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Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A árvore da vida" que comentam o livro do Gênesis, publicados em Avvenire de 16 de fevereiro até 3 de agosto de 2014

 

No final da noite e para além dela

A árvore da vida / 25 – O dom do Génesis e um voto: sonhar de novo Deus

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 03/08/2014

Logo Albero della vita"Assim lhes falou José e todos riram e choraram juntos e estenderam para ele as mãos e tocaram-no, e José também, estendendo as suas, os acariciou. E assim termina a linda história inventada por Deus de José e os seus irmãos.” (Thomas Mann, José e seus irmãos)

 “Em que é que se ocupam?”, perguntou o faraó aos irmãos de José. “Nós somos pastores de ovelhas”, responderam (47,3). A pergunta sobre a profissão é a primeira na vida de um adulto. Quando não se sabe responder a essa primeira pergunta, quem sofre é o nosso lugar no mundo e não apenas o posto de trabalho. A profissão é a sintaxe com que se compõe o nosso discurso social. 

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Mendigos de bênçãos

A árvore da vida / 24 - Para encontrar de novo o filho, todo o pai volta a ser filho

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 27/07/2014

Logo Albero della vita"'Quem é aquele homem … ataviado com todo o esplendor deste mundo…? ’, perguntou Jacob. (…) ‘É o teu filho José, meu pai’ – tornou Judá. (Jacob) … examinou detidamente e com atenção aquele rosto egípcio com um olhar em que se misturavam o amor e a tristeza, tristeza, sim, de não reconhecer a seu filho. Sob o olhar do ancião, os olhos de José foram-se enchendo lentamente de lágrimas. O seu negror inundou-se de pranto que caiu sobre as suas faces e então, sim, Jacob viu neles os olhos de Raquel, ...” (Thomas Mann).

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Irmãos, mas sempre com o Pai

A árvore da vida / 23 – José e o milagre da reconciliação - ressurreição

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 20/07/2014

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“'Sou eu. Eu sou o vosso irmão José'. 'Certamente é ele, certamente é ele!' – gritou Benjamim, sufocando quase de alegria. E precipitando-se para José, subiu os degraus e caiu de joelhos, abraçando-se nos do irmão recém-achado. Jashup, José-el, Jeosif, soluçou com a cabeça lançada para trás, para contemplar o rosto do seu irmão. 'És tu, és tu, certamente! Não morreste'”. (Thomas Mann) 

Acompanhar uma vocação que se desenvolve e realiza é uma das experiências humanas mais assombrosas. É um dom especialmente precioso em períodos de carestia de ‘vozes’ e sonhos, quando mais fortes se tornam o desejo de gratuidade e a nostalgia de histórias de pura charis que só quem recebe uma vocação pode viver e fazer viver.

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A fraternidade não se compra

A árvore da vida / 22 - José e o perdão: não é apenas esquecer

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 13/07/2014

Logo Albero della vitaAceita o meu oferecimento! Guarda-me como refém em lugar do menor … Eu expiarei por todos nós. Aqui, diante de ti, estrangeiro, tomo o tremendo juramento que nós, os irmãos fizemos, tomo-o com as mãos ambas e parto-o em dois sobre os meus joelhos. Ao nosso undécimo irmão, o cordeiro do pai, o primeiro filho da esposa verdadeira, não o devorou nenhuma besta-fera: nós, os irmãos, o vendemos ao mundo” (Thomas Mann, José e seus irmãos) .

Para curar feridas profundas das relações primárias da nossa vida (a fraternidade) é preciso tempo, é vital. Ninguém consegue reconciliar-se verdadeiramente se não permitir que a dor-amor entre até à medula da relação doente, seja absorvida e, lentamente, a cure. São sobretudo necessárias ações que, com a linguagem do comportamento que desejamos, digam com verdade ‘recomeçar’.

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Olhos honestos de profeta

A árvore da vida / 21 - José, verdadeiro "intérprete" de sonhos, diz (e doa) realidade

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 06/07/2014

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"Deus responderá favoravelmente a Faraó. 

Falas de Deus – indagou Amenhotep –, já o fizeste mais de uma vez. A que Deus te referes? Como és de Zahi e di Amu, presumo que te refiras ao boi arador a que no Oriente dão o nome de Baal, o Senhor, não é verdade? 

O sorriso de José feneceu-lhe nos lábios. Ele apenas abanou a cabeça. 

Meus pais, os sonhadores de Deus – disse ele – fizeram o seu pacto com outro Senhor. 

Então só pode ser Adonai, o noivo – acudiu veloz o soberano, por quem a flauta geme nos algares e que torna a erguer-se”. (Thomas Mann, José e seus irmãos)

Há muitas formas de carestia, muito diversas entre si. O nosso tempo atravessa a maior carestia de sonhos que a história da humanidade conheceu.

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Sem preço nem alarido

A árvore da vida / 20 – Várias vezes José é posto à prova, mas vive com lealdade

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 29/06/2014

Logo Albero della vita"Quando (Nekliudov) acordou na manhã seguinte, o seu primeiro sentimento foi o de ter cometido na véspera uma má acção. Começou a reunir as suas recordações: não havia nenhuma má acção. A sua conduta fora irrepreensível [...] mas tivera maus pensamentos, o que era ainda pior. Podemos arrepender-nos e não repetir uma má acção, mas os maus pensamentos engendram toda a espécie de más acções.” (Leão Tolstoi, Ressurreição ).

A história de José na casa de Potifar, alto funcionário egípcio, é uma grande lição sobre a gramática da lealdade. Mas não é virtude do tempo que vivemos, a lealdade.

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A Palavra transforma o mundo

A árvore da vida / 19 - O valor do homem, a dignidade de cada mulher

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 22/06/2014

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"Prosseguiram viagem até Efrat, onde está sepultada Raquel. José correu para a sepultura da mãe e lançou-se em cima dela, abatido, mais de quanto se possa descrever: ‘Mãe, mãe, tu que me geraste, levanta-te, vá! Volta à vida para ver o teu infeliz filho vendido como escravo e abandonado … Acorda, mãe, vela pelo meu pai que neste dia está comigo com toda a alma e com todo o coração; fica a seu lado e conforta-o’” (Louis Ginzberg, As lendas dos hebreus).

A palavra lucro (bèça) aparece pela primeira vez na Bíblia aquando da venda de um irmão: “Que lucro temos nós em matar o nosso irmão?” (37,26). Depois de terem lançado José na cisterna, os irmãos concordaram com Judá e “venderam-no por vinte moedas de prata” (37, 28) a uma caravana de mercadores.

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O dom do irmão sonhador

A árvore da vida / 18 - José, predileto e não amado, portador de salvação

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 15/06/2014

Logo Albero della vitaMeu muito amado! [...] Eleito e preferido pelo coração ousado em atenção à única amada, que viveu em ti e com cujos olhos me estás mirando como ela me olhou uma vez junto ao poço, quando surgiu entre as ovelhas de Labão e eu arredei a pedra do poço para ela. Ela deixou que eu a beijasse e os pastores gritaram exultando: ‘Lu, lu, lu!’. Em ti, querido, a conservei quando o Todo Poderoso a afastou do meu lado; ela sobreviveu na tua beleza e que coisa é mais doce do que é duplo e duvidoso?” (Thomas Mann, José e seus irmãos).

As personagens bíblicas não são máscaras de uma peça de teatro. Não interpretam um papel ou figura (bom-mau, traidor-traído, etc.). São seres humanos, com as mais várias tonalidades e fisionomias que a humanidade apresenta.

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Os muitos dias que já não nos saciam

A árvore da vida /17 - As mortes bonitas dos Patriarcas, as pobres solidões

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 08/06/2014

Logo Albero della vita"Uma coisa só o magoava: começava a ficar velho e tinha que deixar a terra lá onde ela estava. É uma injustiça de Deus: depois de ter gasto a vida a comprar os seus bens, quando se consegue possuí-los – e bem se gostaria de ter ainda mais – é preciso deixá-los! E assim, quando lhe disseram que era tempo de deixar as suas coisas e pensar na alma, saiu para o pátio como louco, cambaleando; pôs-se a matar à bengalada os seus patos e os seus perus e gritava: - ‘Coisas minhas, venham comigo!’ "                       
(Giovanni Verga, La roba [As coisas]).

O progresso não é um conjunto de vetores orientados todos na mesma direção. Em muitas dimensões da vida, a modernidade trouxe grandes melhoramentos e desenvolvimento; não foi assim com a arte de envelhecer e de morrer que está a passar por rápida e forte marcha atrás. A fase final do ‘ciclo de Jacob/Jacó’ está tingida pela dor e pela morte, principalmente, de mulheres.

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Porque não acaba o mundo

A árvore da vida /16 - A violação de Dina. A vingança leva ao desastre, o agradecimento pacifica.

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 01/06/2014

Logo Albero della vita"Um deles, quando viu que estava curado, voltou, glorificando a Deus em voz alta. Ajoelhou-se aos pés de Jesus, curvando-se até ao chão em agradecimento. E este era samaritano. Então Jesus perguntou: «Não eram dez os que foram curados? Onde estão os outros nove?»"

(Evangelho de Lucas, 17,15-17)

Perante a história de Dina há só que ficar em silêncio: “Dina, filha de Jacob/Jacó e Lia, saiu um dia do acampamento para ir visitar as mulheres daquela terra. Siquém, descendente de Hamor, o hiveu, chefe daquela terra, viu-a e levou-a consigo para dormir com ela, violentando-a” (34,1).

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O perdão é luta abençoada

A árvore da vida /15 - Jacob/Jacó descobre um novo nome e descobre-se como irmão

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 25/05/2014

Logo Albero della vita"Naquele dia a alvorada foi mais breve que o normal: o sol surgiu duas horas antes do tempo … E aquele sol prematuramente nascido apresentava uma força admirável: brilhou com o mesmo esplendor que tivera nos seis dias da criação e que voltará a exibir no fim dos tempos".

(Midrash maior do Génesis, LXVIII).

Na Bíblia – diferentemente do que acontece na civilização do consumo – os nomes de pessoas (e lugares) são uma coisa séria. São sempre escolhidos para indicar, simbolicamente, uma vocação ou um destino. E quando, num evento ou encontro extraordinário, o primeiro nome é substituído, o nome passa a ser também um chamamento para uma missão especial e universal. É assim com Sarai e Abrão: depois da Aliança tornam-se Sara e Abraão; e, após a sua luta noturna, Jacob/Jacó passará a ser Israel.

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O caminho: dizer e nutrir aliança

A árvore da vida /14 – O homem ficou sabendo que os contratos nunca são suficientes

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 18/05/2014

Logo Albero della vita"Vendo Labão que Jacob/Jacó não tinha bagagens, deduziu que deveria trazer na sacola grande quantidade de dinheiro; e abraçou-o na cintura para verificar …. Foi o próprio Jacob/Jacó que lhe disse: ‘Enganas-te se pensas que venho cheio de dinheiro. Nada mais trago que palavras".

Antigamente o homem acedia com maior facilidade ao mistério da vida. Homens, mulheres e seres “visíveis” eram apenas uma parte pequena dos falantes, no mundo que ele habitava. A terra estava cheia de fortes mensagens e símbolos que ele interpretava com clareza. Muitas dessas “palavras” eram vivas e verdadeiras; nós esquecemo-nos delas, como acontece quando, crescidos, usamos uma nova maneira de falar, deixando de usar a que aprendemos em criança. E isso torna-nos mais pobres.

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A porta do céu é uma voz

A árvore da vida /13 – Jacob/Jacó encontrou a sua “escada” num sonho. E nós?

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 11/05/2014

Logo Albero della vita“Samuel disse a Saúl: «Porque é que tu me perturbaste e me fizeste sair de onde eu estava?». Respondeu-lhe Saúl: «Estou muito preocupado … Deus afastou-se de mim e não me responde, nem pelos profetas, nem pelos sonhos".  
1º livro de Samuel, 28,15

O livro do Génesis não é um tratado de moral nem um manual de ética familiar. É bem mais do que isso. O ciclo de Jacob/Jacó (capítulos 27-37) é uma belíssima pintura a fresco da grandeza e contradições do humano; são usadas todas as cores da vida, todos os possíveis tons dos relacionamentos sociais e familiares: esplendorosos e matinais, em teofanias e bençãos; lúgubres e noturnos em mentiras e enganos.

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Insubstituível palavra

A árvore da vida /12 - Isaac “enganou-se” no filho, não na benção

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 04/05/2014

Logo Albero della vita

"Não há mãos
que me acariciem o rosto,
(dura é a missão
destas palavras
que não conhecem amores)
não sei o que seja a doçura
dos vossos abandonos:
coube-me ser
guardião
da vossa solidão:
sou
salvador
de horas perdidas" (D.M. Turoldo)

Sem o livro de Job/Jó, o Cântico, os Salmos, o Evangelho de Lucas, o livro do Génesis, a arte, a poesia e a literatura seriam bem diversas; seriam certamente menos belas e mais pobres de palavras. Na base da força da Bíblia – incluindo a força poética – está uma radical, incondicional, absoluta fidelidade à palavra, muito difícil de entender para os leitores do nosso tempo, mas decisiva também para nós.

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Ninguém é dono da Promessa

A árvore da vida /11 – Quem segue o chamamento é um «estrangeiro residente»

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 27/04/2014

Logo Albero della vita"Mais tarde entendi – e ainda não deixei de o entender e o aprender – que somente no pleno ser-neste-mundo da vida se aprende a acreditar.” (Dietrich Bonhoeffer, Resistência e Submissão)

A primeira vez que a palavra “mercado” aparece no Génesis (23,16) é a propósito da compra e venda de uma sepultura, sinal da Terra prometida. O primeiro pedaço de terra de Canaã a tornar-se propriedade de Abraão é um terreno que ele compra para sepultar sua mulher Sara. Deus tinha-lhe prometido a «propriedade» (ahuzzà: 17,8) da terra prometida, mas a única terra que consegue em «propriedade» (ahuzzà: 23,4) é uma sepultura.

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Verdadeira é a fidelidade ao Inesperado

A árvore da vida /10 – A íngreme subida de Abraão e Isaac; as nossas provas

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 20/04/2014

Logo Albero della vita"Depois de preparar a lenha, tendo atado Isaac sobre a pira, Abraão prendeu-lhe os braços, arregaçou as mangas, forçou os joelhos sobre ele. Do seu sublime trono, Deus viu como os dois corações se tornavam um só; viu as lágrimas de Abraão que caiam sobre Isaac e as de Isaac caindo sobre o altar, inundado pelo pranto de ambos.” (Louis Ginzberg, As lendas dos hebreus, Vol. II)


Todo o filho traz consigo um mistério de gratuidade. Também Isaac, mesmo se de modo único e extraordinário: «... a tua mulher Sara vai ter um filho teu» (17,19). Abraão «sorriu, pensando no seu íntimo …"Será que Sara vai ter mesmo um filho aos noventa anos?"» (17,17).

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Agar e as suas muitas irmãs

A árvore da vida /9 - Lei e profecia; os enredos do Génesis.

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 13/04/2014

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"A primeira mulher que usou faixa à cintura foi a mãe de Ismael,
para esconder a gravidez diante de Sarai”
(Livro dos adágios sobre os profetas).

O primeiro anjo da Bíblia foi enviado para consolar uma escrava-mãeAgar – que a sua patroa tinha posto fora de casa. Perante a sua esterilidade e a crise da Promessa, Sarai procura uma solução por sua conta: “disse a Abrão: ‘YHWH não me deu possibilidade de ter filhos. Mas talvez a minha escrava, te possa dar algum filho por mim’” (16,2). E assim Sarai “deu a sua escrava Agar a Abrão como segunda mulher” (16,3).

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A caminho da terra dos filhos

A árvore da vida/8 - Abrão não viu, acreditou, tornou-se justo. E foi Abraão e pai

por Luigino Bruni

pubblicato em Avvenire em 06/04/2014

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Houve grandes homens pela sua energia, sabedoria, esperança ou amor – mas Abraão foi o maior de todos” (Søren Kierkegaard, Temor e tremor ).

Depois de Babel – a cidade fortificada na qual a humanidade, após o dilúvio, tinha procurado uma salvação errada, sem diversidade e fecunda dispersão pela terra – a aliança e a salvação continuam com Abrão, que deixa a casa de seu Pai e se põe a caminho, confiando numa voz que o chama.

 

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O céu não está sobre Babel

A árvore da vida/7 - Fora da Torre dos impérios: dispersos e salvos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 30/03/2014

Logo Albero della vitaMuitos, muitos anos foram dedicados à construção da torre; ficou tão alta que para subir até ao cimo demorava-se um ano. Aos olhos dos construtores um tijolo tornou-se então mais precioso que um ser humano; se um homem caía da torre abaixo e morria ninguém se preocupava, mas se caísse um tijolo todos choravam porque para o substituir era preciso um ano inteiro. Estavam tão impacientes por terminar a obra que nem sequer permitiam às mulheres que fabricavam os tijolos que interrompessem o trabalho quando chegavam as dores de parto: davam à luz forjando tijolos, punham o menino num pano amarrado ao corpo e depois continuavam a forjar tijolos” (L. Ginzberg, As lendas dos hebreus).

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E Noé reconstruiu o arco-íris

A árvore da vida/6 - O mal não triunfa quando existe a arca do justo

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire  em 23/03/2014

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Refugiaram-se na arca, também, duas personagens muito especiais. Entre os que pediram asilo a Noé estava o Engano; foi-lhe recusado porque não tinha companheira: é que na arca só entravam animais aos pares. Então ele pôs-se à procura de uma consorte e encontrou a Desventura, a qual se uniu a ele com a condição de se apropriar daquilo que ele viesse a ganhar. E assim os dois foram admitidos na arca. Quando saíram, o Engano deu-se conta de que tudo quanto conseguia juntar logo desaparecia, e foi pedir explicação à sua companheira. Mas ela retorquiu: “não tínhamos nós combinado que tudo o que tu ganhasses seria meu?”. Assim o Engano ficou de mãos vazias. (Midrash aos Salmos, in As lendas dos Hebreus).

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Somos todos herdeiros de Abel

A árvore da vida/5 - A pergunta que habita a história: "Onde está o teu irmão?"

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 16/03/2014

Logo Albero della vita«És ainda aquele da pedra e da funda, homem do meu tempo. Estavas na carlinga, com as asas malignas, as meridianas de morte, – sim, te vi – dentro do carro de fogo, na forca, nas rodas de tortura. Sim te vi: eras tu, com a tua ciência exata dirigida ao extermínio, sem amor, sem Cristo. Mataste ainda, como sempre, como mataram os pais, como os animais que te viram pela primeira vez. E este sangue odora como no dia que o irmão disse ao outro irmão. «Vamos até aos campos» (Salvatore Quasimodo).

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O caminho para casa: habitar o humano

A árvore da vida/4 - A perda da inocência é o início do tempo da ética

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 09/03/2014

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“O jasmim das traseiras de minha casa ficou completamente destruído com as chuvas e tempestades dos últimos dias; as suas florzinhas brancas flutuam em poças negras e lamacentas e sobre o telhado baixo da garagem. No entanto, algures dentro de mim, o jasmim continua a florir imperturbável, com tanta profusão e delicadeza como sempre floriu”. (Etty Hillesum)

A sinfonia da vida – que no centro tem o ser humano e as relações de reciprocidade – interrompe-se bruscamente: entra em cena a dor e, depois, a morte. Passa-se isto no capítulo 3 do Génesis e em todos os capítulos da nossa vida.

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De igual para igual: é assim desde o princípio

A árvore da vida/3 - E Deus viu: não é bom que o Adam esteja sozinho

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire  em 02/03/2014

Logo Albero della vitaA morte, quando chegar, terá os teus olhos” (Cesare Pavese)

Não é bom que Adam esteja sozinho”. A criação fica completa quando aquela ‘coisa muito bela e muito boa’ – o Adamse manifesta como realidade plural, quando se torna pessoa. É apaixonante e riquíssimo o ritmo do segundo capítulo do Génesis, desde Adam (o ser humano) até ao homem e mulher.

Inicialmente, Adam é colocado no jardim do Éden, cuida dele e cultiva-o: trabalha, portanto. Há duas árvores com nome: ‘a árvore da vida’ e ‘a árvore do conhecimento do bem e do mal’.

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Olhares em tempo de exílio

A árvore da vida/2 - As "imprudências" que nos salvam de Caim

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 23/02/2014

Logo Albero della vita“Confrontei as suas antigas palavras e as minhas velhas perguntas com os acontecimentos da história, da cultura, da tradição. Isto é, usei a minha fé hebraico-cristã como chave de leitura; e mais convencido fiquei de que ela é hoje a única chave possível." (Sergio Quinzio).

No princípio não estava Caim. Existia algo de ‘bom e belo’ que no sexto dia, com o Adam, se tornou ‘muito bom e belo’ (Gén. 1,31). Era a bênção que pairava sobre o mundo criado. O início, o bereshit, o princípio da terra, dos seres vivos e dos humanos é bondade e beleza; mostra qual é a vocação mais profunda e verdadeira da terra, dos seres vivos, do homem e da mulher.

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Viagem ao final da noite

Introdução - A árvore da vida/1

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 16/02/2014

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Ouvistes falar daquele louco que à clara luz da manhã acendeu uma lanterna, correu ao mercado e pôs-se a gritar incessantemente: ‘Procuro Deus! Procuro Deus!’. E visto que precisamente lá se encontravam reunidos muitos dos que não acreditavam em Deus, suscitou grandes risadas” (F. Nietzsche, Assim falava Zaratustra ou Zoroastro).

Há períodos da história em que os povos se dão conta de que as coisas antigas já passaram, que um certo ‘mundo’ está acabando e o desejo de coisas novas é muito forte. O tempo que vivemos é um desses momentos. É, certamente, o que se passa com a Europa, ao atravessar uma grande noite cultural que, mais cedo ou mais tarde, irá passar, mas sem sabermos ainda com que custos e desfecho.

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Cidade Nova e EdC

pessoas edc003A revista Cidade Nova tem agora uma página dedicada à Economia de Comunhão, com relatos de pessoas envolvidas com o projeto.

Artigos já publicados:

Escola interamericana reunirá jovens empreendedores - 10/2015
A Aurora de uma nova cultura
- 09/2015
Comunhão e a crise grega - 08/2015
John Nash e a EdC
- 07/2015
Dado empresarial e a prática dos valores da empresa
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Nairóbi, capital de uma nova economia
- 05/2015
EdC e a qualidade do produto
- 04/2015
O lucro não monetário
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Confiança e análise de risco - 02/2015
Economia e humanismo - 01/2015

As parteiras do Egito

Logo Levatrici d Egitto rid modO comentário do Êxodo, dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

O trabalho das mãos - 21/12/2014
O véu do profeta
 - 14/12/2014
As costas e o rosto de Deus
- 07/12/2014
O peso das palavras comuns - 30/11/2014
O bezerro de ouro - 23/11/2014
O sétimo dia
- 16/11/2014
Palavras do Céu, palavras da terra
- 09/11/2014
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- 02/11/2014
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- 26/10/2014
Os familiares do profeta
- 19/10/2014
A gratuidade-manã
- 12/10/2014
A dança de Miriam
- 05/10/2014
Os muros do mar
- 28/09/2014
A libertação e os ídolos
- 21/09/2014
Pragas e impérios invisíveis
- 14/09/2014
Capatazes leais
- 07/09/2014
O céu e as pirâmides
- 31/08/2014
A vocação de Moisés - 24/08/2014
O grito-oração
- 17/08/2014
As parteiras do Egito
- 10/08/2014

A árvore da vida

Logo Albero della vita rid modO comentário sobre o Gênesis, através dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

A morte de Jacob - 03/08/2014
O filho reencontrado
- 27/07/2014
A reconciliação
- 20/07/2014
O perdão de José
- 13/07/2014
Vacas magras e vacas gordas
- 06/07/2014
A lealdade de José
- 29/06/2014
Judá e Tamar
- 22/06/2014
José, o sonhador
- 14/06/2014
A morte de Isaac - 08/06/2014
Dina, A Vingança e a Gratidão - 01/06/2014
Ferida e benção - 25/05/2014
A carestia de fundamento - 18/05/2014
O sonho e a vocação - 11/05/2014
Esaú e Jacob/Jacó - 04/05/2014
O 1º contrato - 27/04/2014
Isaac - 20/04/2014
Agar - 13/04/2014
Abraão - 06/04/2014 
Babel - 30/03/2014
Noé - 23/03/2014 
Caim e Abel - 16/03/2014 
A serpente - 09/03/2014
Troca de olhares - 02/03/2014 
Adam - 23/02/2014
A árvore da vida - 16/02/2014

O dado das empresas

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