Um homem chamado Job

Nesta categoria encontram-se os editoriais de Luigino Bruni da série "Um homem chamado Job" que comentam o livro de Job/Jó, publicados em Avvenire desde 15 de março 2015

 

O cântico que não pode acabar

Um homem chamado Job / 17  - No poema da vida, a primeira e a última hora são sempre dom

de Luigino Bruni

Publicado no Avvenire em 05/07/2015

logo Giobbe

Sou eu, em Job, que canto; é o homem que existe e, se se quiser, é o próprio homem que pode ver através deste livro – o mais seu – para encontrar a luz que vai procurando. Porque, depois de Job, acerca do problema da nossa vida, por parte do homem, de novo não se disse mais nada.

David Maria Turoldo, De uma casa de lama – Job

Era uma vez, um homem chamado Job, com muitos bens, filhos e filhas, abençoado por Deus e pelos homens. Um dia, uma terrível desgraça se abate sobre ele e a sua família, e aquele homem aceitou, com paciência, o seu destino desventurado: “Saí nu do ventre de minha mãe e nu hei-de voltar ao seio da terra”. Amigos e parentes, sabendo da sua desgraça e conhecendo a sua justiça, vieram junto dele para celebrar o luto, consolá-lo e ajudá-lo.

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No encontro não há maldição

Um homem chamado Job/16 - Enquanto formos capazes de fazer perguntas, somos livres, também com Deus

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 28/06/2015

logo GiobbeVoltei a Job, porque não posso viver sem ele, porque sinto que o meu tempo, como qualquer tempo, é o de Job; e que, se isto não acontece, é apenas por inconsciência ou ilusão.

David Maria Turoldo, De uma casa de barro – Job

Frequentemente, os pobres são privados da dignidade de se interrogar sobre o porquê da sua pobreza. Convencemo-los de que o erro não está na nossa falta de respostas, mas nas suas perguntas erradas, impertinentes, soberbas, pecaminosas. A ideologia das classes dominantes persuade as vítimas que pedir explicações sobre a sua miséria e sobre a riqueza dos outros é ilícito, imoral, até mesmo irreligioso.

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Um Deus que sabe aprender

Um homem chamado Job/15 – A alma mantém-se viva enquanto procura Aquele que não responde

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 21/06/2015

logo GiobbeNo final da luta que ele, à partida, sabe estar perdida – como pode o homem ter esperança de vencer Deus? – Job descobre um método ingénuo para perseverar na sua resistência: fingirá ceder antes mesmo de se empenhar na batalha. … Compreendemos assim que, apesar das aparências ou por causa delas, Job continua a interrogar o céu.

Elie Wiesel, Personagens bíblicos através de Midrash

Muito esperado e desejado, ao longo de muito tempo, quando o encontro decisivo chega, é normal que desiluda. O encontro que se imaginava e esperava era grande demais; o encontro real não o poderia saciar. Sonhado, e mil vezes ‘visto’ na alma, as primeiras palavras nossas e as do outro-a já tinham sido antecipadas, o fato novo provado, o nosso, e entrevisto, o seu; já se tinham sentido cheiros, ouvido sons.

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A outra mão do Omnipotente

Um homem chamado Job /14 - No céu da fé até as nuvens ajudam a ouvir Deus

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 14/06/2015

logo GiobbeSeparando por meio do sacrifício expiatório a infeção da culpa – que sempre acompanha o homem – das suas catastróficas consequências, a ordem sagrada torna possível a ideia de uma culpa que não é mal real, doença da vida, mas atribuição de responsabilidade moral. A culpa torna-se então um desesperado artifício, uma gaiola para permitir a coexistência do Omnipotente clemente e misericordioso com o sofrimento.

Sergio Quinzio, Um comentário à Bíblia

A felicidade e a dor de qualquer civilização dependem muito da sua ideia de Deus. Isto vale para quem crê mas também para quem não acredita, porque cada geração tem o seu ateísmo, profundamente ligado à ideologia dominante. Acreditar em um Deus à altura da parte melhor do humano é um grande ato de amor também para quem não é crente. A fé boa e honesta é um bem público, pois ser ateu ou não crente num deus tornado banal pelas nossas ideologias, faz com que todos – crentes ou não – se tornem menos humanos.

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O verdadeiro sentido do sofrimento

Um homem chamado Job/13 – O diálogo, mesmo o mais inesperado, ajuda a entender a vida e Deus

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 07/06/2015

logo GiobbeIob diz que os bons não vivem e que Deus os faz injustamente morrer. Os amigos de Iob dizem que os maus não vivem e que Deus os faz justamente morrer. O certo é que todos morrem.

Guido Ceronetti  O livro de Job

Job chegou ao fim dos seus discursos. Os seus ‘amigos’ humilharam-no e desiludiram-no, mas permitiram também que ele fosse descobrindo razões mais e mais profundas da sua inocência. Nos momentos de discernimento profundo sobre a justiça da nossa vida e da vida do mundo, o diálogo é instrumento essencial. Só com a companhia de alguém, dialogando, conseguiremos compreender as questões mais fundas sobre a nossa existência, penetrar os recantos mais escuros da nossa alma.

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A espera do inocente

Um homem chamado Job/12 – Saudades do futuro, onde coincidem o céu de Deus e o horizonte humano

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 31/05/2015

logo GiobbeOlho-te de soslaio / como quadrícula / de batalha naval / não sei ainda onde / me mandarás ao fundo / marcarás um rombo / com a esferográfica preta / dos olhos / e pôr-me-ás a salvo / numa terra confiada.

Chandra Livia Candiani (*)

Os gritos das vítimas ficam mais fortes quando são repetidos. No seu discurso final, Job continua a repetir as suas perguntas e os seus gritos, repete a defesa da sua inocência, brada ao céu uma vez mais: o pobre não é pobre por ser culpado. Uma pessoa pode ser pobre e infeliz sendo inocente. E se é inocente, alguém terá que o ajudar a levantar-se.

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A mina da sabedoria

Um homem chamado Job/11 – Procuremos o céu que está em nós, fiéis à verdade que nos habita

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 24/05/2015

logo GiobbeJob continua a interrogar o céu. Graças a ele ficámos a saber que o homem pode transformar a injustiça divina em justiça humana. Era uma vez, num país longínquo, um homem lendário, justo e generoso que, na solidão e no desespero, achou coragem para enfrentar Deus. E para o obrigar a olhar para a sua Criação.

Elie Wiesel, Personagens bíblicos através do Midrash

A história das religiões e dos povos é o desenrolar de uma verdadeira luta entre os que aprisionam Deus em ideologias e os que procuram libertá-lo. Os profetas pertencem à categoria dos libertadores de Deus, que realizam a sua função essencial de crítica de todos os poderes que, em todas as épocas, experimentam o fascínio invencível de usar religiões e ideologias para reforçar as suas posições de domínio.

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Fidelidade ao Deus do ainda não

Um homem chamado Job/10 – Não nos salvamos aceitando lógicas e palavras erradas

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 17/05/2015

logo GiobbeNo dia do juízo será Deus a ter que prestar contas de todo o sofrimento do mundo

Ermanno Olmi, Centochiodi

Certo dia, um pássaro encontrou-se no interior de uma grande casa luminosa; voava livre e feliz. A um certo ponto alguém fechou todas as janelas da casa. O passarinho via o seu céu através dos vidros transparentes; tentava chegar lá, mas batia sempre com a cabeça no vidro. Tentou várias vezes até que, do outro lado da casa, viu uma porta que dava para um corredor escuro, negro. Desesperado, intuiu que, a haver uma saída para regressar ao seu céu, teria que ser pelo escuro, para além daquela porta. Lançou-se, então, pelo negro das escadas. Bateu em muitas esquinas, magoou-se, quebrou a ponta de uma asa, mas não desistiu, não se deixou vencer pelo medo e pela dor. Depois de muita escuridão viu um pouco de luz: era a mesma luz de onde tinha vindo.

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O veneno da falsa misericórdia

Um homem chamado Job/9 – Com o olhar dos pobres, para além da noite do homem e de Deus

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire, 10/05/2015

logo Giobbe"Sou um homem ferido. / Queria era ir-me embora / Encontrar finalmente, / Piedade, onde se escuta / O homem sozinho consigo mesmo. / […] Mostra-nos um vestígio de justiça. /Que lei é a tua? / Fulmina as minhas pobres emoções, / livra-me da inquietação. / Estou exausto de gritar sem voz."

Giuseppe Ungaretti La pietà (Piedade)

Cada geração produz um próprio desfasamento entre as questões novas e difíceis das vítimas e as respostas insuficientes dos amigos de Job. Por vezes, esta distância tornou-se uma abertura através da qual se lança o olhar procurando descortinar um horizonte humano mais amplo e um céu mais alto. Muitas outras vezes, tal espaço é negado e anulado: as questões dolorosas e fecundas dos pobres são eliminadas. Para que fosse possível encontrar ‘Job e os seus irmãos’ bastaria aprender a habitar, em silenciosa escuta, este inevitável vazio. Poderia então florir uma solidariedade nova no nosso tempo; talvez a fraternidade, finalmente.

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A revolução da escuta

Um homem chamado Job/8 – A verdade da vida está nas perguntas jovens e pobres

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire, 03/05/2015

logo Giobbe"…E não espero ninguém: / entre quatro paredes / espantadas de espaço / mais que um deserto / não espero ninguém: / mas deve vir; / virá, se eu conseguir / nascer sem ser visto, / virá de improviso, / quando menos me der conta: / virá quase perdão / de quanto faz morrer, / virá dar-me a certeza / do seu e meu tesouro, / virá como repouso / das minhas e suas penas, / virá, está chegando, talvez, o seu murmúrio..."

Clemente Rebora, Canti Anonimi

Existe uma alternância entre fé e ideologia, religião e idolatria em pessoas, comunidades, civilizações e fés. No início do caminho é-se seduzido por uma voz que chama: acredita-se e parte-se. Mas depois de percorrer parte do caminho, por vezes bem longo, quase sempre se cai na ideologia, quando não na idolatria. É uma saída muito provável, talvez mesmo inevitável, porque ideologia e idolatria são produtos naturais da fé e da religião. A leitura honesta e nua do livro de Job – não é por acaso que se encontra no centro da Bíblia, cujo principal inimigo é a idolatria – é cura poderosa para estas graves doenças da religião, já que obriga a abandonar respostas amadurecidas e conquistadas com esforço ao longo de boa parte da vida, para regressar, humildes e verdadeiros, às primeiras perguntas da juventude.

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A palavra que vence a morte

Um homem chamado Job/7 – Quem resgata o pobre serve o irmão e o Deus dos vivos

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire, 26/04/2015

logo Giobbe"O meu último alento será para ti; no teu nome de mãe está toda a minha vida. Estou sereno e inocente. Podes estar de cara levantada pelo motivo por que vou morrer; e diz mesmo que o teu menino não tremeu e que morreu pela liberdade. Agora perdoo a todos; adeus, mamã, papá, Stefano, Alberto; adeus a todos. Tudo está pronto, estou sereno. Adeus mamã, mamã, mamã, mamã…"

(Cartas dos condenados à morte pela resistência, Domenico, 29 anos)."

Muita fé renasceu graças à fraternidade solidária, capaz de acompanhar até ao fundo a escuridão do homem que brada para um céu que lhe parece vazio ou hostil. Mas não é menos frequente, também, em torno de desesperados sentados em montes de esterco pelo mundo fora, que haja discursos vazios e perseguições de ‘amigos’ não solidários que não veem a verdade, muitas vezes escondida por silêncios de fé e ‘litígios’ com Deus; pretendem encher o céu vazio dos outros com as suas palavras vazias. Continua assim a ecoar na nossa terra o lamento de Job: “Até quando me vão atormentar e ferir com as vossas palavras?” (Giobbe 19, 2).

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A memória viva da terra

Um homem chamado Job/6 – Faz-se justiça quando não se "disfarça" o sofrimento dos justos

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 19/04/2015

logo Giobbe"Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra [...]
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal"

(S. Francisco, O cântico das criaturas)

Culpa e dívida são grandes temas da vida de toda a gente. Em alemão dizem-se quase com a mesma palavra: schuld e schuldig. Nascemos inocentes e podemos assim manter-nos a vida toda. Como Job. A morte de um menino é morte inocente; mas também muitas mortes de idosos são igualmente inocentes. Ao contrário dos ídolos, Deus deve ser o primeiro a ‘levantar a sua mão’ em nossa defesa, a acreditar na nossa inocência contra todas as acusações dos nossos amigos, das religiões, das teologias. As prisões continuam cheias de escravos acusados de dívidas inexistentes, os carcereiros continuam a enriquecer traficando com as suas vítimas inocentes, ansiosas por liberdade.

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Cuidado com os aduladores de Deus

Um homem chamado Job/5 – O falso amor de quem defende o Senhor para se louvar a si mesmo

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 12/04/2015

logo Giobbe"Vamos para fora. Vamos pedir que passe todo este mal estar. A quem o vamos pedir? À vinha, que é toda ela uma explosão de folhas novas ao ramo da acácia com os seus rebentos de hera e erva irmãs imperatrizes que são manto estendido e potentíssimo trono"

(Mariangela Gualtieri, de Aos meus imensos mestres)

Muita gente – economistas, filósofos, intelectuais – constrói teorias para legitimar a miséria no mundo; dizem que é consequência da preguiça dos pobres, que está inscrita, talvez, nos seus genes. Põem de lado, ignoram, ridicularizam Job e os seus grandes pedidos de esclarecimento; quem tenta defender a verdade dos pobres e as suas razões vê-se rodeado por mil ‘amigos de Job’, condenado e escarnecido. Os falsos amigos de Job não são uma raça extinta: com as suas ideologias continuam a humilhar, a desprezar e condenar os pobres.

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A responsabilidade de Deus

 Um homem chamado Job/4 – O justo tem autoridade para dizer: nenhum filho merece morrer

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 05/04/2015

logo Giobbe"Tu não desceste da cruz, quando zombavam de ti e gritavam-te, por derrisão: 'Desce da cruz e creremos em ti'. Não o fizeste, porque de novo não quiseste sujeitar o homem por meio de um milagre. Desejavas uma fé livre e não inspirada pelo maravilhoso. Tinhas necessidade de um livre amor e não dos transportes servis dum escravo aterrorizado. Aí ainda, fazias ideia demasiado alta dos homens, porque são escravos, se bem que tenham sido criados rebeldes. Vê e julga, após quinze séculos decorridos: quem elevaste até a ti? Juro-o, o homem é mais fraco e mais vil do que o pensavas. Pode ele, pode ele realizar o mesmo que tu? A grande estima que tinhas por ele fez mal à compaixão. Exigiste demasiado dele. Tu, no entanto, que o amavas mais do que a ti mesmo! Estimando-o menos, ter-lhe-ias imposto um fardo mais leve, mas em relação com teu amor. Ele é fraco e covarde"

(Fedor Dostoevskij, “O grande inquisidor”  , Os irmãos Karamàzov).

O humanismo bíblico não garante a felicidade aos justos. O maior de todos os profetas, Moisés, morre sozinho e fora da terra prometida. Para os justos deve haver algo mais verdadeiro e profundo que a busca da própria felicidade. Pedimos à vida muito mais: pedimos, sobretudo, o sentido das infelicidades, nossas e dos outros. O livro de Job está do lado de quem busca obstinadamente um sentido verdadeiro para a desilusão das grandes promessas: a desventura dos inocentes, a morte de filhas e filhos, o sofrimento das crianças.

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A arca do duro canto

Um homem chamado Job/3 – A ressurreição do inocente começa quando ele vê e compreende o sofrimento

por Luigino Bruni

Publicado em Avvenire 29/03/2015

logo Giobbe"Atordoado, Job dirige-se a Deus: ‘Senhor do universo, será que uma tempestade se desencadeou diante de ti e te fez confundir Iyov (Job) com Oyév (inimigo)?’ Por estranho que possa parecer, de todas as perguntas de Job foi esta a única que mereceu resposta

(Elie Wiesel, Personagens bíblicos através do Midrash).

Os discursos mais sublimes e verdadeiros são os que se erguem dos pobres; a sua carne ferida contém uma verdade que os tratados dos professores não podem conhecer. É a verdade de Job que dá força aos seus discursos de maldição e de imprecação. As suas grandes questões sem resposta são muito mais convincentes e verdadeiras que as respostas sem grandes questões dos peritos do seu tempo e do nosso. Se fossemos hoje capazes de escutar as questões – mudas, muitas vezes – dos pobres feridos pela vida e pelas nossas estruturas de pecado, poderíamos vislumbrar uma luzinha para iluminar as tantas crises do nosso tempo; não as entenderemos enquanto não reaprendermos a ler as palavras gravadas na pele das vítimas.

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A resposta do intocável

Um homem chamado Job/2 - Resistir sem amaldiçoar; descobrir a «liberdade do esterco»

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 22/03/2015

logo Giobbe“Vinda do Norte e do Ocidente, a civilização atual viu o sol e o azul; não viu as trevas do mar, a lama seca, os desertos de areia parda, as rochas fendidas, os rios sem água, o emaranhado de silvados poeirentos, a crueldade da luz, o sal e o suor, os gritos e o silêncio, a putrefação veloz. Neste ver mal, nesta ilusão, está a nossa cultura; por isso, perante a morte – e, portanto, perante a vida – ela é o retrato da impotência”.

Sergio Quinzio Cristianesimo dell’inizio e della fine (Cristianismo do início e do fim)

Toda a riqueza humana, toda a nossa riqueza é, antes de mais, dom. Vimos ao mundo nus e começamos a caminhar sobre a terra graças à gratuidade de um par de mãos que nos acolhem quando nos apresentamos ao mundo. Recebemos como dom a herança de milénios de civilização, genialidade e beleza, que nos são consignados sem qualquer mérito nosso. Nascemos dentro de instituições que existiam antes da nossa chegada, que de nós cuidam, nos protegem e amam. O nosso mérito é sempre subsidiário relativamente ao dom; e é muito mais pequeno. Mas nós insistimos em provocar injustiças cada vez maiores em nome da meritocracia; insistimos em viver como se a riqueza e o consumo pudessem cancelar a nudez de onde vimos e que por nós espera, fiel, nas encruzilhadas de todos os caminhos da vida.

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Diálogo nu com Deus

Um homem chamado Job/1 – Em caminho para além da visão “retributiva” da fé

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 15/03/2015

logo Giobbe– O que é que estão a fazer? Digam-me lá; eu quero saber. Não lhe respondi. O cego disse: – Estamos a desenhar uma catedral. Ele e eu estamos a trabalhar nisso. Carrega com força – disse-me ele. – Assim mesmo. Isso – disse. – Não restam dúvidas, meu rapaz. Tu conseguiste-o, tenho a certeza. Pensavas que não eras capaz. Percebes o que eu quero dizer? Dentro de um minuto vai sair daqui qualquer coisa de importante”.

Raymond Carver Cattedrale (1)

Há na terra muita gente como Job: impossível contá-los. Pouquíssimos são, no entanto, os que posssuem o dom de atravessar as desventuras na companhia do livro de Job. A leitura e meditação desta obra-prima absoluta de todas as literaturas é também uma companhia espiritual e ética para quem, na vida, revive a experiência de Job: alguém justo, íntegro e reto que, no auge da felicidade, é atingido por uma enorme desventura, que não tem explicação.

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