notiziario EdC - 28

n-28Noticiário EdC

cover_n.28"Economia de Comunhão - uma nova cultura"
nº 28 - dezembro de 2008

 

 

 


Editorial

Una "Voce Chiara" - Uma Voz Clara* 

de Alberto Ferrucci
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

* - Nota do Trad.: No original italiano, o autor faz um jogo de palavras com o apelido da nova presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, que significa “voz” e o nome da sua fundadora, Chiara Lubich, que significa “clara”.  

n28_pag._03_alberto_ferrucci "Em 2001, a cidade de Génova atribuiu a Chiara Lubich o título de cidadã honorária, justamente no ano do G8, uma altura em que a distância entre os homens parecia muito grande; hoje, o ano de 2008 aparece-nos novamente como um ano emblemático, no qual a força da economia nada pode fazer se não for combinada com outros ideais como os preconizados pela fundadora do Movimento dos Focolares."

Estas palavras proferidas por Claudio Burlando, Presidente da Região da Ligúria, encontraram eco na sala lotada do Conselho Maior do Palazzo Ducale, onde as instituições genovesas quiseram lembrar a honra concedida a Chiara sete anos antes.


Saudações a Chiara

da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

Roma, Catedral de São Paulo

Exéquias de Chiara Lubich

18 de março de 2008

Bento XVI ao Cardeal Tarcísio Bertone
“...são muitos os motivos para dar graças ao Senhor pelo dom feito à Igreja nessa mulher de fé intrépida, mansa mensageira de esperança e de paz, fundadora de ampla família espiritual que abraça múltiplos campos de evangelização...
O guia seguro pelo qual se orientar era para ela o pensamento do Papa. Mais, ao vermos as iniciativas que suscitou, poder-se-ia afirmar até que possuía quase a profética capacidade de intuí-lo e de realizá-lo com antecedência. A sua herança passa agora para sua família espiritual. Que a Virgem Maria, modelo constante de referência para Chiara, ajude... a fazer com que a Igreja... seja cada vez mais casa e escola de comunhão.”

Cardeal Tarcisio Bertone

“O século XX... é o século em que Deus suscitou inumeráveis e heróicos homens e n28_pag._04_card._bertone.jpgmulheres... Chiara

Lubich tem seu lugar nessa constelação... com estilo silencioso e humilde... suscita pessoas que sejam elas mesmas amor,... no Brasil, para ir ao encontro das condições dos que vivem nas periferias das metrópoles, lançou o projeto de uma ‘Economia de Comunhão na liberdade’, apresentando uma nova teoria e prática econômica baseada na fraternidade, para um desenvolvimento sustentável em benefício de todos. Queira o Senhor que muitos estudiosos e agentes econômicos assumam a economia de comunhão como um sério recurso para programar uma nova ordem mundial partilhada!”


O meu encontro com Chiara

de Stefano Zamagni
da revista "Economia de Comunhão - uma nova cultura"  nº.28 - Dezembro 2008

n28_pag._05_stefano_zamagni.jpgA Economia de Comunhão foi a ocasião e o caminho que me levou a encontrar Chiara há já quase quinze anos. Esse encontro estabeleceu as bases para uma profunda amizade e fecunda. Já muito foi dito e escrito sobre Chiara, sobre o seu carisma, o seu pensamento e a sua obra. Se, mesmo em um estado de intensa comoção, decidi acrescentar algumas linhas à já extensa literatura sobre a figura humana verdadeiramente privilegiada, é para falar, muito brevemente, daqueles traços característicos da sua personalidade fora do comum e que mais me impressionaram.

A primeira é a sensibilidade como declaração de confiança na vida. Quem é sensível está atento, reverente para o outro, prontos para ver, interessado em descobrir. Chiara desejou elevar a sensibilidade, como um princípio de método do movimento por ela fundado. A especial atenção dos focolarinos no cuidado pelo belo como um caminho para a recuperação da verdade e da bondade, é um sinal eloquente. Chiara fez sua, traduzindo-a em obras, a célebre afirmação de Hans von Balthasar: "em um mundo sem beleza ... até mesmo o bem perdeu seu poder de atracção ... Em um mundo que já não se considera capaz de afirmar o belo, os argumentos a favor da verdade esgotaram a sua força".


A Economia "chiariana"

por Luigino Bruni
de "Economia de Comunhão - uma cultura nova"  nº 28 - Dezembro 2008

A EDC é um projecto económico que nasce de um carisma, de um dom para a humanidade de hoje. Já on28_pag._06_luigno_bruni_1 referimos por várias vezes, inclusive neste noticiário, quando recordámos que cada experiência económica (e não só) que nasce de um carisma tem pontos seus bem específicos, que são diferentes das experiências que resultam de interesses e da busca de lucros.

Em especial, a nota principal da economia carismática é o princípio da gratuitidade: actua-se, trabalha-se e produz-se sem utilizar ou explorar as pessoas, as coisas, ou a si próprios, mas respeitando-os e amando-os como bens em si.

Agora perguntemo-nos: existe um princípio específico do carisma da unidade, do qual vem a EdC, dentro da grande história carismática de ontem e de hoje? E quais são as suas consequências na prática económica e civil?


O destino dos Lucros EdC

de Leo Andringa
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

Pelos pobres
n28_pag._12_leo_andringa_3.jpgHá tempo a Comissão Central de Economia de Comunhão, à qual está confiada a tarefa de administrar tanto os lucros das empresas como a “contribuição extraordinária” – essa última nascida em 1994 para integrar as remessas dos lucros das empresas, ainda insuficientes para as necessidades dos pobres -, percebe a exigência de tornar mais transparente a utilização dos fundos disponíveis.

O que se quer, assim, é aumentar a “comunhão” entre todos, levando em consideração que nas empresas trabalham pessoas das mais diversas convicções e culturas, às quais é importante transmitir o valor social, cultural e humano do projeto EdC. Por essa razão, foi solicitado, desde 2008, às empresas EdC que remetessem a metade dos lucros partilhados, a que é destinada aos pobres, à Ação por um Mundo Unido (AMU), a ONG do Movimento dos Focolares, nascida para financiar projetos de desenvolvimento nas regiões do mundo com mais dificuldades.


Projetos para criar trabalho

de Francesco Tortorella
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

Desde o tempo da primeira comunidade do Movimento dos focolares, em Trento, n28_pag._09__francesco_tortorella.jpgdurante a Segunda Guerra Mundial, o Carisma da Unidade sentira a necessidade de fazer com que “entre eles não houvesse nenhum necessitado”, como nos primeiros tempos do cristianismo. Nos anos 80, o Movimento tinha enfrentado de modo sistêmico o mundo da economia e do trabalho com suas problemáticas sociais e se manifestara a exigência de um organismo dedicado a sustentar as atividades sociais que em todo o mundo eram inspiradas pelo Carisma..

Nascia assim a Ação por um Mundo Unido, AMU, hoje ONLUS, reconhecida pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália para a cooperação internacional. Nos anos 90 a AMU começava a colaborar com a EdC, indo além da distribuição dos lucros para situações de emergência (necessárias, porém, em relação a pessoas anciãs e doentes) e enfrentando o resgate da indigência, com a formação profissional e a criação de postos de trabalho autônomo.

Essas intervenções se concretizaram por meio de projetos produtivos que se tornaram possíveis pelas contribuições a fundo perdido ou pequenos empréstimos sem avalista, com baixas taxas de juro. O compromisso para a EdC e para a AMU é crescente e absorvente e se trabalha para que esses projetos cresçam cada vez mais em número e em qualidade.

Ano  Projetos  Valor financiado (€)    Beneficiários     Países

2006       1                12.121,76                    20             Brasil
2007     11                24.443,10                    75             Brasil,  Bulgária, Croácia, Macedónia, Sérvia
2008       5                12.864,72                   30              Bulgária, Chile, Indonésia
2009     15                52.518,78                  120             Argentina, Brasil, Croácia, Camarões,  

                                                                                  Costa do Marfim, Indonésia, Méxiico

 


A cultura EdC e Sophia

de Giampietro Parolin
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

n28_pag._10_giampietro_parolin.jpg O hino glorioso e solene do coro dos estudantes marcou bem o momento histórico vivido no auditório de Loppiano, no dia 01 de dezembro. O nascimento do Instituto Universitário Sophia é um evento cujo alcance mal conseguimos vislumbrar. Realiza-se o sonho de Chiara Lubich, uma universidade onde a espiritualidade se faz cultura num projeto que no próprio título de mestrado exprime a novidade: “Fundamentos e perspectivas de uma cultura da unidade”.

n28_pag._10_piero_coda.jpg O que Sophia quer ser, já o explica bem seu presidente, Piero Coda: “um laboratório de formação e de pesquisa no qual se juntam os vínculos profundos entre vida e pensamento, entre estudo e experiência. É um instituto universitário que olha para o futuro, atento às instâncias que o nosso tempo oferece para que o homem de hoje e de amanhã – como gostava de repetir Chiara Lubich – se torne cada vez mais homem-mundo”. Sophia já é um lugar de diálogo em várias dimensões.


O novo site web da EdC

www.edc-online.org

de Antonella Ferrucci
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

Está on-line desde agosto o novo site da EdC, www.edc-online.org.  n28_pag.11_schermata_edc_francia.jpg
O site quer ser antes de mais nada um instrumento atraente e atual para quem estiver interessado na Economia de Comunhão. Fornece notícias sobre os eventos e sobre as publicações em andamento e dá uma ideia do projeto em 360 graus. Além disso, o novo site pretende ser cada vez mais um “receptáculo” de assuntos inerentes à EdC que possam ser lidos, impressos, enviados a quem quisermos: artigos, ensaios, intervenções em congressos, experiências das empresas, relatos, relatórios sobre os lucros, cartas dos indigentes... Portanto, um instrumento para o “anúncio” da EdC.


A ajuda aos indigentes, em 2008

de Francesco Tortorella
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

n28_pag._13_rapporto_edc08.jpgDesde seu nascimento, em 1991, a EdC teve um objetivo principal, contribuir para realizar uma comunidade sem nenhum necessitado. Ela se apresentou logo como um desenvolvimento natural da experiência de comunhão espontânea dos bens que o Movimento dos focolares vivia desde os anos 40, antes na comunidade de Trento e, aos poucos, em todo o mundo. Por isso, também a partilha dos lucros das empresas EdC foi vivida desde o início de maneira espontânea, no espírito de família, onde simplesmente quem tem mais reparte com quem tem menos. .

Se essa espontaneidade contribuiu, no correr dos anos, para fazer crescer o espírito de família e a confiança recíproca entre todas as pessoas envolvidas no projeto EdC, cresceu também, à medida que aumentava o número das empresas e das pessoas envolvidas, a exigência de transparência sobre a gestão das ajudas, como contributo ulterior à comunhão e à reciprocidade.


O Forum de Solidar-One a Montecarlo

A pedagogia de comunhão

deBernadette Esmenjaud
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

n28_pag._14_bernardette_esmenjaud.jpg

No dia 30 de novembro, o tempo estava péssimo e a autoestrada dei Fiori que traz recordações de ensolaradas férias na praia estava bloqueada por granizo e neve. Embora não sendo turistas nem amantes da Fórmula Um, quase mil pessoas chegaram da Itália e do sul da França para o congresso Solidar-One. Realizado no Auditório Ranieri III, de Montecarlo, o evento foi idealizado e animado por Carlo Pigino com seu amigo Fabio Vitale e apoiado pelos membros das comunidades dos Focolares do sul da França.


 

A experiência de Teresa Ganzon, banqueira Filipina, membro da Comissão Internacional de Economia de Comunhão

Uma nova forma de ser banco

por Teresa Ganzon
de "Economia de Comunhão - una nova cultura"  nº 28 - Dexembro de 2008

n28_pag._16_teresa_ganzon_2.jpgEm 2 de Fevereiro de 2008 fui convidado a apresentar em Paris, com meu marido Francis, a experiência do nosso banco rural, o Bangko Kabayan no âmbito do fórum sobre "Economia de Comunhão e Microfinança" organizado pela UNESCO, perante cerca de 500 participantes. Esta visita permitiu-nos ouvir o testemunho de um grupo de empresários EdC franceses provenientes de duas comunidades de fé: Focolares e Emmanuel.

Era uma novidade para nós, que tínhamos sempre associado a Economia de Comunhão com o Movimento dos Focolares. O facto de termos tomado conhecimento deste modelo sugeriu-nos a possibilidade de expandir a nossa proposta económica aos que sentimos mais próximos do espírito da Economia de Comunhão, mesmo que provenientes de outras comunidades de fé.


Notícias da América Latina

de Alberto Ferrucci
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

Recife: Polo Ginetta
n28_pag._21_armando_tortelli.jpg"“Finalmente, chegaram todas as autorizações. Meu filho Gabriel foi resolver com Marcos todos os últimos detalhes para o início das atividades em janeiro” – escreve Armando Tortelli, que, com Marcos Gugel, de Recife, está começando no polo uma filial da Prodiet Farmaceutica (a empresa que, junto com Roseli e mais três de seus cinco filhos, Armando gerencia em Curitiba e no Polo Spartaco, perto de São Paulo).

“É dar tudo – continua Armando -; a crise financeira fez decolar o custo do dinheiro e esta não é a hora certa para novos investimentos. Sinto, porém, que nosso trabalho na EdC não deve seguir os indicadores do momento. Mas é a hora de renascer, ser criança, dar tudo e acreditar. Foi o que nos confirmou o “Banco do Nordeste”, que, apesar das turbulências financeiras, acreditou no nosso projeto e nos concedeu uma importante linha de crédito a juros muito inferiores aos atuais dos bancos comerciais. Um belo sinal de Deus.”


O “pequeno sínodo” EdC

de Benedetto Gui
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

A EdC está num momento de mudança. Depois de dezessete anos, o primeiro entusiasmo não é mais suficiente. É preciso uma adesão mais madura, capaz de não nos desencorajar pelos insucessos ou atrasos, mas de estabelecer com perseverança as bases da economia inspirada na fraternidade e, ao mesmo tempo, sustentável e vital, que a profecia de Chiara Lubich deixou perceber.

n28_pag._19_benedetto_gui.jpgAo relatar o encontro anual dos responsáveis da EdC realizado em Castelgandolfo, de 23 a 26 de outubro passado, parece ser essa a melhor chave de interpretação. Para caracterizar suas finalidades de diálogo e de relançamento do projeto EdC, alguém falou de “pequeno sínodo”. No papel de “padres (e madres) sinodais” estavam os membros das comissões locais europeias, com significativas presenças dos outros continentes; ao todo, algo mais que 150 pessoas.

Falar de diálogo é muitíssimo apropriado. O programa dos trabalhos girou em boa parte em torno da discussão de um esboço do regulamento da EdC, que poderia ser aprovado por ocasião dos vinte anos do projeto, que será celebrado no Brasil em 2011, junto com a versão atualizada das “Linhas para Conduzir uma Empresa EdC” (um esboço provisório das Linhas reelaboradas durante o Congresso Internacional EdC, de novembro de 2007, está ao lado). Além das ideias, emergiram também a diversidade e a riqueza da experiência feita até aqui, o que é sempre a coisa mais valiosa e vital a ser comunicada.


Apresentamos aqui uma proposta de atualização das orientações  que as empresas aderentes à Economia de Comunhão se comprometeram seguir desde o final do ano de 1997. As orientações foram elaboradas para fazer com que cada aspecto da vida empresarial seja fiel à inspiração da qual nasceu o Projeto e ao mesmo tempo, para tornar visíveis os efeitos da lógica da comunhão nas estruturas da vida económica. Nesta versão, fruto de um trabalho de revisão iniciado durante o Congresso Internacional Edc de Novembro de 2007, foram ajustadas, em especial as duas primeiras seções, para se tornar mais clara a Identidade do Projeto e consequentemente os seus princípios organizativos.

Linhas para a gestão de uma empresa de Economia de Comunhão

Binari_ridO Projeto Economia de Comunhão (Edc) tenciona promover uma visão do agir económico como compromisso para a promoção integral das pessoas e da sociedade, através de ações e comportamentos inspirados na fraternidade..

Embora tendo em vista a natural satisfação das exigências materiais próprias e dos outros, tal agir económico é orientado para o constante respeito e a plena valorização da dignidade de todas as pessoas envolvidas na vida da empresa, quer sejam trabalhadores, clientes, fornecedores, ou financiadores. Com o mesmo respeito e valorização o projeto dará atenção também aos relacionamentos com a sociedade civil, nas suas variadas instituições, e ao ambiente natural.  

A economia de comunhão trabalha para estimular a passagem da economia e de toda a sociedade da cultura do TER para uma cultura do DAR e da fraternidade universal. Esta propõe a livre adesão do mundo económico. A adesão comporta o compromisso a tender constantemente para um  agir quotidiano segundo a prática descrita nas presentes orientações.

 

Empresários, trabalhadores e empresa

As empresas que aderem à economia de comunhão definem a sua própria "missão empresarial” adotando a comunhão como um valor fundamental da sua organização. Estas utilizarão técnicas e soluções organizacionais que promovam a eficiência, a participação na tomada de decisões e o espírito de equipa.

As funções e cargos organizacionais, começando pelas de maior responsabilidade, estarão claramente definidas eimpresa-france exercidas com um espírito de serviço. O estilo de gestão será participativo e orientado para a prossecução de objetivos específicos, mensuráveis e realizáveis. Estes objectivos serão adequadamente verificados de forma transparente, tendo atenção para com a qualidade das relações entre as partes envolvidas, acordando ações corretivas para a melhoria do atuar na empresa.

A pessoa humana é o coração da empresa. Os gestores procurarão valorizar ao máximo os talentos de cada trabalhador, incentivando a sua criatividade, a assumir responsabilidades, o crescimento das competências profissionais, as capacidades relacionais e a participação na definição e realização dos objetivos empresariais. Uma atenção especial e, se possível, explícitas formas de ajuda devem ser orientadas para quem se encontra em condições difíceis.

As decisões de investimento que a empresa assume acontecerão no respeito pelos planos que garantam o equilíbrio económico e financeiro. Uma particular atenção se deve dar às iniciativas que promovam a formação de novas atividades e novos postos de trabalho. A empresa deve ser gerida de forma a promover a obtenção de lucros. Os empresários / sócios que aderiram ao projeto, comprometer-se-ão a destiná-los:

  • para o crescimento da empresa,
  • para ajudar pessoas necessitadas a sair da sua condição - começando com aqueles que partilham a cultura do dar,
  • para a divulgação desta cultura,

atribuindo a estes três objetivos igual importância

Caso a adesão de um dos sócios não seja compartilhada pelos outros sócios, o compromisso de partilhar os lucros, de acordo com os objectivos do projeto, é limitado às quotas pertencentes a quem aderiu.

 

O relacionamento com os clientes, os fornecedores, os financiadores, a sociedade civil e os sujeitos externos

laboratorio-brasile

A empresa comprometer-se-á a fornecer bens e serviços úteis e de qualidade a preços justos, com especial atenção às necessidades explícitas e implícitas dos clientes. Os membros comprometem-se a agir com profissionalismo para construir e reforçar boas relações e abertura com os clientes, os fornecedores e com a comunidade do território em que atuam.

A empresa relacionar-se-á de forma leal com os concorrentes, apresentando o valor real dos seus produtos e abstendo-se de minimizar negativamente os produtos de outrem, consciente de que tudo isto permite enriquecer a empresa de um capital intangível constituído por relações de estima e de confiança com os responsáveis de empresas fornecedoras ou clientes, ou da administração pública.

Ética

O trabalho é visto como um meio de crescimento não só profissional, mas também interior.

A empresa comprometer-se-á a respeitar concretamente as leis e a atuar para a melhoria da legislação que considerar nociva para o bem comum. Manterá umazienda-brasile comportamento correcto em relação ao fisco, órgãos de controlo, sindicatos e entidades institucionais.

Ao definir a natureza e a qualidade dos seus produtos, a empresa comprometer-se-á não só a respeitar as suas obrigações contratuais, mas também a avaliar os efeitos dos próprios produtos sobre o bem-estar das pessoas a quem se destinam e sobre o ambiente.

Qualidade de vida e de produção

Schmiede by Libär Um dos objetivos fundamentais de uma empresa de economia de comunhão é tornar-se uma verdadeira comunidade. Para este efeito serão planeadas reuniões regulares para verificar a qualidade das relações interpessoais e para ajudar a resolver situações difíceis, conscientes de que o compromisso para a resolução destas dificuldades pode gerar efeitos positivos sobre os membros da empresa, estimulando a inovação, o crescimento da maturidade e da produtividade.

A saúde e o bem-estar de cada membro da empresa serão objeto de atenção, sobretudo para com aqueles que têm necessidades especiais. As condições de trabalho deverão ser adequadas ao tipo de atividades, sendo assegurado o respeito das normas de segurança, a ventilação adequada, níveis toleráveis de ruído, iluminação adequada, e assim por diante. Tentar-se-á evitar a excessiva carga horária, a fim de que ninguém esteja sobrecarregado, e programar-se-ão adequados períodos de férias.

Harmonia no ambiente de trabalho

A empresa adotará sistemas de gestão e estruturas organizacionais que promovam tanto o trabalho de grupo como a iniciativa e o crescimento individual. A meta será a de criar um ambiente de trabalho caracterizado por um clima descontraído e de relações amistosas e baseado no respeito, na confiança e Polo_Spartaco_AVN_ridestima recíprocas.

Os responsáveis devem assegurar que as instalações estejam o mais possível bem limpas, organizadas e agradáveis, de tal modo que a sua harmonia faça sentirem-se bem os trabalhadores, proprietários, clientes e fornecedores. Além disso eles também se esforçarão para que todos possam adotar e difundir este modo de agir.

Formação e instrução

seminarioA empresa incentivará que entre os seus membros seja criado um ambiente de apoio mútuo, de respeito e de confiança, no qual se torne natural colocar livremente à disposição os próprios talentos, ideias e competências para beneficiar o desenvolvimento profissional dos colegas e o progresso da empresa.

A Direção adotará critérios de seleção do pessoal e de programação do desenvolvimento profissional para os trabalhadores a fim de facilitar o estabelecimento dessa atmosfera.
Para permitir a cada um que atinja os objetivos, quer do interesse da empresa quer pessoal, a empresa dará oportunidades de atualização e aprendizagem contínuas.

Dentro dos limites das suas possibilidades concretas, a empresa comprometer-se-á a promover a formação profissional e a formação na cultura de comunhão dos seus funcionários e dos jovens interessados pelo projeto.

Comunicação

Os empresários que aderem à Economia de Comunhão trabalharão constantemente para criar um clima de comunicação aberta e sincera, o que facilita a troca de ideias entre todos osvideo-conference_2229569056 níveis de responsabilidade.

Os empresários estarão abertos tanto para aqueles que apreciem o valor social da sua empresa e se tornem disponíveis para contribuir para o seu desenvolvimento, como para aqueles que, interessados pela cultura do dar, desejem aprofundar os diferentes aspectos da sua experiência concreta.

Para este efeito utilizarão as ferramentas adequadas para prestação de contas periódica (p. ex.: "balanço social") que demonstrem com fatos o valor social gerado pelas diversas partes interessadas na atividade empresarial.

As empresas orientadas de acordo com a Economia de Comunhão, também com vista ao desenvolvimento de relações  econômicas  reciprocamente úteis e produtivas, utilizarão os mais modernos meios de comunicação para se ligarem entre eles quer a nível local quer internacional.

Os empresários que aderem à  Economia de Comunhão, conscientes da valência cultural e política que o êxito do projeto comum poderá  comportar, manterão sempre vivo entre eles, a nível local e internacional, um espírito de solidariedade e apoio mútuo.


Vinte e nove teses de Licenciatura

de Antonella Ferrucci
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

n28_pag._11_antonella_ferrucci.jpgÉ interessante ver como a adesão ao projeto EdC traz muitas consequências concretas no âmbito da organização empresarial, da percepção do sentido do próprio trabalho e da qualidade de vida na empresa, bem como da sensibilidade às relações interpessoais e às problemáticas ambientais, na ótica da construção de uma sociedade mais justa na qual ninguém seja excluído.

As 20 novas teses que vocês encontrarão a seguir analisam muitíssimos desses aspectos e os põem em confronto com outras realidades já sensíveis a eles, como a Responsabilidade Social das Empresas, ou a “Workplace Democracy”. Essas “novas categorias”, até há pouco ignoradas pela ciência econômica, são analisadas e avaliadas também por meio de novos instrumentos como o “RainbowSore”. Fica particularmente em evidência a importância do capital humano e de relações. A visão de comunhão traduz-se em inovações de gerência no plano administrativo, controle e coordenação. Citando, enfim, Stefano Norcia: “o ‘combustível’ do projeto EdC é a orientação estratégica de fundo de todo colaborador, a tal ponto enraizado em cada qual que indica o caminho correto de ação a ser realizada”.


Diálogo com os leitores

de Alberto Ferrucci
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

I frutti di una tesi di laurea
rodrigo_dias_de_oliveira.jpgTenho 25 anos e, mesmo tendo duvidado que o fato de me aplicar a essa disciplina dificilmente teria contribuído para meu desejo de trabalhar por uma sociedade mais justa e fraterna, obtive a licenciatura em Contabilidade. Terminados os exames, ao pretender preparar uma tese sobre a “EdC-novo paradigma na gestão dos resultados” e por saber que nenhum dos professores conhecia o projeto, convenci a potencial orientadora da minha tese a participar do Congresso EdC na cidadezinha Santa Maria, durante o qual seria inaugurado o Polo produtivo Ginetta.


Reconhecimento à EdC e a seus protagonistas

deAntonella Ferrucci
da "Economia de Comunhão - uma cultura nova" nº 28 - Dezembro de 2008

Onorificenza del Governo Argentino a Cristina Calvo
n28_pag._17_cristina_calvo_2.jpgPor ocasião do aniversário da “Declaração Universal sobre a eliminação da intolerância e da discriminação devido às convicções pessoais”, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, por meio do Embaixador Guillermo Oliveri, concedeu, em 25 de novembro de 2008, condecoração a renomadas personalidades, entre as quais Cristina Calvo - focolarina, membro da Comissão Internacional de Economia de Comunhão, dirigente da Caritas para a América Latina e do Comitê latinoamericano da Conferência Mundial das Religiões pela Paz – “por seu empenho, tanto no país como no âmbito internacional, na promoção de uma sociedade pluralista e inclusiva e por seu trabalho na construção da paz, do diálogo e da promoção dos direitos invioláveis da pessoa”.

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