A aurora da meia noite

Logo Geremia Crop 150Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A aurora da meia-noite", comentando o livro de Jeremias, publicados em Avvenire a partir de 23 de abril de 2017

 

Os pobres anjos dos pobres

A aurora da meia-noite / 24 – Pesam mais as mutilações da alma que as do corpo

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 01/10/2017

171001 Geremia 24 crop rid«O dever para com o próximo não está confinado apenas aos que vivem ao nosso lado. A estabelecer uma ligação entre o samaritano e o israelita, são os próprios acontecimentos. Encontrando-se naquela situação, ele teve acesso a uma nova proximidade. No nosso mundo, são bem poucos os que não podemos julgar próximos de nós».

Amartya Sen, A ideia de justiça

A laicidade da Bíblia é algo muito sério, mas sempre muito longe da nossa vida de crentes e de “leigos”. O humanismo bíblico é, antes de mais, um discurso sobre a vida, sobre toda a vida, sobretudo a vida humana. A Bíblia fala muito de Deus, mas não nos fala apenas de Deus, porque nos fala, sobretudo, de nós. Porque nos diz que não há apenas Deus na vida: há a vida. O Deus bíblico sabe retrair-se, calar, para deixar espaço para nós. À nossa liberdade e à nossa responsabilidade. Não é um monopolista da nossa vida, não quer um culto contínuo e perpétuo – isto apenas o procuram e obtêm os ídolos. O Deus bíblico é um libertador; não nos liberta dos ídolos para nos subjugar a si – se o fizesse, seria um ídolo perfeito. Acelera processos, não ocupa espaços, nem sequer os sagrados, que frequenta pouco, porque ao templo prefere praça, a casa, a vinha. Mas, sobretudo, gosta de ver o que se passa debaixo do sol, seguir-nos com o olhar de esperança, no exercício pleno da nossa humanidade. Admira-se quando vê as nossas maldades, mas admira-se ainda mais perante a beleza das nossas ações, diante do espetáculo admirável da solidariedade e da fraternidade, sobretudo das solidariedades e fraternidades maravilhosas que começam no coração dos mais pobres e dos marginalizados.

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As areias movediças das ilusões

A aurora da meia-noite / 23 – Aceitar a verdade é reconciliação, não resignação

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 24/09/2017

170917 Geremia 23 1 ridCassandra: «Erro ou acerto no alvo como um arqueiro? Ou talvez seja um falso profeta que bate às portas para vender conversa? Sê minha testemunha e jura que estou reconhecendo as vilanias desta casa, antigas pela fama! (…) Mais uma vez, a terrível canseira de adivinhar verdades me ferve dentro, perturbando-me os seus prelúdios dolorosos”».

Ésquilo, Agamémnon

Quando, na vida, cultivámos uma grande ilusão, a gestão da desilusão é sempre muito complicada e extremamente dolorosa. Porém, se o tempo da ilusão foi vivido com boa-fé e durante muitos anos, quando se sente chegar o possível dia da desilusão, quase sempre preferimos ficar iludidos. Porque chamar a ilusão pelo seu verdadeiro nome significa ter de pronunciar palavras muito dolorosas para as poder dizer até ao fim: fracasso, (auto)engano, imaturidade, manipulação. E talvez bastasse compreender que a desilusão é o único bom florescimento da ilusão e vivê-la como uma passagem abençoada para dar bons frutos e, depois, concluir, na verdade, a nossa viagem debaixo do sol. Na luta entre ilusão e desilusão – a trata-se de autêntica agonia, sobretudo nas pessoas justas e honestas – o êxito depende decididamente de quem está ao nosso lado, na arena.

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O dom do segundo relato

A aurora da meia-noite / 22 – A vida que renasce não é apenas cópia da vida queimada

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 17/09/2017

170917 Geremia 22 rid«Se leio um livro e todo o meu corpo se torna tão frio que nenhum fogo pode aquecer, sei que é poesia». 

Emy Dickinson, de uma sua carta

Também a escrita pode ser atividade espiritual. Escreve-se de muitos modos, por muitas razões, escrevem-se coisas muito diferentes. Mas sempre houve e sempre haverá quem escreve, porque ouviu e acolheu uma voz interior. Sabem isto muito bem os poetas, que escrevem para responder a uma voz que fala e chama, e a sua poesia torna-se o fruto de um ‘sim’ a uma incarnação. Dizem-nos que a escrita é segunda porque, primeiro, há o dom de uma voz, de uma palavra, de um espírito. Existem muitas palavras ditas, mesmo palavras grandes e imensas, que não se tornam palavras escritas. Mas não existem escritas grandes e imensas que não sejam, antes, ditas na alma por uma palavra sussurrada. É esta dimensão vocacional e espiritual da palavra escrita que faz com que as outras nossas palavras escritas sem vocação possam ser, misteriosamente, verdadeiras ou, pelo menos, nem sempre nem totalmente falsas.

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O canto do arameu errante

A aurora da meia-noite / 21 – Verdade da vida e salvação encontram-se no caminho

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 10/09/2017

170910 Geremia 21 2 rid«Mesmo se a não lês, estás na Bíblia».

E. Canetti, Il cuore segreto dell'orologio  [O coração secreto do relógio]

Quando uma comunidade vive uma crise profunda, longa e de resultado incerto, o que está, verdadeiramente, em jogo é a ligação passado-futuro. Porque, se é verdade que é somente um bom futuro que torna bênção o passado, o resgata e o liberta da armadilha da saudade, é também verdade que, sem uma boa história de ontem para contar hoje, não se têm palavras novas para contar e nos recontar um amanhã bom e credível. As crises individuais e coletivas são carestias de futuro e carestias do passado, porque é a amizade entre o passado e o futuro que torna belo e fecundo o presente, em todas as fases da vida. Também quando está próximo o ocaso e a sombra do passado se torna longuíssima, as recordações nos alimentam e nos acompanham sempre, ao presente não basta apenas o passado, por muito grande e estupendo que seja. Devemos esperar uma palavra nova, rever o rosto de uma filha, que também hoje virá, ou esperar ver, finalmente, o rosto de Deus, guardado no desejo de toda uma vida. Para viver bem o tempo da crise é, então, indispensável ter um futuro entusiasmante que floresce de um presente reconciliado com o passado, vivido como dom e promessa, para além das feridas, das desilusões e dos fracassos. É na correta reciprocidade entre raízes e semente, entre bereshit e eskaton, onde se encontra, verdadeiramente, a possibilidade de continuar, agora, a gerar vida e futuro.

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A redenção da promessa

A aurora da meia-noite / 20 – É a gratuidade que prepara o futuro e nos salvará a todos

por  Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 03/09/2017

170903 Geremia 20 rid«Mesmo que soubesse que o fim do mundo é amanhã, ainda iria, hoje, plantar uma macieira».

Martinho Lutero

Depois dos grandes capítulos das consolações, bênçãos e das promessas, depois do anúncio da Nova Aliança, o livro de Jeremias volta à história do tempo do cerco dos babilónios e da iminente conquista e destruição de Jerusalém (ano 587). Dias terríveis, que nos acompanharão até ao fim do livro, onde se cumprem a profecia e a vida do profeta. A narrar-nos os factos e as palavras é Baruc, fiel companheiro e secretário de Jeremias, cujo nome, agora, desaparece do texto. Voltando à história, encontramos Jeremias prisioneiro do rei Sedecias. O tema da acusação já o conhecemos, porque é o coração da sua missão profética: “Porque profetizas desta forma: Assim fala o Senhor: 'Vou entregar esta cidade ao rei da Babilónia, que se apoderará dela'?” (Jeremias 32, 3). Estão, portanto, a realizar-se as profecias de Jeremias, negadas pelos falsos profetas, pelos chefes do povo e pelos sacerdotes do templo.

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A maior reciprocidade

A aurora da meia-noite / 19 – Juntos, no pacto-comunhão que muda a história

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 27/08/2017

170827 Geremia 19 rid«Mais tarde, aprendi – e continuo a aprendê-lo agora – que se aprende a crer só no pleno “ser - de cá” da vida. Quando se renunciou completamente a fazer de nós mesmos alguma coisa – um santo, um pecador arrependido ou um homem de igreja, um justo ou um injusto, um doente ou um são – e a isto eu chamo “ser - de cá”».

D. Bonhoeffer, Carta de 21 de Julho de 1944

Talvez não haja maior dom que o dom da esperança. É um bem primário. Podemos estar saciados de mercadorias e de todos os bens do conforto, mas morrer desesperados. Sempre, mas sobretudo quando atravessamos os desertos, a terra prometida aparece inatingível, o exílio infinito. Quem nos dá esperança, verdadeira e não vã, olha primeiro para os olhos do nosso desespero, atravessa-o e fá-lo seu. Luta contra as falsas esperanças, sofre todas as consequências e feridas da luta, resiste à dimensão de pietas humana que leva muitos a cair na tentação de oferecer falsas consolações – a si mesmos e aos outros. Os profetas, do meio da noite, anunciam-nos uma aurora verdadeira, que ainda não vemos, mas que podemos vislumbrar com os seus olhos. Como quando tudo em redor nos diz, desde há muito tempo, apenas morte e vanitas, e um amigo, um dia, nos fala de paraíso. E, desta vez, parece-nos, finalmente, tudo verdadeiro, para além dos paraísos artificiais que nos tinham enganado, na idade da ilusão. E é, finalmente, tudo graça, tudo charis, tudo gratuidade: “Vou curar as tuas chagas e sarar as tuas feridas” (Jeremias 30, 17).

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O exílio que é bênção

A aurora da meia-noite / 18 – A humanidade e o poder dos impérios visíveis (ou não)

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 20/08/2017

170820 Geremia 18 rid«Para os verdadeiros sábios, qualquer lugar do mundo é um exílio. É imaturo o homem que considera agradável apenas a sua pátria. Já é mais forte aquele para quem toda a terra é como o seu solo natal. Mais perfeito é o homem para quem todo o mundo é como uma terra estrangeira».

Hugo de São VítorDidascalicon, século XII

‘Arrancar e demolir, arruinar e destruir’ ouve ecoar Jeremias no dia da sua vocação profética. Mas, juntamente a estas palavras, ouve outras duas, diferentes e complementárias: ‘edificar e plantar’ (Jeremias 1, 10). Não basta anunciar cenários assustadores de desgraças para ser um profeta não-falso, porque a terra está cheia de pessoas que pintam, por vezes até mesmo de boa-fé, um presente e um futuro desesperado apenas para granjear o consenso dos muitos desesperados que se alimentam do desespero. Jeremias não ilude os seus conterrâneos, prometendo-lhes um bem-estar e uma paz imaginários; mas, enquanto profetiza esta verdade amarga e incómoda, sabe dizer palavras de esperança verdadeira e sublime.

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A profecia nunca tem incentivos

A aurora da meia-noite / 17 – É essencial reconhecer quem usa o passado para matar o futuro

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 13/08/2017

170813 Geremia 17 rid

«Não respondas ao insensato segundo a sua loucura, para não seres semelhante a ele.
Responde ao insensato segundo sua loucura, para que ele não se julgue sábio».

Provérbios 26, 4-5

Labuta é um dos nomes do trabalho. Travaglio, travail, trabajo, do latim trepalium, era um jugo para animais. Uma trave de madeira armada com cordas e laços. Recordava o braço horizontal duma cruz. Com o tempo, o jugo tornou-se o símbolo de submissão de animais e de pessoas, de escravidão. Os povos conquistaram a liberdade e justiça quebrando jugos de escravidão e libertaram-se destes trabalhos e destas tribulações. Ninguém gosta de ser subjugado, colocado, por outros, debaixo de um jugo. Somente a mensagem subversiva e radical de Jesus de Nazaré podia usar a imagem do jugo para exprimir a ligação entre ele e os seus discípulos: leve e suave, mas sempre um jugo. Talvez, ao usar esta imagem paradoxal, o evangelista pensasse, também aqui, em Jeremias: “A palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias, nestes termos: «Isto me disse o Senhor: Faz um laço e um jugo e coloca-os ao pescoço»” (Jeremias 27, 1-2).

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Para além do deserto de palavras traídas

A aurora da meia-noite / 16 – Reconhecer e enriquecer a família profética da terra

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 06/08/2017

170806 Geremia 16 rid«Uma vez, Rabbi Mosche Kobryn disse: ‘Vejo que todas as palavras que eu disse não encontraram nem sequer um que as tenha escutado com o coração. As palavras que saem do coração vão, na verdade, para o coração; mas, se não encontram nenhum, então, ao homem que as disse, Deus concede a graça de elas não ficarem a vaguear, mas que regressem todas ao coração donde saíram’… Algum tempo depois da sua morte, um amigo disse: ‘Se tivesse tido a quem falar, ainda viveria’»

Martin Buber, Storie e leggende chassidiche   [Histórias e lendas chassídicas]

Embora cada profeta tenha a sua personalidade única e o seu nome próprio, a profecia é uma experiência coletiva. Forma uma comunidade, uma tradição e, quem chega, continua o mesmo percurso, combate as mesmas batalhas, dá novas palavras à mesma voz. Cada profeta verdadeiro é gerado pelos profetas que o precederam e alimenta os profetas que virão depois dele. Esta cadeia geradora espiritual é a raiz da fidelidade à palavra porque cada profeta sabe que está a escrever um capítulo de um livro que será completado por outros/as e, se àquele capítulo, faltam palavras, ou se tem palavras parciais ou emendadas, quem continuar a escrita encontrará entre mãos um material adulterado, não terá à disposição palavras necessárias para escrever as próprias, e o final será mais pobre e errado.

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O cântico das vozes diferentes

A aurora da meia-noite / 15 – A grandeza de Deus livra-nos de contar apenas os nossos sonhos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 30/07/2017

170730 Geremia 15 rid

«Da imagem tensa / espreito o instante / com iminência de espera - / e não espero ninguém: na sombra acendida / espio o sino / que, impercetível difunde / um pólen sonoro – / e não espero ninguém:
entre quatro muros / pasmados de espaço / mais que um deserto / não espero ninguém:
mas deve vir / virá, se resisto, / a florescer não visto, / virá de improviso, /quando menos o sinto:
virá quase perdão / de quanto faz morrer, / virá a dar-me a certeza / do seu e meu tesouro,
virá como restauro / das minhas e suas penas. / virá, talvez já venha / o seu sussurro»

Clemente Rebora, Dall’imagine tesa   [Da imagem tensa]

A falsa profecia, em boa-fé, talvez seja a mais abundante debaixo do sol e entre as mais perigosas. Sempre existiram e ainda existem falsos profetas de má-fé, que não são voz de nenhuma voz e sabem-no muito bem. Mas também há falsos profetas, em boa-fé, que não são voz de nenhuma voz e não o sabem, e confundem a “voz de Deus” com as próprias fantasias, emoções e pensamentos. Os falsos profetas não são todos rufias e impostores; entre eles, existem também pessoas autoconvencidas de serem profetas sem o ser.

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O dom novo do Deus fiel

A aurora da meia-noite / 14 – Só um Pai, nunca indiferente, oferece misericórdia

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 23/07/2017

170723 Geremia 14 rid«Irmão ateu, nobremente pensativo, à procura de um Deus que eu não sei dar-te, atravessamos, juntos, o deserto. De deserto em deserto, vamos para lá da floresta dos fiéis, livres e nus, para o nu Ser e, lá, onde a palavra morre, tenha fim o nosso caminho»

Davide Maria Turoldo, Canti Ultimi

A vida poderia ser contada como a história das suas crises. A Bíblia está cheia destas histórias, mas não nos damos conta delas porque, nos textos bíblicos, procuramos verdades, palavras religiosas, consolações. E, assim, perdemos as páginas maiores da Bíblia, que se abrem quando conseguimos chegar aos homens e mulheres que estão por detrás das palavras de YHWH, àqueles seres humanos completos que as pronunciaram. A palavra bíblica não nos muda enquanto não nos deixamos tocar na carne pelos seus homens e pelas suas mulheres, enquanto não lhes dermos permissão de entrar nos lugares mais íntimos da nossa alma e de entrar em nós como pessoas concretas, com um nome e uma história, com as suas feridas, as dúvidas e as maldições. Demasiadas vezes, a Bíblia salva pouco ou nada porque permitimos que nos toque pouco ou nada. Por vezes, um personagem bíblico consegue forçar a entrada, infiltrar-se no buraco da casa que ficou aberto, por engano. O personagem torna-se pessoa mais real e concreta que os nossos amigos e que os nossos filhos. Baralha-nos a decoração dos interiores e dos quartos de dormir. Depois, se quem entra é Jeremias, a casa fica em grande confusão e, talvez, no caos completo, possamos voltar pobres das coisas e de Deus e, finalmente, sentir pairar o espírito que, nas casas com as portas fechadas e nos templos guardados e protegidos, não consegue soprar. Há demasiadas pessoas que permanecem fora do horizonte espiritual do mundo porque, quando vêm ao nosso encontro, entram numa casa com as janelas fechadas e demasiado cheia de coisas bem ordenadas, com um oxigénio insuficiente para poder respirar.

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Verdade até ao miolo da vida

A aurora da meia-noite / 13 – Como Deus alimenta e muda para sempre a nossa existência

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 16/07/2017

170716 Geremia13 rid«A minha alma refugia-se no Antigo Testamento e em Shakespeare. Lá, pelo menos, sente-se alguma coisa: lá, são homens que falam. Lá, odeia-se!; lá, ama-se, mata-se o inimigo, amaldiçoam-se os descendentes, por todas as gerações; lá, peca-se.»

Soren Kierkegaard, citado em Scipio Slataper, Ibsen

O livro de Jeremias marca um novo estádio da consciência humana, um salto no processo de humanização, uma verdadeira inovação antropológica e espiritual. Todo o seu livro, sobretudo as suas confissões. E, se lhe permitirmos entrar no íntimo da nossa consciência e estivermos dispostos a suportar os seus altos custos, aquela antiga inovação pode ainda realizar-se, aqui e agora.

Desde o primeiro capítulo do seu livro, Jeremias alternou o conteúdo da sua missão profética com as suas confissões íntimas, revelando-nos a sua alma, as suas esperanças, as suas angústias. Agora, no auge do seu diário interior, chegamos aos capítulos 19 e 20, onde os factos narrados e a sua poesia atingem um pico absoluto.

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Mas Deus espera-nos no torno

A aurora da meia-noite / 12 – A insuficiência da prudência e a teologia das mãos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 09/07/2017

Lavorazione ceramica 01 rid«O trabalho físico constitui um contacto específico com a beleza do mundo e um contacto de uma plenitude tal que nada de equivalente se pode encontrar noutro lugar».

Simone Weil, Attesa di Dio   [Espera de Deus]

Para compreender a profecia e os profetas bíblicos precisamos de uma laicidade que já não temos. De facto, não há nada mais leigo que um profeta, porque, mesmo quando fala de Deus, diz, sempre e só, vida, história, lágrimas, esperanças, quotidiano, trabalho. Os discursos dos profetas eram acerca de homens e mulheres que, em redor, todos podiam e deviam compreender sem serem especialistas em teologia. É esta a sua laicidade, se verdadeiramente queremos usar um termo que seria, para eles, totalmente incompreensível porque, o que para nós é leigo, era, para eles, simplesmente vida, toda a vida. A primeira, e por vezes decisiva, dificuldade para compreender a Bíblia e os profetas encontra-se na própria palavra: “Deus”. Quando encontramos esta palavra, encontramos, inevitavelmente, um conceito carregado com milénios de cultura, de cristianismo, de teologia, de filosofia e, depois, pela modernidade, os seus ateísmos, a ciência, a psicanálise e, assim, tornamos incompreensíveis o Deus dos profetas e a palavra destes, que tiveram necessidade da pobreza do Sinai, dos tijolos do Egipto, de liberdade essencial da tenda do arameu errante – eis porque os melhores ouvintes da Bíblia sempre foram, e ainda são, as crianças: é preciso a sua liberdade e pobreza para entrar neste Reino.

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