Os desafios do Polo Spartaco

Dificuldades e sucessos do primeiro polo empresarial de Economia de Comunhão no Brasil

por Thiago Borges

do Relatório EdC 2016, sobre a "Economia de Comunhão - uma nova cultura" 

N44 pag12 13 Thiago Borges Autore rid webO Polo Spartaco nasceu em 1993 perto da Mariápolis Ginetta, a cidadezinha do Movimento dos Focolares, localizado a 50 km de São Paulo, como a primeira evidência concreta de uma economia vivendo com o paradigma da comunhão. Foram instaladas empresas de diferentes ramos, mas todas comandadas por empresários convictos de que para resgatar os menos favorecidos de sua vulnerabilidade (mesmo motivo pelo qual nasceu o polo), apenas o assistencialismo não é suficiente. Em vez disso, eles devem envolvê-los, tornando-os protagonistas das relações econômicas.

Este é o espírito que animou a primeira empresa que se instalou no Polo, a La Tunica. Foi fundada por Maria do Carmo Gaspar e Maria Aparecida Viegas: a primeira, uma viúva e mãe de cinco filhos, e que pela sua afeição a Chiara Lubich (fundadora do Movimento dos Focolares) e a Economia de Comunhãose dedicou ao setor de vestuário; já Maria Aparecida tinha duas máquinas de costura, que colocou à disposição, junto com a sua experiência como costureira.

N44 pag12 13 Polo Spartaco 02 rid web Além da equipe de profissionais que as sócias chamaram para trabalhar, também começaram a fazer parte da nova empresa várias mães de famílias da comunidade carente vizinha: uma verdadeira ação de resgate social, o que permitiu a essas mulheres não só trabalhar, mas também de adquirir uma profissão e, consequentemente, uma independência econômica.

Mais tarde, se instalaram outras empresas de produção: a Rotogine, criada por François Neveux (empresário francês especialista em grandes artefatos de plástico e tecnologias ambientais); a Eco-Ar, produtos de limpeza, iniciada por Ercilia Fiorelli num porão e, em seguida, transferida para o pólo; a AVN Embalagens Plásticas, do empreendedor de máquinas de construção de São Paulo, Augusto Lima Neto. Junto a essas empresas, outras duas foram instaladas pelos empresários Armando e Roseli Tortelli, uma delas é a Prodiet Farmacêutica de distribuição de produtos farmacêuticos e a outra de serviço de financiamentos, a Uniben Fomento Mercantil.

N44 pag12 13 Polo Spartaco 03 rid webPara construir e gerenciar o Polo, foi constituída uma sociedade para as empresas, a Espri SA, a qual aderiram cerca de quatro mil sócios de todos os ramos. “Somos pobres, mas muitos”, disse Chiara Lubich convidando a todos para reunir recursos para construir um “laboratório de economia de comunhão”: muitos aderiram com entusiasmo e generosidade.

Em 2005 nasceu a Associação de Trabalhadores do Polo: Além dos benefícios oferecidos aos associados, tais como micro crédito e descontos em lojas na região, a associação proporciona um lugar de compreensão mútua, útil para criar ocasiões de comunhão.

A mais nova a chegar

 N44 pag12 13 Polo Spartaco 04 rid webPasticcino é a mais recente empresa a se instalar no Polo, cinco meses atrás. Especializada na produção de alimentos para lanchonetes, a empresa é a "filial brasileira" de uma que opera com sucesso no Polo da EdC Solidaridad, na Argentina.  Com seus cinco funcionários, a empresa deu seus primeiros passos no Brasil enfrentando os desafios da chegada, o ajuste da produção, a abertura dos mercados, a formação profissional. "A Pasticcino se distingue de outras empresas do setor por causa do seu modo de construir relacionamentos entre os funcionários, clientes e fornecedores”, diz o diretor, Flávio Toledo. “Entre nós existe uma grande liberdade e amizade; somos todos diferentes e, às vezes, acontece algum atrito, mas nós sempre tentamos resolver os problemas antes que se tornem grandes, com base de que é mais fácil trabalhar quando se tem uma boa convivência. Convém, no entanto, realmente se empenhar para construir esses relacionamentos”.

Um novo agir econômico

N44 pag12 13 Polo Spartaco 01 rid webA partir da experiência da Uniben, há dois anos, nasceu uma empresa para o setor de seguradora, a Uniben Corretor de Seguros, que busca construir com cada cliente uma atmosfera de confiança e transparência. “É uma boa experiência, especialmente nas relações, porque a comissão que remunera o nosso trabalho depende do preço das apólices de seguros: quanto mais caro o seguro, mais ela aumenta a nossa comissão. Assim, oferecer ao cliente a solução mais vantajosa para ele, embora nossa renda diminua, pode parecer uma má estratégia. Ainda estamos começando a colher os frutos dessa forma de agir, por meio da fidelização de clientes e novas oportunidades de negócios”, explica Mariela Francischinelli. O volume de negócio cresce 15% ao mês. Após dois anos de operação, a empresa alcançou o equilíbrio econômico, tendo em vista os investimentos iniciais.

Morte e ressurreição

N44 pag12 13 Polo Spartaco 05 rid webNos últimos anos, o desempenho econômico de algumas empresas do Polo piorou e as suas dificuldades financeiras também afetaram o resultado de Espri, porque eles não têm conseguido pagar o aluguel. Surgiram novos desafios para o futuro do Polo. Para lidar com isso foi necessária uma maior comunhão entre os empresários: a Uniben decidiu expandir o seu negócio, oferecendo para as empresas em dificuldade, a comunhão pura, além de serviços financeiros também as suas próprias habilidades na gestão, com bons resultados.

Um grupo de peritos, que já teve vários contatos com a EdC, ofereceu-se para examinar a gestão da Espri e sugeriu novas estratégias: os empresários com atividades no Polo se comprometeram a fortalecer a comunhão entre eles, com a certeza de que, se o sucesso ou não de suas empresas estava ligado às circunstâncias, a comunhão deve permanecer. Em 2016, a trajetória de consolidação orçamental dos negócios tem permitido a melhoria também dos resultados da Espri.

Os propósitos para o futuro são muitos: promover novos negócios na cultura daEdC, fortalecer os processos de formação de uma cultura da partilha, intensificar a comunhão entre todos. Objetivos importantes, mas atingíveis apenas se suportado por uma vida de comunhão.

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Alessandra Smerilli

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