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Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "As parteiras do Egito", que comentam o livro do Êxodo, publicados em Avvenire desde 10 de agosto de 2014

 

 

Nenhum libertador se faz rei

As parteiras do Egito/21 - A vida de Moisés repete uma palavra grande: gratuidade

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 28/12/2014

Logo Levatrici d EgittoNinguém conhece o lugar em que ele repousa. Para os homens da montanha, a sua sepultura está no vale; para os do vale, está na montanha. Em todo o lado e noutro local, sempre noutro local. Ninguém estava presente no momento da sua morte. Em certo sentido, ele vive ainda em nós, em cada um de nós. Porque enquanto um filho de Israel, onde quer que se encontre, proclamar a sua Lei e a sua verdade, Moisés vive através dele, vive nele, como vive na sarça ardente que consome o coração dos homens sem consumar a sua fé no homem e nos seus apelos lancinantes.

Elie Wiesel, Personaggi biblici attraverso il Midrash (Personagens bíblicas através do Midrash)

Para aprender a renascer é preciso reaprender a morrer, o que está muito esquecido. A civilização do consumo é, antes de qualquer outra coisa, uma tentativa gigantesca para exorcizar a morte, o limite, o envelhecimento; uma enorme e sofisticadíssima indústria de entretimento perpétuo que não deve deixar tempo e espaço para pensar que, um dia, o grande jogo do consumo há de acabar, o carrocel há de entrar na sua última volta.

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O trabalho é já terra prometida

As parteiras do Egito / 20. O sentido da comunidade e do perdão. A inteligência e a oração das mãos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 21/12/2014

Logo Levatrici d EgittoDá gosto ver um grupo de pedreiros que uma qualquer dificuldade fez interromper o trabalho, refletir cada um por sua conta, indicar diversos modos de resolver a questão, e aplicar unanimemente o método engendrado por um deles, que poderá ou não ter autoridade oficial sobre os outros. Em momentos assim a imagem de uma coletividade mostra-se na sua pureza.

(Simone Weil, in G. Borrello, Il lavoro e la grazia - O Trabalho e a graça).

Há uma relação profunda entre comunidade e perdão. Não acontece comunidade sem perdão; é o perdão o grande gerador e regenerador das comunidades. Cum-munus (dom recíproco) e per-dom. As relações sociais que não têm necessidade de perdão são as funcionais, burocráticas, anónimas, contratuais; não existindo nelas encontros i-mediatos, o perdão não é necessário e torna-se palavra deslocada e estrangeira.

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Um véu que desmascara a falsidade

As parteiras do Egito/19 - O profeta verdadeiro serve sempre uma palavra que não é sua

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 14/12/2014

Logo Levatrici d EgittoNas tábuas da lei, no espaço entre mandamentos, foram gravados todos os preceitos da Torah, até aos mais pequenos pormenores; e mesmo se eram de pedra granítica, as tábuas podiam ser enroladas, como uma folha. Quando o Eterno pegou nelas para as entregar a Moisés, com as mãos cobria a terça parte superior, enquanto Moisés cobria a terça parte inferior; da terça parte que ficou descoberta brotaram faíscas divinas que tornaram radiante o rosto de Moisés”.

L. Ginzberg, Le leggende degli ebrei (As lendas dos hebreus)

O perdão não faz que o tempo volte atrás nem apaga atos e palavras. No entanto, tem a força de nos fazer renascer, de nos ressuscitar para uma vida nova; recolhe e acolhe o corpo ferido e faz dele um corpo novo e diverso, no qual as cicatrizes se tornam rosto radiante de luz.

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As costas e o rosto de Deus

As parteiras do Egito/18 - Promessas e pactos fazem a esperança; o seguimento realiza-os

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 07/12/2014

Logo Levatrici d Egitto‘Glória’ é presença demasiado violenta para os sentidos do homem. Iod (o SENHOR) deixa que a brisa varra o rosto de Moisés; pôde suportá-la, talvez, graças a uma outra emanação sua: a bondade. Por imensa que seja, não é mais que uma carícia para o homem.

Erri de Luca, Esodo – Nomi (Êxodo – Nomes)

Se quisermos ter uma esperança verdadeira de poder começar de novo depois de crises grandes, deveremos ir buscá-la às palavras solenes que pronunciámos, aos gestos maiores e mais generosos que praticámos nos momentos melhores da vida, regressar às promessas de mães e pais que nos geraram.

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O peso das palavras comuns

As parteiras do Egito/17 – Os profetas até Deus placam. E não escondem os erros

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 30/11/2014

Logo Levatrici d Egitto"Partilho com o hebraísmo a viagem, não o ponto de chegada. A minha residência não está na terra prometida; está à margem do acampamento … Se tivesse que escolher onde e como nascer, optaria outra vez pelos mesmos: o Sinai, como estrangeiro

(Erri de Luca, E disse).

Sem profetas, carismas e artistas estaríamos destinados à adoração perpétua de bezerros de ouro. Reduziríamos as religiões a idolatrias, as comunidades religiosas a consumismo espiritual, a obra de arte a mero artigo de mercado. Testemunhas de ‘gratuidade por vocação’ apenas com a sua existência eles mostram que a natureza da vida é ser dom: obrigam-nos a levantar o olhar para além deles, buscando a fonte dos dons que os habitam.

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A vontade de aprisionar Deus

As parteiras do Egito/16 - Quando faltam os profetas, afirma-se a banalidade dos ídolos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 23/11/2014

Logo Levatrici d EgittoO rei (Jeroboão) mandou fundir dois bezerros de ouro e disse ao povo: «Não vale a pena irem mais vezes a Jerusalém! Povo de Israel, aqui estão os teus deuses, que te tiraram do Egito!». Pôs um bezerro em Betel e outro em Dan. Isto levou o povo a pecar, pois ia até Dan para adorar o bezerro.

(1 Reis, 12, 28-30)

A fé bíblica não é necessária apenas para os homens: é precisa também para que o SENHOR não venha a ser transformado num ídolo, para que não se torne num ordinário Elohim sem nome.

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O tesouro do sétimo dia

As parteiras do Egito/15 - A terra e o tempo são dom. Não deixemos que no-los roubem

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 16/11/2014

Logo Levatrici d Egitto"Numa pequena igreja batista de Montgomery, Alabama, escutei o sermão mais extraordinário que alguma vez ouvi: era sobre o livro do Êxodo e a luta política dos negros do sul. No púlpito o pregador fez a mímica da saída do Egito e expôs as analogias com o presente; dobrou as costas debaixo do chicote, desafiou o Faraó, hesitou, receoso, diante do mar, aceitou a aliança e a lei no sopé da montanha". M. Walzer, Êxodo e revolução

 

Os humanismos que se revelaram capazes de futuro floresceram graças a relações não predadoras com o tempo e com a terra. A terra e o tempo não somos nós que os produzimos: apenas podemos recebê-los, protegê-los, cuidar deles, gerí-los, como dom e promessa. E quando o não fazemos – porque usamos tempo e terra em vista de lucro – o horizonte futuro de todos fica enevoado e mais curto.

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É puro dom o dote da terra

As parteiras do Egito/14 - A "lei da capa do pobre" é o fundamento de uma economia diferente

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 09/11/2014

Logo Levatrici d EgittoSe alguém não cumprir a demanda por um débito, e tiver de se vender, ou à sua esposa, seu filho e filha por dinheiro ou tiver de dá-los para trabalhos forçados: eles deverão trabalhar por três anos na casa de quem os comprou, ou na casa do proprietário, mas no quarto ano eles deverão ser libertados” (Código de Hamurabi)

Para compreender e reviver, aqui e agora, a grande mensagem das ‘dez palavras’ doadas por Elohim - o SENHOR, precisaríamos de uma cultura da aliança, de uma civilização da fidelidade às promessas, capaz de pactos e que reconheça o valor do ‘para sempre’. Mas a nota característica do nosso tempo é a transformação de todos os pactos em contratos; nota esta que se torna cada vez mais forte, até se sobrepor a todos os outros sons do concerto da vida em comum. É o que se vê com extrema nitidez no âmbito dos relacionamentos familiares; mas também no mundo do trabalho, onde relações laborais que no séc. XX eram concebidas e descritas recorrendo ao registo relacional do pacto estão hoje sendo reduzidas sempre mais a mero contrato.

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A única imagem verdadeira

As parteiras do Egito/13 - Deus fala-nos, recorda a nossa liberdade. Os ídolos escravizam-nos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 02/11/2014

Logo Levatrici d EgittoO Senhor falou-vos do meio do fogo e ouviram a sua voz, mas não viam ninguém” 

(Deuteronómio 4, 12)

A história humana não é uma linha reta uniforme e monótona. Alguns acontecimentos têm a força de curvar o tempo, de dobrar a sua trajetória, de quebrá-la, por vezes; abrem assim novas dimensões à aventura humana. A voz do Sinai é um desses acontecimentos. As palavras então ditas e doadas a um povo de ex-escravos libertados, peregrinos no deserto, deram início a uma nova época moral e religiosa da humanidade. Uma era ainda por realizar, que sempre estará incompleta. Que por isso sempre está diante de nós, nos espera e nos chama.

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Palavras do céu e da terra

As parteiras do Egito/12 – Para dialogar com o Deus da voz, só uma sinfonia de vozes é adequada

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 26/10/2014

Logo Levatrici d EgittoDiscutiam entre si as montanhas para ver quem teria a honra de ser escolhida como lugar da revelação. Uma delas começou por dizer: “A presença divina há-de pousar sobre mim; minha será a glória”. E outra replicou com as mesmas palavras. O monte Tabor disse ao Ermon: “Em mim pousará a Šekinah, hei de ter eu essa honra…”. De facto, o Sinai foi o escolhido, não só pela sua humildade, mas também porque nunca antes fora sede de cultos idolátricos, ao contrário das outras montanhas que, pela sua elevada altitude, tinham sido escolhidas para os santuários pagãos.

Louis Ginzberg, Le leggende degli ebrei, IV

A primeira reforma social e organizativa do povo de Israel nasceu de um conselho de Jetro, sogro de Moisés que era um estrangeiro, de fé diversa. Entre o abandono dos ídolos do Egito e o dom da Torá no monte Sinai, o Êxodo quis inserir a figura boa de um crente não idolátrico; colocou-o no centro de um evento importantíssimo para a vida do povo. É uma mensagem de grande abertura e esperança que também hoje chega até nós: os crentes no Deus da vida fariam bem em unir-se e estimar-se mais, para se livrarem e se protegerem dos tantos cultos idolátricos do nosso tempo.

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As palavras diferentes de quem nos vê como iguais

As parteiras do Egito/11 - Moisés segue o conselho de um pai de família: o dom da reciprocidade

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 19/10/2014

Logo Levatrici d EgittoQuando o Santo bendito lhe disse em Madiã: ‘Volta para o Egito’, Moisés tomou sua mulher e os filhos; Aarão foi ter com ele, encontrou-o junto ao monte de Deus e perguntou-lhe: ‘Quem são?’. Moisés respondeu: ‘São a mulher com quem casei em Madiã e os meus filhos’. ‘E para onde os levas?’, acrescentou Aarão. ‘Para o Egito’, respondeu. ‘Nós estamos preocupados por causa dos hebreus que se encontram no Egito e tu leva-los para lá também?’. Foi assim que Moisés disse a sua mulher: ‘Vai para casa de teu pai’, e ela tomou consigo os dois filhos e partiu.

Rashi, Comentário do livro do Êxodo.

 Misturados num mar de providência e de bem, há na terra, também, os inimigos dos frágeis e dos pobres enquanto estes atravessam desertos em direção a terras prometidas. Esses inimigos atacam de surpresa, por vezes sem motivo. Hoje como antigamente, salvam-se muitos pobres porque há quem ‘tem os braços levantados’, reza, invoca, grita com eles, por eles, em vez deles. E porque quando, cansados da longa e dura batalha, os braços dos profetas começam a ceder, há quem se coloque a seu lado para os sustentar.

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A justa lei do pão

As parteiras do Egito/10 - Há bens dos quais todos devemos fruir, nos "desertos" de ontem e de hoje

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 12/10/2014

Logo Levatrici d EgittoMoisés ensinou a bênção que se dizia depois de comer o manã: ‘Bendito sejas, Senhor nosso Deus, rei do universo, que na tua magnanimidade sustentas o mundo inteiro, que na tua graça concedes piedosamente o alimento a toda a criatura, porque a tua misericórdia è eterna. Graças à tua generosidade o alimento nunca nos faltou e nunca nos há de faltar’. Louis Ginzberg, Le leggende degli ebrei (As lendas dos hebreus, IV).

A gratuidade maior é a que todas as manhãs desce do céu com o orvalho. O mundo está imerso na gratuidade. É mais verdadeira e presente que a maldade, que também não falta. Habita entre nós, podemos encontrá-la nas árvores, dentro da nossa família, nos silvados, nos armazéns e escritórios, nos mercados, nas praças, nos hospitais, nas escolas, no fundo do coração da nossa gente. Aí se encontra, maravilhosamente, na simplicidade da vida de todos os dias, a gratuidade que nos salva. Bastaria, com a ajuda dos olhos dos profetas, reconhecer a providência que nos envolve, que pode nutrir-nos e nutre, para que fosse muito mais fácil de suportar a travessia dos desertos.

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A salvação é dança e olhar

As parteiras do Egito/9 - Depois do chicote o tambor, depois da sede amarga as doces águas

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire  05/10/2014

Logo Levatrici d Egitto"O livro do Êxodo está repleto de kolòt, de vozes. … Kalòt é palavra que se refere a sons produzidos por um corno de carneiro, pelos guizos da veste sacerdotal, por uma trovoada. … Na pobreza de uma só palavra existe algo a proteger: a língua sagrada reconhece que a criação fala sem cessar; da explosão de um relâmpago ao tintilar de um chocalho. Usa uma única palavra com humildade e nostalgia: admite que não sabe entender essas vozes e reporta-se ao tempo em que Adam interpretava a criação à letra" (Erri de Luca, Esodo/Nomi).

A libertação do povo oprimido no Egito começara com o chicote dos inspetores em cima dos trabalhadores e termina agora do outro lado do mar com a pandeireta de Miriam dançando. Quando não há lugar para o ritmo da dança, acaba por aparecer o ritmo do chicote. A beleza humilde e mansa da pandeireta celebra a liberdade e salva-nos.

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Gratuidade que fala

As parteiras do Egito/8 – O Deus da Bíblia convida a caminhar sem medo no deserto

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 28/09/2014

Logo Levatrici d Egitto"Abster-se da idolatria significa não fugir às questões de filhos e filhas que perguntam: ‘porque se faz este rito, porquê este mandamento ético, porquê amar o Deus único? Significa também não fugir das respostas

(Jean-Pierre Sonnet, Generare è narrare).

Não foi preciso mais que uma só noite para que o faraó esquecesse todo o sofrimento das pragas; as únicas preocupações do império voltaram a ser os tijolos e o ‘serviço’ dos israelitas: “o rei do Egito foi avisado de que o povo de Israel ia fugir. Então o rei e os seus servidores mudaram de ideia a respeito deles e disseram: «Mas como pudemos permitir que os israelitas se fossem embora e deixassem de ser nossos escravos?». O faraó mandou atrelar o seu carro de combate e pôs-se em marcha com o seu exército” (14,5-6). A aurora do novo dia mostra que na libertação dos israelitas não havia qualquer gratuidade.

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A maior das libertações

As parteiras do Egito/7 – Após a praga extrema, o ídolo cede; é «o início dos meses»

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 21/09/2014

Logo Levatrici d Egitto

“A crueldade das pragas não chegou à da opressão dos egípcios sobre os filhos de Israel, que se prolongou até ao fim da permanência naquela terra. Ainda no próprio dia do Êxodo, Raquel, filha de Sutela, deu à luz um menino enquanto estava a trabalhar com o marido a lama para os tijolos. O bébé escorregou pelo ventre fora e afundou naquela papa. Apareceu então Gabriel que formou um tijolo no qual incluiu o menino e levou-o para o alto dos céus”
Louiz Ginzberg, Le leggende degli ebrei (As lendas dos hebreus)

As pragas do Egito são a condição normal dos impérios idolátricos, incluindo aquele em que vivemos nós, claro. São regimes nos quais a água não tira a sede aos seres vivos nem fecunda a terra; apodrece e cria rãs, mosquitos e moscardos… os animais não conseguem viver. O sol não chega a passar através da poeira densa e tudo fica rodeado de trevas.

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As pragas dos impérios invisíveis

As parteiras do Egito/6 - Nem os magos do faraó conseguem manter presos os pobres

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 14/09/2014

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"Enquanto a salvação não chega – para nós, hoje, como para Israel no tempo de Moisés – a espera da salvação apenas pode ser um universal contínuo agravamento de tensões e sofrimento. O anúncio da salvação, ao romper o equilíbrio mundano, faz emergir somente brutais relações de força”. (Sergio Quinzio, Un commento alla Bibbia).

Bom seria que todas as gerações voltassem a ler o Êxodo: essa leitura ajudá-las-ia a descobrir e a olhar de frente os seus faraós e as suas escravidões, a desejar libertar-se deles, a reconhecer as pragas do seu tempo, a abandonar as terras dos impérios e a encaminhar-se para novas terras de fraternidade e justiça. Nas verdadeiras caminhadas de libertação é certo e sabido que há de chegar o momento das ‘pragas do Egito’, grandes sinais dos tempos em períodos de império, que os faraós não são capazes de interpretar porque têm o ‘coração’ petrificado.

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A lealdade abre até o céu

As parteiras do Egito/5 - A lógica do bastão e a lógica do trabalho lado a lado

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 07/09/2014

Logo Levatrici d Egitto“Se, de verdade, sois os enviados do Senhor, então ele será juiz entre nós e o faraó. … Sois vós os responsáveis pelo fedor que por todo o lado exala dos cadáveres dos hebreus, usados como tijolos onde não produziram a quota exigida. Somos como a pobre ovelha que o lobo roubou: o pastor persegue o ladrão, agarra-a e tenta arrancar-lhe das fauces a desgraçada presa que acaba feita em pedaços por ambos”. (L. Ginzberg, Le leggende degli ebrei)

A cultura dos incentivos está a transformar-se em nova ideologia do nosso tempo; surgiu nas grandes empresas capitalistas e está a emigrar para os setores da saúde, da cultura, da escola. O principal limite e perigo desta cultura do trabalho é uma visão empobrecida do ser humano, pensado e descrito como indivíduo que no trabalho é motivado exclusivamente por recompensas extrínsecas e monetárias, de quem se poderá obter praticamente tudo e em todos os âmbitos da vida, desde que adequadamente pago.

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Onde começa a verdadeira liberdade

As parteiras do Egito/4 - O céu de Deus e dos homens é sempre mais alto que as pirâmidesi

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 31/08/2014

Logo Levatrici d Egitto“Durante a vida toda, devo confessar, fui impelido por duas forças que agiam conjuntamente. Antes de mais, a cólera, a impossibilidade de aceitar o mundo tal como ele é. … A outra força é a luz. Hoje falaria de transparência. Poderia dizer: é a fé”

(Paolo Dall’Oglio, Collera e luce).

Os impérios sempre tentaram usar o trabalho para que na alma dos trabalhadores se apagassem os sonhos de liberdade, de gratuidade, de festa. Precisamente porque é o principal amigo do homem, o trabalho presta-se a ser manipulado e usado contra os trabalhadores, torna-se com facilidade ‘fogo amigo’. Ter trabalho foi e é via de libertação para muitos, e o não poder trabalhar continua a ser uma das principais faltas de liberdade, uma violência de massa do nosso tempo. Mas ao lado do trabalho que liberta e nobilita sempre existiu, e continua a existir, um trabalho que os faraós usam como meio de oprimir os pobres.

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Libertações e espinhos

As parteiras do Egito/3 - Moisés não é perfeito, mas sabe escutar Deus e reconhecer-se irmão

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 24/08/2014

Logo Levatrici d Egitto

Manda de novo profetas, Senhor,
homens fiáveis de Deus,
gente com o coração a arder.
E fala tu dos seus silvados
sobre as ruínas das nossas palavras,
dentro do deserto dos templos: para dizer aos pobres
que tenham ainda esperança.

Davide Maria Turoldo

O encontro decisivo da vida de Moisés deu-se durante um dia normal de trabalho: “Um dia em que Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã, levou o gado através do deserto até chegar ao Horeb, o monte de Deus” (3,1). Moisés era um estrangeiro e precisava de trabalhar para ganhar a vida; como Jacob, que trabalhava para Labão, como muita boa gente do seu tempo e do nosso.

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O grito que nos faz ricos

As parteiras do Egito/2 - O nosso Deus ouve e "recomeça" a cuidar de nós

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire 17/08/2014

Logo Levatrici d EgittoAcorda, Senhor! Por que dormes? 
Desperta e não nos rejeites para sempre! Por que desvias de nós o teu olhar e te 
esqueces dos nossos sofrimentos e aflições? A nossa alma está caída no pó e
 o nosso corpo colado à terra. Levanta-te...! (Salmo 44(43), 24-27)

A primeira oração que aparece na Bíblia é um grito, um bramido ao céu que se ergue de um povo oprimido. Nunca será libertado quem primeiro não tiver experimentado a necessidade de libertação, quem não tiver gritado, acreditando ou esperando que haja alguém, do outro lado ou do alto, a acolher o seu grito. Ou, dito de outro modo, quem não se sente oprimido por qualquer faraó ou quem perdeu a esperança de que alguém escute o seu grito não terá qualquer motivo para gritar e não será libertado.

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O amor não faz cedências ao poder

Neste domingo começa a reflexão de Luigino Bruni sobre o livro do Êxodo. As parteiras do Egito/1 - É um olhar de mulher que nos salva dos impérios

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 10/08/2014

Logo Levatrici d EgittoSempre houve impérios e ainda hoje os há. Mas agora estamos a deixar-nos adormecer por eles e cada vez mais se torna difícil reconhecê-los. E não os reconhecendo, não se lhes dá o seu nome verdadeiro, não se sente a opressão, não se inicia qualquer caminho de libertação. Fica-se apenas com a ‘soberania’ dos consumidores, cada vez mais infelizes e sós nos próprios sofás. A leitura e a meditação do livro do Êxodo é um grande exercício espiritual e ético, porventura o maior, para quem deseja tomar consciência dos ‘faraós’ opressores, sentir de novo dentro de si o desejo de liberdade, ouvir o grito de opressão dos pobres, tentar libertar pelo menos alguns deles. E para quem deseja imitar as parteiras do Egito, que amam todas as crianças.

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Cidade Nova e EdC

pessoas edc003A revista Cidade Nova tem agora uma página dedicada à Economia de Comunhão, com relatos de pessoas envolvidas com o projeto.

Artigos já publicados:

Escola interamericana reunirá jovens empreendedores - 10/2015
A Aurora de uma nova cultura
- 09/2015
Comunhão e a crise grega - 08/2015
John Nash e a EdC
- 07/2015
Dado empresarial e a prática dos valores da empresa
- 06/2015
Nairóbi, capital de uma nova economia
- 05/2015
EdC e a qualidade do produto
- 04/2015
O lucro não monetário
 - 03/2015
Confiança e análise de risco - 02/2015
Economia e humanismo - 01/2015

As parteiras do Egito

Logo Levatrici d Egitto rid modO comentário do Êxodo, dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

O trabalho das mãos - 21/12/2014
O véu do profeta
 - 14/12/2014
As costas e o rosto de Deus
- 07/12/2014
O peso das palavras comuns - 30/11/2014
O bezerro de ouro - 23/11/2014
O sétimo dia
- 16/11/2014
Palavras do Céu, palavras da terra
- 09/11/2014
O decálogo
- 02/11/2014
As palavras da terra
- 26/10/2014
Os familiares do profeta
- 19/10/2014
A gratuidade-manã
- 12/10/2014
A dança de Miriam
- 05/10/2014
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- 28/09/2014
A libertação e os ídolos
- 21/09/2014
Pragas e impérios invisíveis
- 14/09/2014
Capatazes leais
- 07/09/2014
O céu e as pirâmides
- 31/08/2014
A vocação de Moisés - 24/08/2014
O grito-oração
- 17/08/2014
As parteiras do Egito
- 10/08/2014

A árvore da vida

Logo Albero della vita rid modO comentário sobre o Gênesis, através dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

A morte de Jacob - 03/08/2014
O filho reencontrado
- 27/07/2014
A reconciliação
- 20/07/2014
O perdão de José
- 13/07/2014
Vacas magras e vacas gordas
- 06/07/2014
A lealdade de José
- 29/06/2014
Judá e Tamar
- 22/06/2014
José, o sonhador
- 14/06/2014
A morte de Isaac - 08/06/2014
Dina, A Vingança e a Gratidão - 01/06/2014
Ferida e benção - 25/05/2014
A carestia de fundamento - 18/05/2014
O sonho e a vocação - 11/05/2014
Esaú e Jacob/Jacó - 04/05/2014
O 1º contrato - 27/04/2014
Isaac - 20/04/2014
Agar - 13/04/2014
Abraão - 06/04/2014 
Babel - 30/03/2014
Noé - 23/03/2014 
Caim e Abel - 16/03/2014 
A serpente - 09/03/2014
Troca de olhares - 02/03/2014 
Adam - 23/02/2014
A árvore da vida - 16/02/2014

O dado das empresas

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