Também o WSJ cita a Encíclica e a Edc

 

O artigo, publicado a 7 de Julho, cita vários trechos da Encíclica 

Também o WSJ cita a Encíclica "Caritas in Veritate" e a Edc 

No passado dia 7 de Julho, o ‘Wall Street Journal’ publicou um breve artigo em que são citados alguns trechos da nova Encíclica papal, “Caritas in Veritate”.

Entre outros é citado um passo em que o Papa se refere à “assim chamada ‘economia civil’ e ‘economia de comunhão’… uma nova e ampla realidade complexa que engloba os sectores privado e público, e que não exclui o lucro, antes o considera um instrumento para a realização das finalidades humanas e sociais… Espera-se que estes novos tipos de empresas consigam encontrar em todos os países uma estrutura jurídica e fiscal adequada”.

Segundo a interpretação do ‘WSJ’, nestas passagens o Papa exprime a “necessidade de utilizar a economia para a assistência aos pobres e para cuidar do ambiente, mas ao mesmo tempo também suporta a globalização como meio para o combate à pobreza, apoiando a ideia de um mercado livre”.

ver o artigo:Pope Weighs In on Financial Crisis (em língua inglesa)

Eis algumas das passagens deste artigo:

«A Igreja defende, desde sempre, que o agir económico não deve ser considerado anti-social. O mercado não é, portanto não deve tornar-se, em si mesmo o lugar da supremacia do forte sobre o fraco. A sociedade não deve proteger-se do mercado, como se o desenvolvimento deste conduzisse ‘ipso facto’ à morte das relações autenticamente humanas. É certamente verdade que o mercado pode ser orientado em sentido negativo, não por ser esta a sua natureza, mas porque uma determinada ideologia o pode orientar nesse sentido. Não se deve esquecer que o mercado não existe em estado puro. Ele colhe as suas formas das configurações culturais que o especificam e o orientam. Com efeito, a economia e a finança, enquanto instrumentos, podem ser mal utilizados, quando aqueles que as gerem têm referências meramente egoísticas. Assim, pode-se conseguir transformar instrumentos bons de por si em instrumentos prejudiciais. Mas é a razão humana obscurecida que produz estas consequências, não o instrumento em si mesmo. Portanto, não é o instrumento que deve ser posto em causa, mas sim o homem, a sua consciência moral e a sua responsabilidade pessoal e social.


A economia, de facto, precisa da ética para o seu correcto funcionamento: não de uma ética qualquer, mas sim de uma ética amiga da pessoa. Hoje em dia, fala-se muito de ética no campo económico, financeiro, empresarial..

Considerando as temáticas relativas à relação entre empresa e ética, para além da evolução que o sistema produtivo está a conhecer, parece que a distinção generalizada até hoje entre empresas de finalidade lucrativa (profit) e organizações sem fins lucrativos (non profit) já não responde completamente à realidade, nem pode dar uma orientação para o futuro. Nestas últimas décadas foi emergindo uma ampla área intermédia entre estas duas tipologias de empresas, constituída por empresas tradicionais que, na realidade, subscrevem um pacto de ajuda aos países pobres; por fundações que são expressão de uma empresa singularmente; por grupos de empresas cuja finalidade é a utilidade social; por uma grande variedade de sujeitos da chamada economia civil e de comunhão.
Não se trata apenas de um ‘terceiro sector’, mas de uma nova ampla realidade complexa, que engloba os sectores privado e público e que não exclui o lucro, antes o considera um instrumento para a realização das finalidades humanas e sociais. O facto de estas empresas distribuírem ou não os rendimentos, ou que assumam uma ou outras das configurações previstas pelas normas jurídicas, torna-se secundário relativamente à sua disponibilidade para conceber o lucro como um instrumento para atingir a finalidade da humanização do mercado e da sociedade. É desejável que estas novas formas de empresa encontrem também, em todos os países, uma adequada configuração jurídica e fiscal. Estas, sem tirar nada à importância e utilidade económica e social das empresas de carácter tradicional, fazem evoluir o sistema em vias de uma mais clara e completa assumpção dos deveres, por parte dos sujeitos económicos. Não só. É a própria pluralidade das formas institucionais de empresa a gerar um mercado de carácter mais civil e, ao mesmo tempo, mais competitivo.


É preciso, de resto, que a finança enquanto tal, nas necessariamente renovadas estruturas e modalidades de funcionamento, após a sua má utilização que danificou a economia real, se torne um instrumento ao serviço de uma melhor produção de riqueza e de desenvolvimento. Toda a economia e toda a finança, e não só alguns dos seus segmentos, devem, enquanto instrumentos, ser utilizados de modo ético, de modo a criar as condições propícias para o desenvolvimento do homem e dos povos. É certamente útil, e até indispensável em certas circunstâncias, dar vida a iniciativas financeiras em que a dimensão humanitária seja dominante.
Isto porém não deve fazer esquecer que todo o sistema financeiro tem como finalidade a sustentação de um verdadeiro desenvolvimento. Sobretudo é necessário que a intenção de fazer o bem não se contraponha ao de efectiva capacidade de produzir bens. Os operadores da finança devem redescobrir o fundamento propriamente ético da sua actividade, para não abusar dos instrumentos sofisticados que podem servir para trair os clientes. Recta intenção, transparência e procura de bons resultados são compatíveis e nunca devem ser separados. Se o amor é inteligente, sabe encontrar também os modos para operar segundo uma previdente e justa conveniência, como indicam, de maneira significativa, muitas experiências no campo da cooperação de crédito».

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