Investir na humanidade

por Alberto Ferrucci
publicado na revista Città Nuova Nº.17/2009

Constrangido entre os limites do euro e a promessa de “não pôr as mãos nos bolsos dos italianos”, o nosso governo quer recuperar alguns milhares de milhões com uma oferta de 5% sobre a recuperação dos capitais exportados ilegalmente. Oferece um salvo-conduto àqueles que exportaram os ganhos para evitar pagar à comunidade, que lhes tornou possíveis esses ganhos, os impostos devidos, traindo-a. Já antes falámos disto.

Se este provimento confirma que infelizmente na Itália, mais uma vez, os espertos conseguem escapar, que contributo positivo podem dar aqueles que não querem armar-se em espertos, por não quererem trair o seu País? Que pode fazer essa sociedade civil, que a recente carta encíclica “Caritas in veritate” coloca em evidência, e em particular, que contributo pode dar quem não foi atingido pela crise, porque porventura têm bons empregos, ordenados, pensões ou poupanças?

O Evangelho diz que não se deve enterrar os talentos por medo de perdê-los: sejam eles dinheiro, empreendedorismo, cultura, capacidades organizativas, artísticas ou outras.
É frequentemente sugerido pelo governo que devemos ter confiança, fazendo gastos para ajudar a superar a crise. Mas como gastar? Uma boa regra pode ser perguntar-se se com essa despesa construímos algo para nós ou para os outros, isto é, se investimos, ou se, pelo contrário, consumimos coisas não indispensáveis. Investir é reestruturar a casa para aquecê-la ou para viver melhor; é adquirir um electrodoméstico de baixo consumo; é também gastar na nossa formação, ou na formação dos nossos filhos, para novas saídas profissionais, aprender línguas ou desenvolver talentos artísticos; com estas despesas dá-se trabalho a outros, adquirindo capacidades que não se evaporam em crises financeiras.

Mas também é investir a favor da grande família humana: muitos economistas admitem que a via para sair da crise será um desenvolvimento sustentável para todos: ajudar, a todos os níveis, os povos a libertar-se da fome, dar a cada um uma casa, uma escola, bem como condições de saúde e de se tornarem autónomos na produção de alimentos; é ajudá-los a realizar, nos seus países, aquilo que se procura para os próprios filhos nos países desenvolvidos, enfrentando as viagens da esperança.

Um grande investimento na humanidade – cujos recursos poderiam ser recolhidos como títulos da Banca europeia ou da Banca mundial – poderia reduzir os desequilíbrios económicos, produzindo paz e confiança recíproca e também um grande impulso para a economia mundial, retirando as motivações ao terrorismo que custa tantos recursos e tantas vidas de jovens dos nossos tempos.



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