direto com a pobreza. Quando Chiara Lubich lançou o projeto, impressionada pela coroa de espinhos, pela pobreza que existia em São Paulo e no Brasil, impeliu antes de mais a comunidade brasileira a fazer alguma coisa para resolver aquele escândalo. Na altura, o Brasil partiu - pobres mas muitos – construindo o Pólo, as 100 empresas… porque a EdC estava ligada (hoje em dia, provavelmente menos diretamente também no Brasil) a um problema evidente e direto de pobreza. Se faltar este contato directo, as empresas EdC não percebem o sentido daquilo que fazem. Além disso, não pode ser suficiente recolher dinheiro na Europa para o usar noutras partes do mundo, dentro do nosso movimento, porque esta ligação torna-se muito débil, sobretudo com o passar dos anos.
O que fazer, então? Entretanto pode-se tornar mais evidente a ligação entre a atividade de todas as empresas e alguns projetos (mais consistentes e maiores) que a EdC, no seu conjunto, promove no mundo. Depois de 20 anos os micro-projetos não são suficientes para manter viva, nos empresários, a paixão de doar boa parte dos lucros. É preciso fazer mais. Além disso, quanto a mim é preciso relançar de forma mais decisiva nos empresários EdC de todo o mundo, uma nova época de criatividade à descoberta, nas próprias cidades, das pobrezas de diversa natureza (não só material) e fazer alguma coisa diretamente por elas, possivelmente juntos.
A EdC nasce porque um mundo com pessoas indigentes de um lado e opulentas de outro lado, não pode ser “um mundo unido” (o carisma da unidade de Chiara Lubich). Como tal, a EdC terá sempre um olhar especial para com as pobrezas (e para com as riquezas não partilhadas, outra forma de “miséria”), e não apenas nalguns países do mundo.
Le site officiel de l'ÉdeC est en ligne:
economie-de-communion.fr
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