O resgate dos últimos no respeito pela natureza

Aproagro: três empresas piloto florescem a partir da determinação
da comunidade mais pobre do Brasil.

por Stefano Comazzi 

Do Relatório EdC 2012-2013, sobre "Economia de Comunhão - uma nova cultura" nº 38 - Suplemento publicado com a 'Città Nuova' nº 23/24 - 2013 - dezembro de 2013

Report 2012 2013 Stefano Comazzi

O Brasil hoje se apresenta no cenário internacional com uma
crescente consciência da própria força política, econômica e
cultural, mas ainda sofre pelas muitas pragas sociais como
resultado da forte desigualdade na distribuição da riqueza do
país. Desta terra, e mais precisamente numa comunidade – que tem o nome de um ex-escravo que se revoltou, um tipo de novo Espártaco –, nasceu uma iniciativa que marca um passo a mais para a EdC: uma experiência que surgiu a partir “de baixo”, com fortes raízes comunitárias e uma grande tenacidade e determinação.

Encontramo-nos no município de Branquinha (AL). Aqui, uma pesquisa científica, iniciada em 1998, identificou nas terras de Zumbi dos Palmares a comunidade com os indicadores de pobreza mais elevados de todo o Brasil. Em 2011, neste ex-latifúndio nasceu uma experiência piloto orientada para iniciar um processo endógeno de geração de emprego e renda/rendimento, especialmente para os jovens.

A iniciativa visava a formação do homem como um ser solidário e fraterno, potencializando os esforços coletivos para transformar a realidade a favor de todos: o projeto “Ações de desenvolvimento local na Comunidade de Zumbi dos Palmares na perspectiva da comunhão”.

Seu promotor é o “Instituto por um Mundo Unido” (IMU), nascido em Maceió por iniciativa de aderentes locais ao Movimento dos Focolares, atuando em estreita colaboração com a associação Ações por um Mundo Unido (AMU) e com a Economia de Comunhão. Vinte
pessoas da comunidade de Branquinha, na maioria mulheres, empenhadas diretamente e beneficiárias das atividades previstas pelo projeto, recentemente constituíram a “Associação Aproagro”: todos fortemente motivados a colocar em prática os valores da EdC no contexto produtivo local, e a difundi-los nas comunidades vizinhas.

Quando, há alguns anos, os voluntários do IMU apresentaram a ideia da EdC na região de Zumbi dos Palmares, a firme adesão destes agricultores, pobres mas dignos, foi imediata. Algumas famílias se comprometeram em praticar esse novo modo de trabalhar e a fazer com que a qualidade de seus produtos espelhasse este empenho. A partir daí amadureceu a decisão de aderir à “agroecologia” (nada de substâncias tóxicas, conservação do solo, envolvimento familiar e social do agricultor). Trata-se de um modo de trabalhar apoiado pelo Ministério da Agricultura e pela Universidade Federal de
Alagoas (UFAL), na qual o coordenador da EdC, Luigino Bruni, foi hóspede, e onde um grupo de estudantes de vários cursos está completando um trabalho de pesquisa interdisciplinar na comunidade de Branquinha.

Depois de um ano de estudo com a AMU, em busca do tipo de intervenção mais adequada, foram identificados três setores: agricultura, produção de doces com os frutos da lavoura, e artesanato, utilizando fibra de madeira (serragem) local. Ao mesmo tempo, realizava-se um processo de formação profissional para os futuros trabalhadores desta atividade, e o IMU desenvolvia para todos os membros da comunidade um programa de formação sobre a Economia de Comunhão. Isso envolvendo de modo amplo todas as
famílias da região, a partir de um questionário individual e plenárias.

Contemporaneamente, a este trabalho, era construído um pequeno edifício para hospedar as atividades produtivas como “incubadoras”. Tratava-se de um lugar de formação e de produção, ao mesmo tempo, equipando-o com o maquinário necessário. Portanto, passou-se para a fase operativa que previa atividades de formação e consultoria para o início das atividades produtivas com o propósito, se o experimento desse resultado positivo, de prosseguir em maiores dimensões, criando um verdadeiro “polo produtivo” da comunidade, administrado e animado pelo espírito da Economia de Comunhão.

Report 2012 2013 Progetti

Hoje, o imóvel acolhe três atividades produtivas previstas e foram iniciados programas de formação técnica e de acompanhamento. A capacidade de relacionamento dos membros do IMU com as autoridades de Branquinha, com os técnicos estaduais e com a UFAL, possibilitou realizar uma intervenção integrada, compartilhada e
participada. Os produtores de Zumbi dos Palmares semanalmente vendem os seus produtos na universidade e, recentemente,
participaram de uma feira temática, ganhando um prêmio.

Em breve, a Ong “Casa Digital do Campo”, que defende a inclusão digital no Brasil, intercederá para equipar também esta zona rural com Internet. Isso é importante para ampliar a capacidade de formação dos produtores e criar contatos com uma comunidade de potenciais interessados e clientes.

As “raízes” colocadas em mais de dez anos de trabalho e empenho no contato e na formação da população, ultrapassando as inevitáveis dificuldades, são hoje a melhor garantia para o futuro. Os valores da EdC já são um patrimônio desta comunidade; tanto é verdade que, acolhendo visitantes externos, as palavras como “EdC”, ou “fraternidade” são mostradas como pilares dos relacionamentos entre eles.

Olhando para o futuro: foi preparado um plano estratégico de desenvolvimento das três pequenas empresas, baseado especialmente no acesso ao mercado da cidade de Maceió. Para a venda destes produtos – a fruta, os doces e os pequenos
artesanatos –, o ponto forte terá que ser a qualidade e o espírito de quem os produz. Neste sentido está sendo elaborada uma marca comercial que sintetize esta experiência de vida e de resgate cultural. Pode-se dizer, portanto, que é mais um passo para
erradicar a marginalização e a miséria.

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